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ALBERTINO BRAGANÇA COM UM CLARÃO SOBRE A BAÍA

Os anos eleitorais como o ano de 2011, que são quase todos desde o tempo da mudança em 1990-1991, costumam ser muito escorregadios em termos de pronunciamentos e aparições públicas, pelo que por vezes deve-se conter para melhor entendimento e evitar susceptibilidades, tendo em conta uma certa aproximidade social e familiar que temos uns para com os outros numa sociedade africana, crioula pequena e altamente estratificada.

Por: Francisco Fonseca Costa Alegre

(escritor, investigador e ensaísta)

ALBERTINO BRAGANÇA

COM

UM CLARÃO SOBRE A BAÍA

Os anos eleitorais como o ano de 2011, que são quase todos desde o tempo da mudança em 1990-1991, costumam ser muito escorregadios em termos de pronunciamentos e aparições públicas, pelo que por vezes deve-se conter para melhor entendimento e evitar susceptibilidades, tendo em conta uma certa aproximidade social e familiar que temos uns para com os outros numa sociedade africana, crioula pequena e altamente estratificada.

O texto em análise que ora vos apresento, deveria ter sido tempestivo, mas só o faço agora para cumprir com a minha obrigação de cidadania. É desta forma que agradeço a todos quanto me têm enchido de elogios e conselhos nas minhas abordagens literárias. Aproveito este palco para solicitar, quando for necessário aconselharem-me a melhorar e melhorar muito mais este exercício, numa mera competição com os meus pares nacionais e, sobretudo com outros de outras paragens. Bem Haja meus caros! A luta pela nobeza das nossas acções, continua…

Hoje eu convido-vos a ler a obra do escritor santomense Albertino Bragança publicado em segunda edição “Um Clarão Sobre a Baía”. O autor publicou também este ano um outro livro tido por “Aurélia de Vento”, sabendo a romance. Mas, eu optei por conduzir-vos a uma leitura do anterior para vos revelar que pouco a pouco começamos a ter escritores sistémicos (para utilizar a expressão da Professora Doutora Inocência Mata), ou seja, escritores com rosto, como são os casos de São Deus Lima, Aíto Bonfim e o próprio Albertino Bragança…

1- Introdução

Existe um grande clarão que ilumina o planeta Terra em cada vinte quatro horas como consequência do seu movimento de translação e rotação no quadro do sistema solar.  Esse clarão chama-se Sol, o astro rei do nosso mundo, o sinal número um de mudanças e o prelúdio constante de progresso e retrocesso.

No entanto cada ser humano é iluminado por outros diversos clarões que marcam as suas vidas nas mais diversas e reconditas latitudes e, em diversas formas. Na oscilação pendular do tempo entre o começar e recomeçar perpétuos, S. Tomé e Príncipe foi iluminado por diversos clarões em diversos locais.

Um dos locais que marcou muito a história das nossas ilhas, considerando o efeito de diversos clarões que o iluminaram, é a Baía de Ana Chaves na cidade de S. Tomé. Albertino Bragança captou com a sua objectiva escrita uma das imagens iluminadas por um clarão que ultrapassou a Baía de ponta à ponta como que intersectando as duas ilhas e os seus ilhéus adjacentes, ou seja o jovem país nascido a 12 de Julho de 1975. A objectiva escrita, ou seja o livro que reporta esse clarão, pois se um quadro, uma foto, vale por mil palavras, um livro vale pelo que vale, milhões de quadros. Esse livro dizia, para esta abordagem específica chama-se “Um Clarão sobre a Baía”.

2- Albertino Bragnça escritor e a obra

O Escritor é uma personalidade artistico-literária e/ou científica individualizada ou que se individualiza entre o fascínio da História e as demandas elegantes da Realidade presente enquanto revelador de pensamento e divulgador irredutível do exercício da cidadania em épocas estanques. Assim o Escritor serve-se da língua como instrumento transmissor de vontades e quereres, de identidade e de cidadania, de entretenimento e de aprendizagem.

Se o Escritor se fascina perante a História como forma de se realizar porque ela, repiso a História, é considerada a agência reitora Humanidade, ou então como dizem outros “a História é o progresso e o regresso, ida e volta, qualquer coisa como uma oscilação pendular entre dois pontos irredutíveis, o gasoso e o sólido, o príncípio e o fim”; é porque nas demandas da Realidade presente, situações recorrentes recomendam constantemente uma harmonia com as três dimensões dessa mesma Realidade; o tempo, o lugar e o espaço.

Ainda mais, se a História resume-se a divulgação e ao registo de factos, a Realidade presente costitui a súmula de tudo aquilo que está a nossa volta, o que vemos e sentimos, ou seja o Escritor se faz valer de tudo aquilo que ouve, lê, vê, sente e apalpa, para criar a relidade que ele nos transmite, tendo sempre presente embora no seu exercício por vezes não dê conta disso, as três dimensões da construção literária: o tempo, o lugar e o espaço, que para este caso específico para a obra de Albertino Bragança o lugar seria, seria não, é,  a Baia de Ana Chaves.

Tudo isto para dizer que, para pessoas como eu que se dedicam a um dos aspectos da Poética que se prende com a análise de obras literárias, nadamos num mundo de probabilidades, porque para esse estudo existem sempre elementos co-presentes numa obra que necessariamente teremos que fazer recurso a outros aspectos co-ausentes que fazem ou podem fazer parte de aspectos de valorização académica e criatividade literária. Trata-se de uma operação quase que previsão metereológica que por vezes com elementos de precisão dos nossos dias, há momentos que vai mesmo a calhar, outros há que fica entre “fifty/fifty” e, existem ainda outros momentos em que fica muito aquém, que é muito normal. É uma questão de honestidade intelectual, sinceridade autênctica, agir entre o rigor e a deontologia, suplicando a Deus sempre moderação da língua para o bem da retórica e pela manutenção da paz…

Assim eu avanço, a Baía de Ana de Chaves foi e é um local de referências enormes que nas mentes de cidadãos que partilham os mesmos períodos históricos se revêem nessas referências como sendo um facho, um ngunú, um archote, uma luz  ou em certos casos um clarão do tempo como um miam-miam, ou seja relâmpago (conforme Ekeseni Bragança – Neko ilustra – ilustrador da  capa do livro), que faz com que surjam escritores santomenses perante a agudeza de transmissão dessas evidências, dessas vontades e quereres e, muito mais, deleitam-se na escrita convidando os leitores a reviverem com eles o êxtase.

O escritor vernacular santomense Amadeu Quintas da Graça no seu emblemático poema “Pagá Ngunú” se revê neste quadro. No poema Pagá Ngunú deve-se ter em conta essas três dimensões para se aludir uma interpretação desejada, porque senão pode-se entendê-lo como alguém que se redime dos seus delitos, uma luz perdida no fundo do túnel ou talvez ainda, uma tocha olímpica tal e qual a chama da Patria na Praça de Independência nas noites de 12 de Julho fazendo um clarão sobre a Baía.

Todos os anos na zona de alta Trindade, ou seja Batepá, (onde ocorreu em 1953 o Massacre cujo título é disputado) uma tocha olímpica parte um pouco mais das onze horas da noite do dia 11 de Julho para chegar precisamente às zero horas do dia 12 na Cidade de S. Tomé na  Praça da Independência, mesmo quase no centro da Baía de Ana Chaves. O transporte da chama é feito através de jovens (rapazes e raparigas) que numa correria frenética de estafetas calculadas, como quem ultrapassa anos e séculos, trocando e trocando o referido facho ou ngunú e  chegam ao local onde antes estava plantado num pedestal de cerca de dois metros de altura, a estátua de um dos descobridores portugueses e, acendem uma chama numa bacia larga de betão armado toda ela cheia de óleo queimado (antes era óleo de palma) que ilumina toda a praça como se fosse de facto um clarão sobre a Baía.

Albertino Bragança parece recuperar este facto e outros fundamentos históricos para sustentar o enredo estilístico do seu livro “Um Clarão Sobre a Baía”. Essa baía claramente é a de Ana Chaves como podia ser qualquer outro local na ilha de S. Tomé ou na ilha do Príncipe. Mas sendo o de Ana Chaves, esse clarão pode ser um relâmpago “miam-miam”, conforme a capa da segunda edição sugere, ou pode ser mesmo a independência conquistada em 12 de Julho, enfim pode ser…

A Baía de Ana Chaves como lugar de sonhos e de realizações, de eternas paixões e de tristezas, é um  lugar que nos diversos espaços de tempo foi objecto de muitos clarões que a atingiram, alguns deles clarões verdadeiros que arderam e arderam destruindo armazéns,  fizeram sofrer vidas humanas nas masmorras num local que antes foi a delegação da PIDE-DGS na era colonial e depois tornou-se cadeia dos contra-revolucionários…

Albertino Bragança relendo a história recente do jovem país, traz-nos o facto à memória. Neste sentido, a figura apontada na dedicatória da obra é, Lereno da Mata, um patrióta tão tragicamente desaparecido, na linguagem do autor, assim aproxima-se coincidentemente da figura do Senhor Plácido um dos protagonistas da ficção, preso na cadeia resguardada pelo director dos Serviços da Segurança, Felisberto Valente. Qualquer coisa que talvez o autor estivesse a dizer numa nota introdutória o seguinte: uma possível aproximação de personagens ou da estória dos textos do livro com a realidade, é pura concidência. Aliás, vivemos num mundo de coincidências, pois elas são parte ou mesmo irmãs gémeas da realidade, partindo do princípio como vos disse, a realidade está a nossa volta, somos uma fatiazinha da realidade.

Outros acontecimentos dessa Praça, ou dessa Baía que tanto podem ser os primeiros ou os úlltimos que simbolicamente representaram momentos de alegria ou de elevação do cidadão santomense, independentemente da sua origem social, que são assinalados como clarões, são por exemplo, o desembarque na Praça da Independência (antes Praça Portugal) em 1970 do então Almirante Américo Tomaz por ocasião da comemoração dos 500 anos da chegada dos portugueses as ilhas com 21 tiros de canhões, a declaração da independência em 12 de Julho de 1975 que transformou os colonizados das ilhas de S. Tomé e Príncipe de, dominados em domindores, governados em governadores…., assim como a  manifestação que transformou o regime de Partido Único em Multipartidarismo e, assim por diante…

A Baía de Ana Chaves foi e continuará a ser um lugar de referências para as ilhas e para o povo santomense, considerando que a Baía é parte da cidade e a cidade é espelho de toda ilha, ou constitui o reflexo de todo o país e vice-versa. Qualquer coisa como dizem os próprios pescadores, protagonistas colaterais também argumentados no enredo estilístico da obra, kwá ku plé ká dá dá só téla ká lêsêbê (a terra é o reflexo da praia). É como nos diz Fernanda Cavacas no final do texto que prefacia a obra: a Baía de Ana Chaves concentra em si a luz e a capaciadade de mudar – esperemos que para melhor – o destino do homem santomense.

Para Fernanda Cavacas a obra “trata-se de uma narrativa optimista da vida actual de S. Tomé, onde modernidade e tradição se entrecruzam com naturalidade e com a completa identificação de um narrador que conduz o leitor pelo imaginário de um mundo africano moldado por uma convivência pacífica com o mundo ocidental” .

Fernanda Cavacas na sua leitura e de seguida na abordagem académica, permaneceu simplesmente aqui neste ponto, não se imiscuindo muito nas intricâncias desses dois eixos, o fascíneo da Historia e a Realidade presente que talvez em certos casos não interessa, como também interessa, a criatividade e a valorização artística, se tivermos que considerar as harmonias dessas três dimensões da Realidade presente que fazem parte inseparável das nossas vidas: o tempo, o lugar e o espaço.

No entanto para Izaura Carvalho, que viveu e vive em S. Tomé e Príncipe, partilhou com Albertino Bragança algum tempo, espaço e local de trabalho comuns, talvez conhece essa Realidade presente de que o autor se serviu para em conjunto com os fundamentos históricos brindar-nos com a obra, pelo que ela, a Izaura, introduz-nos no miolo da obra como apresentadora do lançamento da primeira edição para assim nos elucidar:

o autor optou por eleger um narrador ominisciente que nos leva a viajar pelos universos vivenciais das personagens. O nosso torrão africano, a ilha de S. Tomé serve de cenário de intriga principal que se desenvolve entremeada de múltiplos episódios. Nele casa, com equilíbrio e harmonia, modernidade e tradição. Os vícios, a corrupção, o jogo de interesses, as injustiças, a vingança e o machismo têm um lugar de destaque e rivalizam com os valores da família, da defesa dos ideais, da lealdade, da honestidade e da emancipação”.

Com a Izaura Carvalho sentimos antes de ler a obra um cruzamento do passado mais ou menos longínquo de formação socio-antropológica do povo das ilhas com um tempo actual que se moderniza na construção identitária de momento onde se transitou de colónia para a independência.

Se naqueles tempos longínquos quinhentistas da fundaçào da cidade e canonização da Baía, um tal mestiço (mulato não) João Álvares da Cunha chegou a ser governador interino das ilhas, hoje (decifrando o tempo que a obra nos desenha, o de Partido Único), Luis da Cunha um seu parente directo da árvore genealógica querendo ser qualquer coisa parecida, um Comissário Político de Mé Zóxi, ele envolve-se em actividades de bruxaria; essa actividade  sincrética religiosa que não é só desse tempo e desse lugar, é oriunda de não sei aonde, talvez segundo a memória escrita, provém mesmo do tempo da famosa Ana Chaves dona desse lugar querido, como nós todos crioulos iluminado pelos  clarões distintos.

No entanto, se Rafael Branco no seu llivro “Makuta lá na Roça” levanta o conflito social entre os forros e os gabãos (angolanos, moçambicanos e outros contratados africanos das roças), numa reclamação de que os forros na era colonial foram tidos de superiores na pirâmide social, Albertino Bragança revela um outro conflito entre forros e cabo-verdianos da mesma pirâmide, já mesmo depois da independência, pois na era colonial os cabo-verdianos perante os forros eram considerados superiores, porque segundo os colonos os forros eram vadios, ladrões e preguiçosos.

Por isso o Luís da Cunha entre a competência legal evidente de um seu adversário caboverdiano ao posto de Comissário Político de Mé Zóxi, só via uma mão mágica de Deus e/ou de deuses, de padre e/ou de bruxos e curandeiros para o acudir. Por isso é que ele ao pensar agir legalmente foi pedir primeiro auxílio de um tal padre Abel vindo do Brasil e pároco da Igreja da Conceição, para lhe fornecer uma oração para embrutecer o dito caboverdiano. De notar que embora Luís da Cunha fosse um assíduo cumpridor das normas religiosas católicas, não faltando a missa aos domingos, isso não seria trunfo para um tal pedido ser aceite e, enfim, para valorizar a estória do livro e dignificar a profissão dos agentes de Deus na terra, o padre Abel recusou o pedido, humilhando o Luís da Cunha, recomendando ao sacristão de que ele fosse expulso do recinto da sacrestia. É assim que ele faz recurso a um  curandeiro na zona da Trindade com ajuda de um amigo.

Como se pode ver a ambição pelo poder como um direito que é muito normal, por vezes cega ao transformar-se em gula, quando se quer atingí-lo, tudo serve para se subir ao pódium. É ao invés qualquer coisa como a defesa dos ideais que a Izaura Carvalho também levanta na sua apresentação da obra de Albertino Bragança, aludindo implicitamente a figura do senhor Plácido que acusado de conspirar contra o Estado, morreu baleado na cadeia. Quantos dos nossos antepassados ( forros, gabãos e caboverdianos, angolares e mestiços, ou mesmo brancos) não tombaram nas matas de cacau, no massacre de 1953, ali mesmo na Baía de Ana Chaves e noutros momentos e locais, por causa dos ideais da liberdade?! Quantos?! Os nossos ideais morrem connosco e, muitos dos clarões que iluminam a baía das nossas vidas é fruto de defesa dos ideais.

Sua Reverendíssima o Bispo da Diocese de S. Tomé e Principe que fez a apresentação sucinta da segunda edição da obra na Biblioteca Nacional no passado dia 29 de Junho, ao nutrir das intervenções de Fernanda Cavacas e da Izaura Carvalho, concluíu que os textos de Bragança transmitem a adoração dos povos do mundo perante os três deuses; o deus do ter, o deus do poder e o deus do prazer. E esse comportamento não é só desses tempos como de anterior a nós, onde a luta pelos valores da família, a lealdade e a honestidade, a justiça e os ideais tornam estandarte…desde que como pecadores que somos nào ultrapassemos a linha limite invisível de bem e mal…

…Como estão a verificar, existem elementos co-ausentes na estrutura construtiva de uma obra literária, plástica, arqitectónica, (mas sobretudo literária que é este caso do Clarão Sobre a Baía) que fazem parte da memória colectiva de uma região, de uma comunidade ou, mesmo de toda humanidade, como estes apontados pelo Bispo da Diocese de S. Tomé e Príncipe.

Neste sentido, com a minha leitura pessoal da obra de Albertino Bragança, eu cheguei a conclusão uma vez mais sobre aquilo que disse aquando da apresentação aos leitores da obra do Aito Bonfim, A Lágrima Áurea do Mal:

O acto de escrever rima com a obrigação profunda de ler. Ler não só como consumo do que foi ou é escrito, como também o dever de ler o ambiente envolvente, numa perspectiva identitária e crítica, reivindicativa e sugestiva, informativa e formativa, assim como, evolutiva e construtiva. Todo aquele que escreve como um produtor de memórias é um leitor nestas vertentes, ele é o primeiro a ler o que escreve, por vezes mesmo antes de utilizar os códigos simióticos”.

Da minha parte, ainda jogando na probabilidade como vos disse, eu penso que o autor Albertino Brangança como investigador amador e nacionalista que já deu provas disso ao propor junto dos seus pares da Assembleia Nacional enquanto deputado, o reconhecimento do dia 22 de Abril como o Dia da Cidade de S. Tomé e o dia 4 de Janeiro como o Dia do Rei Amador, parece-me que ele leu e releu os textos de Raimundo José da Cunha Matos assim como, o livro de Arlindo Manuel Caldeira que se refere a origem, a vida e a descendência da famosa Senhora Ana (de) Chaves, o ícone da tão apixonante Baía e de outros lugares mais.

Ainda mais, quando o autor se serve do texto do trecho musical de uma das bandas musicais famosas dos nossos dias o “Conjunto Sangazuza” escrito pelos punhos do compositor José Bruêtê (seu irmão), relatando:

Sum Binu Dóxi só fadá nom /Mina Kia tom’messê homen/ Padgim na podá kumá ku fiada-fa Mandjan palí ku fiadu dê / Tiu flogá ku kwadá/ Padê lê missali wê dêcê /Demónó dá Dêsu flokadu n’ósé /Mandá ku mundu nom bila axi-ê

Tomamos consciência neste texto de Bruêtê dos três deuses que sacrificam os homens e estão presentes no deslize a extravagância,…

4- Conclusão

O escritor Albertino Bragança revela-se junto dos seus pares mais próximos e de outros ainda, ser um bom contador de estórias. O facto se destaca nos seus livros tornado público, “Rosa de Riboque e Outros Contos”, “Um Clarão sobre a Baía” que ora analisamos, assim como “Aurélia de Vento” que em breve convidar-vos-ei a reler comigo o seu enredo.

Seguindo ele o paradigma de ser, uma personalidade artistico-literária e/ou científica individualizada ou que se individualiza entre o fascínio da História e as demandas elegantes da Realidade presente enquanto revelador de pensamento e divulgador irredutível do exercício da cidadania em épocas estanques;

Respeitando as três dimensões da construção literária, o tempo, o lugar e o espaço, vectores invisíveis que sustentam qualquer obra de arte:

Não há como classificar Albertino Bragança escritor da nova geração de artistas com a explosão propiciada pela Segunda República onde a liberdade tornou-se um clarão que iluminou a vida de homens e mulheres, sobretudo mulheres que na sua luta pela igualdade utilizaram primeiro o termo emancipação, como Izaura Carvalho se refere no texto da sua apresentação, e só depois muito recentemente a idéia do gênero, não um tal Sun Géneru sapateiro de Boa Morte, mas sim género mesmo, como se o gênero fosse exclusivamente feminino…fazendo parte de um dos objectivos do milénio

Quem fala de género fala de outros direitos iguais entre os cidadãos santomenses independente da sua origem, familiar, social, étnica ou religiosa, a serem, padres ou médicos, comissários políticos ou parlamentares. O Clarão da independência e o raiar do multipartidarismo forrizou toda gente: todos estão em pé de igualdade, até mesmo a concorrerem a lugares cimeiros, na Primatura, no Parlamento e como é óbvio na Presidência da República.

Por exemplo, no dia 27 de Abril de 1996, Alda Bandeira Vaz da Conceição, uma figura proeminente do Partido de Convergência Democrática (PCD), anuncia a sua candidatura ao mais alto cargo da nação, Presidente da República, enfrentando na corrida o então Presidente Miguel Trovoada. Na corrida ainda estavam os ditos tubarões como, Pinto da Costa e Carlos Graça que quase não davam margem para a participação do jornalista Armindo Tomba que decidiu testar a tendência do eleitorado. Para a então Ministra dos Negócios Estrangeiros, Alda Bandeira,  foi uma decisão não muito pacífica para o mundo da mulher, mãe e esposa, a ter que enfrentar uma sociedade em que nem mesmo as mulheres estavam dispostas a arriscar uma presença feminina na Presidência da República. Naquela altura embora seja muito recente, ainda não se abordava o conceito de género que se tornou moda nos nossos dias. Hoje ainda na espreita da luz desse clarão, duas mulheres concorreram ao lugar da Presidência da República (Elsa Pinto e Maria das Neves), testanto se a sociedade já está preparada para aceitá-las, sobretudo as próprias mulheres como elas que são a maioria…..

Um facto ainda muito importante a assinalar com o clarão da independência, o clarão do multipartidarismo, ou o da liberdade como defendia o Senhor Plácido na obra de Bragança, é que ele iluminou muitos santomenses como na história do nascimento de Jesus Cristo os Três Reis Magos a caminho de Belém. Em S. Tomé e Príncipe esses clarões quebraram as correntes dos portões que vedavam as Roças e os  luchans, mantendo uma distância entre a cidade e o campo. Com este quebrar das correntes e derrube de um murro invisível de separação social entre a cidade e o campo, fez com que tudo e todos partissem em direcção a cidade a procura do CLARÃO numa enchente preocupante ou mesmo desafiante, perto da Baía constituindo sinais do tempo a procura de outros clarões iluminando os nossos destinos.

Finalmente eu termino com a frase que o autor me brindou autografando o seu livro em segunda edição: “Francisco Costa Alegre, eu desejo que o Clarão chegue mesmo a cair sobre a baía e nos ilumine os destinos

Assim seja! Somos nós que damos valor as coisas e as imortalizamos….em defesa dos ideais. Esse é o papel do Escritor.

BIBLIOGRAFIA

Bragança, Albertino, Um Clarão sobre a Baía (segunda edição), tipografia Lousanense Lda, Março 2011

Bragança, Albertino, Rosa do Riboque e Outros Contos, Artes Gráficas S. Tomé…

Caldeira, Arlindo Manuel Mestiçagem, Estratégia de Casamento e Propriedade Feminina no Arquipélago de S.. Tomé e Príncipe nos séculos XVI, XVII e XVIII, pp 49-71

Lima,Conceição, Poesia, A Dolorosa Raíz do Micondó, Editorial Caminho, Novembro de 2008

Mata, Inocência, Emergência e Existência de Uma Literatura, Lisboa 1995

Texto da apresentação da segunda edição da obra da Sua Reverendíssima Bispo da Diocese (Don Manuel António)

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    psiu! Responder

    nao perderei meu tempo lendo tanto palavreado. resuma por favor.

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      Mento Muala Responder

      Somos tão atrasados mentalmente que dá vergonha ser santomense.A preguiça é tanta que até umas linhas cansa.
      MUDA ESTA MENTALIDADE

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    lino Responder

    és um ignorante!

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    Rio de Ouro Responder

    Devemos ter mais respeito pelo trabalho de outrém. Quem não quiser ler, tudo bem, mas chegar ao insulto é completamente desnecessário.
    Devemos agradecer quem é capaz de fazer alguma investigação sem qualquer financiamento e, partilhar com os seus algo que vão descubrindo.
    Obrigado Sr. Francisco Costa Alegre.

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      mel criolo Responder

      Tambem concordo….

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    Gui Responder

    O cara ja é feio pra caramba e ainda por cima vem com esse texto pesado pro dedéu? Me poupe! Ai que soneira!!!

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    Abilio Neto Responder

    Caro Francisco Costa Alegre,

    Agradeço-lhe a profunda e contextualizada leitura crítica.

    Lembro-me de ter recorrido a esta citação quando terminei de ler (há 6 anos) a 1ª edição da obra:

    “É sempre mais interessante contar com interpretações politicamente incorrectas que correctas, porque aquelas são capazes de questionar com eficacia os mitos dominantes.”

    Stanley G. Payne.

    Abr.,

    An

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    Edjelson Luis Responder

    Preciso de um grande favor. Alguem pode me dizer aonde posso aranjar o livro q tem o conto: Mento Muala Cozinheiro.???

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