UNEAS e a Direcção da Cultura prometem perpetuar o concurso Paço Fiá Glêza

Paço Fiá Glêza, o presépio que reflecte o espírito natalício em São Tomé e Príncipe, não desapareceu como património cultural são-tomense, por causa da persistência da falecida poetisa Alda do Espírito Santo. A União dos Escritores e Artistas de São Tomé e Príncipe, promete seguir os passos de Alda Graça, na promoção do Paço Fiá Glêza.

Antiga Presidente e fundadora da União dos Escritores de São Tomé e Príncipe, Alda Graça do Espírito Santo, conseguiu manter ao longo dos anos uma das manifestações culturais são-tomenses, em vias de extinção. Trata-se do Paço Fiá Glêza. Com poucos recursos, foi incentivando os jovens sobretudo, na quadra natalícia a se dedicarem a construção do presépio a base de folhas de palmeiras e fetos.

Os presépios são ornamentados com frutas locais, figuras de barro, enfim anunciando o nascimento do menino Jesus. Os paços construídos a beira das estradas acabam por ornamentar os bairros de São Tomé, dando um colorido especial a quadra festiva do natal. «O ser são-tomenses inscreve-se num processo contínuo que vem da época colonial, e os paços nasceram nessa época. É a maneira são-tomense de homenagear Jesus», afirmou Yolanda Aguiar Directora da Cultura.

A UNEAS promete seguir as pisadas de Alda Graça do Espírito Santo, na promoção do Paço Fiá Glêza.  Segundo Albertino Bragança, Secretário Geral da instituição é uma forma de homenagear a poetisa que ajudou a perpetuar o património cultural são-tomense. «Uma vez desaparecida a dona Alda do Espírito Santo a UNEAS continua a realizar o Paço. E não podia deixar de ser. Não tínhamos outra forma de homenagear a sua memória se não dar sequência ao concurso do Paço sobretudo no ano em que ela desapareceu», declarou Albertino Bragança.

Também a nova Directora da Cultura, garante que o Paço Fiá Glêza, não vai morrer. «Pretendemos valorizar tudo que seja património cultural de São Tomé e Príncipe. E neste sentido os passos enquadram-se nesse património cultural. Por outro lado sentimos herdeiros de Alda do Espírito Santo de alguma maneira. Tentamos manter humildemente esta tradição», reforçou Yolanda Aguiar.

Este ano a UNEAS, anuncia grande participação de jovens no concurso que conta com a colaboração de um cidadão são-tomense, radicado em Angola. «Houve muitos paços, cada um mais bonito que outro, o que mostra que esta paixão pelo paço fiá glêza permanece no seio das populações e sobretudo os jovens. Uma vez que os prémios que temos são para os jovens dos 11 a 17 anos, que é um grande sinal de garantia de continuidade do paço fiá glêza», sublinhou Albertino Bragança.

Esta quinta feira serão conhecidos os vencedores do concurso. A maior participação regista-se no distrito de Mé-Zochi.

Abel Veiga

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    J. Maria Cardoso Responder

    A Direcção da Cultura e a UNEAS não querem deixar morrer um símbolo da nossa identidade cultural-religiosa, o Paço Fiá Glêza, eventualmente único no Mundo, demonstração de k são nesses gestos k as autoridades vocacionadas reconhecem quanto é valiosa essa manifestação dos nossos luchans.
    O Paço Fiá Glêza enquanto uma obra de arte, passando de geração em geração, e inspirada no nascimento de Jesus Cristo, é o nosso cartaz natalício e de visita k, segundo o Téla Nón, já conta com a contribuição de um filho da terra k saltou a água k se disponibilizou em premiar os melhores dos melhores.
    Uma iniciativa a ser saudada por todos nós k, enquanto miúdos batalhamos dia e noite para levar o presépio pintado de safús, mais matytás k pretos, as ruas dos nossos luchans num sonho de sermos reconhecidos nem k fosse com uns rebuçados do tempo k, teimosamente, não volta atrás.
    K não morra nunca o nosso Paço Fiá Glêza k um dia há-de inspirar os k ousam assumir o comando do nosso navio em busca do porto seguro.
    Bem-haja!

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