“Memórias de um nacionalista sui generis”

É o título do livro de Carlos Graça, lançado em São Tomé na última semana. O antigo Primeiro-ministro, que tomou parte nos primeiros momentos da fase organizada da luta de Libertação Nacional, relata no livro as memórias dos momentos e fases determinantes desde a luta pela independência até a instauração da democracia pluralista.

«Se não digo a minha verdade, abertamente claramente, não vale a pena escrever», Declaração de Carlos Graça no lançamento do Livro Memórias de um Nacionalista Sui Generis.  O autor do livro que decidiu abrir as verdades em torno da vivência e convivência entre ele e os demais nacionalistas são-tomenses, na fase da luta pela independência nacional, assim como no período de mudanças para a instauração da democracia pluralista, diz que é o primeiro dissidente da ditadura marxista-leninista que se instalou após a independência nacional em 1975.

Um livro que segundo Carlos Graça, pode relançar conflitos do passado. «Vamos criar provavelmente com este meu livro, algum reacender de alguns conflitos que tivemos no passado. Mas eu acho que não o podia fazer de outra maneira. Acho que não é prejudicial em termos democráticos, que se torne a debater situações conflituosas que nós tivemos», pontuou.

Com frontalidade e realismo, o antigo Primeiro Ministro, descreve a fase da luta de libertação nacional, realça os conflitos e divergências que se instalaram no seio dos nacionalistas, recorda que como dissidente do regime marxista – leninista que se instalou no país, foi condenado à revelia pelo Tribunal de Actos Contra Revolucionários à 24 anos de trabalhos forçados sob acusação de preparar uma invasão do país com mercenários a partir do Gabão.

Carlos Graça, que nasceu em 1931 no bairro da Estrela em Lisboa – Portugal,  foi também Presidente do MLSTP e foi o mentor da adesão do partido à Social-democracia. Foi durante a sua presidência de 1990 à 1996 que o MLSTP passou a designar-se Partido Social Democrata. Em 1996 concorreu as eleições presidenciais e sofreu pesada derrota.

Desde 2006 que se afastou da vida político-partidária activa. Agora escreveu um livro de memórias, que contribui para melhor compreensão do presente político, e que pode  lançar debates e reflexão para projectar o futuro.

Abel Veiga

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    Fijaltao Responder

    Espero que este livro seja um Best-Seller de memórias e clivagens que existiram no passado sem deixar de mencionar a sua participação em luta clandestina Junto a ex Frente de Resistência Nacional de S.Tomé e Príncipe, hoje FDC(Frente Democrata Cristã), os seus participantes, convivências políticas e outros incidentes de então! Se o não mencionar neste seu livro de memórias, será para resto dos viventes da luta antí comunismo de então um falso livro! Estou para ver, ler e reler a história!

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    J. Maria Cardoso Responder

    Alguém, por escrito, havia de ser o 1º a espalhar a brasa para o país colectivo. Parabéns Dr. Carlos Graça!

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    josé castelo branco Responder

    Bem, se falaste mal do pinto é porque nao estás satisfeito como “tacho” de conselheiro que ele te deu. pois só pode ser ele quem te mandou prender naquele tempo. quem mais?

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    Lagartixa de Almerim Responder

    Onde é que se pode comprar o livro?

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      Voz da razão Responder

      Acho k é na mediatéca do BISTP.

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      Voz da razão Responder

      Valeu Dr.Carlos Graça. É isso que nós precisamos. Que os mais velhos e os mais experientes deixem ficar os seus testemunhos para os mais novos. Para além de livros, que os outros dêem também conferências, que reúnam com jovens nas universidades e transmitem-lhes os seus saberes como faz por exemplo, Dr. Mário Soares, Pres. Joaquim Chissano, Pres. Pedro Pires, Pres. Nelson Mandela entre outros.

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    Rio do Ouro Responder

    Afinal a nossa “Velha Guarda” não está moribumba. Espero que os outros sigam o exemplo.
    Bem haja ao Dr. Carlos Graça.

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    Francisca Cara Linda Responder

    Hummm… preparando a candidatura!?

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    "Nós por cá e a nossa maneira" Responder

    …espero que não esgote e sobre um para mim…..

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      "Nós por cá e a nossa maneira" Responder

      ps:.. obrigado Sr. Dr. Carlos Graça, por mais este legado ao país, que bem precisa de gente com coragem…

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    Santosku Responder

    É bom que de facto conheçamos a história deste e aguardamos outras histórias que servem de testemunhas e registo.

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    maria chora muito Responder

    Ainda bem que se apelidou de “SUI GENERIS”. Ele fez parte do nucleo duro regime pintista e dos camaradas e agora quer aparecer como um grande democrata.O comentario sobre o livro vira posteriormente, sobretudo as afirmações escritas que ele instigava sempre o Albertino Neto para dar um golpe de Estado ao Pinto da Costa. Não é em vão que ele foi condenado pelo Tribunal Revolucionario.

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    Trinta Mil Barris de Petroleo Responder

    são de todo o modo louvavel. Não ha nada inutil, porque até como exemplo serve.
    Cobardia politica, livros na ultima hora como cartada, “duque de Paus”!
    Foi assim que o CLSTP nos ensinou, O PAICG com a morte de Cabral, Etc, Etc. Samora outros. Conflitos de interesse, tudo menos a coesão, concordia e o bem comum. Queria ler o livro, espero que não esgote tão cedo como o de Jose Vicente Lopes, sobre o A. Pereira de Cabo Verde.
    Tlabá só ca da Té!

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    joana costa Responder

    Ainda bem que o senhor Pinto da Costa está no poder. Esse Carlos Graça deverá ser julgado pelas declarações feitas no seu livro. As infracções cometidas são imprescriptiveis, isto ainda não prescreveram. Força o Prurador Militar e o ministério publico. Convidam o homem a prestar declarações.

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    Nando Vaz (Roça Agostinho Neto) Responder

    Mais uma razão!..

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