Cultura

ANGELO (AITO) BONFIM ENTRE A TRAGÉDIA E A COMÉDIA

O acto de escrever rima com a obrigação profunda de ler. Ler não só como consumo do que foi ou é escrito, como também o dever de ler o ambiente envolvente, numa perspectiva identitária e crítica, reivindicativa e sugestiva, informativa e formativa, assim como, evolutiva e construtiva. Todo aquele que escreve como um produtor de memória é um leitor nestas vertentes, ele é o primeiro a ler o que escreve, por vezes mesmo antes de utilizar os códigos simióticos.

Por: Francisco Costa Alegre

ANGELO (AITO) BONFIM

ENTRE

A TRAGÉDIA E A COMÉDIA

O acto de escrever rima com a obrigação profunda de ler. Ler não só como consumo do que foi ou é escrito, como também o dever de ler o ambiente envolvente, numa perspectiva identitária e crítica, reivindicativa e sugestiva, informativa e formativa, assim como, evolutiva e construtiva. Todo aquele que escreve como um produtor de memória é um leitor nestas vertentes, ele é o primeiro a ler o que escreve, por vezes mesmo antes de utilizar os códigos simióticos. Angelo de Jesus Bonfim, mas conhecido artisticamente como Aíto Bonfim é um escritor que se revê cautelosamente neste âmbito, onde a tragédia e a comédia se evidenciam numa aguarela pesada de substantivos e adjectivos. Na esfera crítica indentitária, bem como no ângulo formativo e num patamar superiormente educativo, ele constroi as suas mensagens que se distinguem no plano literário como tragédias. As tragédias muitas vezes andam coladas às comédias, por isso ele, o Aíto, flutua entre a Tragédia e a Comédia. Uma leitura transversal sobre o seu último livro “A LÁGRIMA ÁUREA DO MAL” suscita essa interpretação, que neste caso, recomenda a leitura de outras obras do autor para se entender esta última.

1- Introdução

No parque lliterário santomense assinalado pela divulgação cultural autóctene desde o passado colonial até aos nossos dias somam-se algumas dezenas de escritores que não ultrapassam a uma centena. Dos escritores de pós-indpendência como Jerónimo Salvaterra, Inocência Mata, Conceição (São) Deus Lima, Albertino Bragança, Frederico Gustavo dos Anjos, Rafael Branco, Armindo Vaz de Almeida e Aíto Bonfim, são uns reveladores de pensamento da nova geração na criação da cidadania e, constituem um facto enquanto produtores de obras de espírito, como se costuma dizer na gíria, referindo-se a literatura. Estes e outros operadores que podemos listar para engrossar o número, talvez atinjam uma vintena  de artistas na construção da nova República, mesmo se incluirmos no grupo, investigadores como Maria Nazaré Ceita, Carlos de Espírito Santo Benén, Carlos Neves, Armindo de Ceita do Espírito Santo, que palmilham sectores de História, Economia, Antropologia e Sociologia.

Assim como a República Democrática de S. Tomé e Príncipe como país é ainda um Estado/Nação na aurora da sua construção, também desta forma os valores que sustentam a solidificação do património nacional imaterial, através de vários operadores no domínio da música, da pintura e sobretudo da literatura como forma de registo de memória, também as correntes são incipientes, ao ponto de no caso da literatura, verificarmos que cada escritor é uma ilha fechada em si mesmo. Embora possamos parcelar escritores em grupos por períodos, como escritores da era colonial (onde teremos a presença de portugueses participantes como Sun Marky), escritores do período da resistência e os de pós independência e, se quisermos, escritores da revelação da Segunda República, não encontramos a profecia de um estilo ou de uma corrente literária professada por grupo de escritores.

O fenómeno, ou a situação não nos conduz a ser radical também assim, porque entre a malograda Alda Graça Espírito Santo e a poetisa Conceição Deus Lima, encontramos a mesma voz fulgurante na poética que envolve todo o enredo estilístico das suas obras, que coloca acento tónica não na rima e na métrica, mas sim no conteúdo e na musicalidade de construção e arrumação de texto poético, connforme argumenta Guimarães Rosa, investigador português radicado na Alemanha ao referir-se aos textos poéticos de Alda Graça Espírito Santo: por um lado temos o protesto do que vai mal e por outro encontramos a procura por um mundo melhor…

Ë por isso que neste âmbito não se pode comparar Conceição Lima com Olinda Beja (uma escritora luso-santomense) ou com Inocência Mata (uma académica de mérito e punho que se situa mais no âmbito de de estudiosa e crítica literária) ou se quisermos ainda com Jerónimo Salvaterra. O Salvaterra então quase que se revela como um escritor sem rosto por tentar querer explorar diferentes vertentes literárias (poesia, contos…) enquanto a Conceição Lima parece ser muito mais sistémica como jornalista fugaz e poetisa astuta. Qualquer coisa como Aíto Bonfim que influenciado pela formação em Portugal e como jurista de régua e esquadro, parece não se desligar da perspectiva vicentina de transmissão dos seus pensamentos ao público leitor, enquanto um contribuinte da literatura santomense. Valores que apenas encontramos nos textos seculares da Tragédia Marquês de Mântua e Príncipe Don Carloto, ou então Auto de Floripes da ilha do Príncipe. O seu livro A Lágrima Área do Mal é um exemplo neste quadro atípico da literatura santomense.

2- O que é Literatura

Se a História é a agência reitora da Humanidade, a Literatura do ponto de vista universal enquanto manifestação  espiritual desse agenciamento particular, constitui o registo de memórias numa revelação de pensamento através de mensagens onde a criatividade e a erudição se destacam como forma de valorização atrvés da crítica. É através de uma crítica que muitos de nós podemos nos aperceber desse facto que nessa perspectiva de transmissão ou revelação de pensamento, ela é traduzida em mensagens tipicamente épicas, líricas e dramáticas. Deve-se abrir um parêntesis nesta análise qualitativa que estamos a conceber a literatura escrita, ao invés da literatura oral onde estes fundamentos não são tão relevantes.

Nesse plano em diante como que desfazendo as rodelas que envolvem uma cebola, ou ao contarmos camadas da antiguidade de torra de uma árvore velha, vamos destrinçar facetas da literatura como contos, romances, teatro, que tanto podem ser apresentadas em forma de prosa ou de poesia. Isto significa que nas mensagens épicas para qualquer tipo de literatura, os seus autores revelam a nobreza do sucesso dos grandes heróis nacionais através de uma musculatura que ao ser perene ou não constitui referência para toda sociedade e nalguns casos para um continente ou para todo mundo. Ninguém se esquecerá da Cleópatra, do Kankan Musa do Mali, do Rei Amador, ou mesmo do Obama.

No lirismo por sua vez, que é apanágio mais dos poetas do que outro tipo de ecritores de obras de espírito, se tivermos que mergulhar no mar do classissismo, vamos encontrar uma forte obediência a estética e a métrica, a rima e a cadência.  Os autores que se identificam com esta característica imiscuem-se no mundo de paixões amorosas e exaltações patrióticas, revelações misantrópicas ou alegres. No entanto com a evolução do tempo e numa postura de rutura com o classissismo, nos últimos cem anos do milénio passado e tendo em conta a necessidade clarividente de transmissão de mesagens, a poesia passou a ter um forte acento tónico no conteúdo e na musicalidade, do que na métrica e na rima. É assim que não nos podemos esquecer dos momentos altos da luta de libertação nacional onde as poesias de luta mereciam esse destaque. Eis aí o espaço onde podemos colocar Francisco Tenreiro, Marcelo da Veiga, Alda Graça Espírito Santo e, se quisermos Conceição Deus Lima como  fiel seguidora desta última.

Finalmente, neste espaço do que é Literatura para chegarmos a comprender a obra do Aito Bonfim, falta-nos refletir sobre a arte dramática. Na arte dramática que por seu turno refere-se ao teatro que tanto pode envolver todos esses aspectos descritos anteriormente referentes ao épico e ao lírico, vamos encontrar espaço para as tragédias e as comédias. A Tragédia Marquês de Mântua e do Príncipe Don Carloto, o Auto do Floripes ou, mesmo o Danço Congo na sua mímica peculiar, são tragédias clássicas do nosso país, com destaque bastante alto que procuram colocação no lugar de património mundial da UNESCO. Embora a valorização para a conquista deste lugar é mais atribuído  a Tragédia Marquês de Mântua, as outras duas manifestações merecem alguma consideração. Se o Auto de Floripes existe mediante um texto material escrito, a suplicar que não haja extinção da sua espécie, por ser exclusivamente do Príncipe, o Danço Congo vivendo maior resitência, tornou-se únicaa e exclusivamente santomense com a crioulização evidente, porque é uma tragédia produzida através de uma mímica que, mesmo nos dois Congos parece não existir mais uma exibição que se aproxime a manifestação santomense.

Como a Literatura é também um instrumento de construção da cidadania, por isso neste quadro vamos encontrar vários mecanismos de moralização da sociedade, nomeadamente através de comédias e sátiras. Só através desse percurso todo descrito acima seremos capazes de ter argumentos para interpretar a recente obra de Aito Bonfim, A Lágrima Áurea do Mal.

O perfil da literatura santomense descrito como uma representação literária nacional formada e a formar-se, onde se encontra retratada deste modo a vida do povo das ilhas de S. Tomé e Príncipe, a sua maneira de ser e estar em diferentes épocas históricas, a primeira vista parece muito subtil, o que na absorção académica revela-se ao contrário, embora entre os diferentes operadores literários não exista uma corrente literária. Talvez seja essa subtileza a razão da sua difícil interpretação e enquadramento para os universidades (e universitários) do nosso país, na construção da cidadania e na dignificação do património imaterial. Por exemplo, se Francisco Tenreiro é considerado negritudista, o que dizer de Alda Graça Espírito Santo como nacionalista, ou então que argumentos levantar a volta de Marcelo da Veiga, Herculano Pimentel Levy e já agora do Aito Bonfim?!

3- Aito Bonfim entre a Tragédia e a Comédia

Fernando Reis, escritor luso-santomense como José de Sousa Marques (artisticamente conhecido como Sun Maky que publicou o emblemático romance Vila Flogá), reportou no preâmbulo de uma colectânea de textos escritos sobre manifestações culturais como a Tragédia Marquês de Mântua, Auto de Floripes e Danço Congo, com o título Pôvô Flogá, o seguinte: “Para uma interpretação etnopsicológica de S. Tomé e Príncipe é indispensável mergulhar na lonjura dos séculos até ao momento que os descobridores, João de Santarém e Pêro Escobar, puseram pé nas ilhas desertas, em 21 de Dezembro de 1470, e a partir daí seguir cronologicamente a sua estruturação social até actualidade. Então podemos também compreender a etnossociologia das ilhas, para melhor interpretação do seu folclore” (Pôvô Flogá, Fernando Reis 1970).

Embora não estejamos a lidar com o folclore em si, esta passagem elucida-nos em grande medida para tentarmos compreender a obra de Aito Bonfim que recomenda para o seu entendimento, a leitura prévia de outras obras do autor, ou mesmo algumas outras obras de autores diferentes e não africanos. Para se chegar a “A Lágrima Áurea do Mal”, obrigatoriamente tem-se que ler “A  Berlinização ou Partilha de África” e “O Suicídio Cultural”, onde o enredo estlístico destas duas obras descreve para a primeira; uma partilha de África após intervenção estrangeira em que potências coloniais fatiaram o espaço africano como bolo e, como na história do macaco juíz, discussões surgiam entre os portugueses, belgas, ingleses, espanhóis, franceses e italianos, por um lado e por outro entre os sobas, feiticeiros e curandeiros autóctenes. Na segunda obra, entende-se uma narração em que os africanos depois de se tornarem independentes, substituiram as potências coloniais, passaram de dominado ao dominador, de vítima ao carrasco. Existe um dado interessante em Suicídio Cultural, pois o protagonista principal da obra é um tal de Kakôlô, que como pessoa existe ou existiu de facto na cabeça e na vivência do Aito, mas como personagem da história teatral, trata-se apenas de uma figura que representa o estado adolescente de África. O Kakôlô de suicídio Cultural, refere-se que a África ainda não se encontrou consigo mesmo, encontra-se numa fase atrofiada de adolescência, ou seja num simples Kakô, falta-lhe o para se transformar em KaKôlo.

No livro A Lágrima Área do Mal, apresentado numa narração diferente das duas primeiras, a descrição é feita num diálogo entre diferentes protagonistas, que na realidade existem na vida quotidiana dos nossos dias, mas no livro são outras pessoas. Por exemplo um tal de Castelo, Zéfe, Benjamim, Menezes, Armindo ou ainda Tózé, eles existem na vida quotidiana no nosso país, mas as realidades não se enquandram com o protagonismo que exercem no enredo estilístico da história do livro ora apresentado ao público. Trata-se de um espaço de dialógo e disputas com o narrador, tudo montado em décuplas que, nalguns casos parecem ser versos, noutros não. Neste espaço convencional literário conhecido como Télanom os grandes protagonistas são os filhos da terra e os dono da terra. É aqui talvez que se recomenda uma leitura colateral de outros livros para se entender esta misantrópica áurea e esta montagem erudita. Digo misantrópica, exclusivamente para este caso do Aito, porque a lágrima não é vertida simplesmente como revelação de tristeza. Muitos de nós choramos, quando recebemos um diploma universitário de graduação, quando vimos nascer um filho, como na obra do Aito a Carla e o Tozé tiveram um enlace, enfim..

O livro do escritor brasileiro Fernando Sabino “O Encontro Marcado” ajudar-nos-á a também entender esse encontro de Aito com os seus amigos que ele inclui como intervenientes da obra, mas que na realidade  são nomes fictícios. Mas o Encontro Marcado sugestivo como material de apoio para entender a Áurea do Mal, está na base do significado que os críticos dão nos nossos dias ao colonialismo que é traduzido como se tratando de um simples encontro de culturas que durou quinhentos anos de existência.

Por outro lado, uma leitura do clássico “A Divina Comédia” do famoso Dante Aligiheri, também leva-nos a entender o Aito que talvez nos quererá dizer que o Mundo está um Inferno, ou melhor, a África, S. Tomé e Príncipe (Téla Nom) ainda não passou para a fase de Purgatório, que fará para atingir o Paraíso. Se com Dante vivemos o Inferno, o Purgatório e depois o Céu ou Paraíso, nós em S. Tomé e Príncipe estamos vivendo um Inferno, torna-se necessário entendimento entre os todos intervenientes, porque atingimos ao topo do mal que só com medalha de ouro, ou seja a áurea do mal nos pode servir de prémio. Ë mesmo maravilhoso, e eis a importância da literatura que nunca é feita por uma só pessoa, num único período da História, assim como não manisfesta uma e única faceta da escola literária.

Numa vivência de pós independência com protagonistas cujos nomes são reais e fictícios ao mesmo tempo, retoma-se uma crítica deliberada sobre o comportamento dos cidadãos num país virtual conhecido por Téla Nom onde a luta entre os Donos da Terra e os Filhos da Terra, parece quase ser uma fatalidade, cuja explicação pretende ser dada por um tipo de curandeiro, que neste caso especial de Área do Mal ganha o nome Astrólogo. Um astrológo que também é considerado como lunático para o Aito, mas não um lunático como costumamos entender na gíria popular que é comandado pelas forças dos astros (ou seja doido), pelo contrário, este lunático astrólogo, é um profissional que lê as supostas indicações dos astros e transmite o futuro aos beligerantes no terreno, conhecidos pelos Donos da Terra e Filhos da Terra. Esse astrólogo aparece em todas essas três obras do Aito (Berlinização ou Partilha de África, Suicídio Cultural e Lágrima Áurea do Mal), ora em forma de curandeiro, ora em forma de advinho, onde a tragédia e a comédia se compaginam numa perspectiva vicentina. O que quer dizer, todas elas podem ser encenadas tipo teatro com sabor a aqueles do tempo do Gil Vicente, cujas amostras adornadas de sentido crioulizante no nosso país, são as Tragédias de Marquês Mântua e Auto de Floripes. O Danço Congo embora não se pareça com um teatro, é na sua essência um teatro que descreve uma história que continua sendo sempre actual nas mensagens que o Aito transmite, num mundo e numa África que se procura transitar da fase de Inferno para pelo menos Purgatório, onde os homens e as mulheres perdoam-se entre si. Embora dentro de um contentamento e resignação possamos dizer que nem tudo está mal assim, ou nem tudo está infernal, esta mensagem do Aito serve-nos como anos atrás do século passado um tal Francisco de Jesus Bonfim, mas conhecido por Faxiku Bêbê Záwa nos serviu por ocasião do massacre de 1953, assinando os seus panfletos: LÊDÊ D’ALAMA S’ÁWA.

4- Conclusão

O acto de escrever rima com a obrigação profunda de ler. Ler não só como consumo do que foi ou é escrito, como também o dever de ler o ambiente envolvente, numa perspectiva identitária e crítica, reivindicativa e sugestiva, informativa e formativa, assim como, evolutiva e construtiva. Aito Bonfim insere-se como muitos dos outros seus conterrâneos que se embrenham nesta espinhosa tarefa de reveladores de pensamento. Ele, o Aito, é um escritor de Tragédias como Baltazar Dias que escreveu os textos da Tragédia Marquês de Mântua ou como aqueles que conceberam o Carlos Magno (Auto de Floripes) e, o próprio Danço Congo. No meu entender o Aito nos seus textos que se afiguram enquadar no patamar de dramas, ele demonstra ter a sensibilidade para explorar o trágico. É assim que ele esecreve(u) as duas Berlinizações (a primeira, Berlinização ou Partilha de África e a segunda, O Suicídio Cultural). Em qualquer delas existe partilha, usurpação e sobretudo a existência de vítima e do carrasco.

A Área Lágrima do Mal parece em certa medida a continuação da revelação do pensamento transmitido no Suicídio Cultural, onde a ideia de Kakôlô, revela a existência de uma África que não se encontrou, não atingiu a sua glória. Embora a área transborde o sentido peculiar de apogeu, de glória, o de idade de ouro de um povo, neste caso aqui, é pela negativa, é áurea lágrima do mal. O choro, ou a tristeza é tanta na disputa entre os filhos da terra e os donos da terra, que merece um prémio: A Lágrima…

Em 1953 Francisco de Jesus Bonfim, mas conhecido como Faxiku Bêbê Záwa, foi um chefe da casa civil de um importante Governador da era colonial, figura incontornável para história geral da República Democrática de S. Tomé e Príncipe, Carlos Sousa Gorgulho. Ele, o Gorgulho, pretendia construir um Porto em Águas Profundas na zona de Fernão Dias, mas só que naquela altura tendo em conta ainda o limiar da ciência e da tecnologia, ele não sabia como levar a cabo essa empreitada, a não ser com o trabalho escravo. A alertar o povo do trabalho forçado, surgia o Faxiku Bêbê Záwa, com textos panfletários assinado; Lêdê d’alame s’Áwa.

Nos tempos que correm e numa situação totalmente diferente, passado pouco mais de cinquenta anos, temos um sobrinho neto de Francisco de Jesus Bonfim, Angelo (AITO) de Jesus Bonfim, jurista de metro e esquadro, assessor jurídico de um dos Presidentes da República Democrática de S. Tomé e Príncipe, que ficará na hiistória da República, porque não há como voltar para trás, ela está feita, está mesmo, quer se enquadre na áurea ou não, porque a história não é feita por uma só pessoa. Trata-se de Sua Excelência Fradique Bandeira Melo de Menezes que entre a excelência e a mediocridade, entre o mal e bem, viu também retomar-se a necessidade de construção de um porto em águas profundas, no mesmo local onde anos antes o Gorgulho quiz construir. Só que neste caso o Aíto não nos diz Lêdê d’alame s’áwa, porque a situação é outra e os tempos são outros, são outros que a lágrima é área do mal.

A Lágrima Áurea do Mal, não é um livro de fácil leitura ….como nenhum outro do mesmo autor que contêm muito folgo e argumento que recomendo os apixonados a lerem e relerem. São ao todo 209 décuplas altamente compactads por uma introdução e conclusão, onde o narrador omnisciente e sentimental, se confunde com o próprio autor, ora erguendo a bandeira das Nações ou da União Africana, ora entoando o hino patriótico exaltando a fecundidade materna em mátria em vez de pátria

Bibliografia

Aito Bonfim, Berlinização ou partilha de África, Artes Gráficas, S. Tomé, 1987

Aito Bonfim, O Suicídio Cultural, Artes Gráficas, S. Tomé, 1992

Entrevista com Caustrino Alcantara sobre a personalidade de Francisco de Jesus Bonfim (Faxiku Bêbê Z’áwa)

Fernando Reis, Pôvô Flogá

Fernado Sabino, O Encontro Marcado

Dante Aligiheri, A Divina Comédia, Tradução de João Pedro Xavier Pinheiro, Versão Digital da Atena Editora, Rua Javaes, 465, S. Paulo, 1955

Klissakli, Cultura e Desenvolvimento, Bgerlinização ou Partilha de África Jornal Nova República, Ano 2 n 64/1993, Terça Feira 27 de Julho

    4 comentários

4 comentários

  1. Porto Real & Sundy

    2 de Junho de 2011 as 16:51

    A Esposa dele a minha Professora, Dra Fernanda escrevia bem melhor.

  2. Sán Fulana...!!!

    2 de Junho de 2011 as 19:32

    excelente artigo senhor escritor, pois é através das criticas tanto positivas como negativas que os homens vao longe.

    a unica coisa que recomendaria ademais é que, ajudassem tambem muitos outros jovens e senhores com menos possibilidades a publicarem livros, isso porque STP é rico de pensamentos e mentes criativas, mas que por infelicidade nao gozam do mesmo bagarito e das mesmas possibilidades que os senhores, dado o mediatismo que os senhores já veem gozando há anos.

    já conheci jovens por esta nossa terra adentro, que embora eu possa ser mae deles, sei que escrevem muito bem, mas nunca tiveram oportunidades. 3 ou 4 deles sao ex estudantes em cuba de nomes hernane costa ,jony cruz, blaise vera cruz…etc. esses rapazes, apesar de escreverem bem, nunca tiveram alguma oportunidade de publicar nada, porque o pais e o centro cultural portugués está virado frente só pra os senhores doctores de terra.

  3. J. Maria Cardoso

    3 de Junho de 2011 as 20:11

    Só lendo com a fúria de alimentar é que podemos deixar cair a muralha presa a nossa cabeça.
    Enquanto faltarem livros nas nossas prateleiras, nada nos escapará da crise que a muito deixou de ser econónica e pior que isso, já é mental.
    Mesmo com tragédias e comédias, o país tem que acordar nas leituras de consumo.
    Bem-haja!

  4. Professor

    28 de Agosto de 2011 as 2:44

    Faltam bons autores e faltam críticos competentes. Lamentáveis resenhas as do Senhor Francisco Costa Alegre. Lamentáveis. E não se trata de uma excepção à regra, este senhor é a regra.

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