Jornalistas dos PALOP terminaram na capital angolana a formação sobre jornalismo cultural

Publicado em 02 Set 2009
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 Terminou na última sexta feira a formação sobre jornalismo cultural destinada aos jornalistas dos cinco países da língua oficial portuguesa. Durante  15 dias foram abordados temas como os media e a cultura africana no contexto da globalização, rádio e tradições culturais, importância do humor na cultura africana, teatro africano, uma tradição em evolução e a musica africana modernidade e tradição.

Uma forma de reforçar  a difusão nos meios de comunicação social dos povos que falam português. Esta difusão deve ser feita cada vez mais num espírito de cooperação e intercambio entre os diferentes PALOP com respeito pela diversidade e autonomias culturais com reconhecimento dos laços históricos, culturais e linguísticos que os unem. No final da formação os participantes mostraram-se satisfeitos com os resultados alcançados»eu levo daqui uma experiencia boa. Este intercambio que fizemos serve com certeza para o melhoramento do meu trabalho na rádio jovem. Aprendi aqui que a cultura tem vários ângulos  de abordagem e vou tentar implementar na pratica na Guiné Bissau» disse Braima Darame.

» Gostei do intercambio com os colegas e com essa formação vou poder dar muitos contributos no programa cultural que colaboro na rádio Eclésia, disse

Para Leonardo Chauque de Moçambique tratou-se de uma experiencia muito rica» acredito que aquilo que aprendi também me vai ser útil na televisão. Esta não foi apenas uma formação, o intercâmbio que fizemos com jornalistas de outros países africanos foi excelente».

Veronica Oliveira, de Cabo Verde disse que com  »a formação pude aperceber que a rádio praia FM esta no bom caminho ou seja investido naquilo que melhor diferencia e representa qualquer país, a cultura. A formação deu também para dar uma reciclada sobre os géneros jornalísticos e gostei muito da convivência com os colegas.»

Para Stefan Husgen, chefe do Instituto Goethe( Instituto Cultural Alemao) a iniciativa foi uma mais valia e» aproveito para agradecer os dois professores que foram fantásticos. Espero que tenham criado uma amizade pelo nosso instituto. É necessário que vocês trabalhem a cultura nos vossos países, tentem divulga-la mais porque a cultura é o que o povo tem de melhor». Entretanto o representante do embaixador de Alemanha Bernhard Osterlen mostrou-se satisfeito com o trabalho feito» foi um grande sucesso esta formação patrocinada pelo nosso governo. Voces estão de parabéns principalmente pelo esforço que fizeram. A partir de agora vocês tem que pôr em pratica tudo aquilo que aprenderam porque a cultura é a identidade de cada povo.»

Os formandos tiveram a oportunidade de  fazer excursoes  a instituições de comunicação como a  rádio eclesia e a rádio despertar e  visitaram algumas  instituições culturais. O ponto mais alto desta formação foi a assinatura da declaração de Luanda. Documento que une os jornalistas que tomaram parte nesta acção de formação, onde comprometeram a incitar esforços para a criação de uma associação de jornalistas culturais.  O certame decorreu no centro cultural alemão em Luanda e foi promovido pela Deutche  Welle academie ( centro de formação da voz de Alemanha). 

O Jornalismo Cultural tem, hoje, que contribuir para a qualidade de vida. O Jornalismo Cultural tem que responder sobre as aplicações legislativas e suas implicações no desenvolvimento do diálogo intercultural. Promover as diferenças e, sem antes julgar, trazer ao público o que nos torna ricos culturalmente; exactamente as diferenças.

Temos que trabalhar para a autonomia cultural dos cidadãos, promover a cidadania democrática, questionar a economia na cultura e a economia da cultura. Somos membros das sociedades em que vivemos. Que tal questionarmos as politicas culturais e a promoção das identidades nacionais! Neste tempo de capitalismo selvagem sugiro-vos uma agenda cultural que vá para lá da mera cobertura das artes e do espectáculo.

Proponho aos Jornalistas especializados em assuntos culturais que trabalham para que a voz dos cidadãos influenciem as decisões na matéria pelos poderes instituídos. Se se quer e se pratica livre circulação de pessoas e bens, que promovamos, também, a livre circulação de ideias, a coesão social, o equilíbrio nacional e regional.

Ectylsa Bastos