“África Negra” a lenda cultural de todos os tempos

A cultura é o modo específico de sentir, pensar e agir de sociedades e comunidades, ou melhor, é o modo de sentir, pensar e agir de uma sociedade diante de situações e desafios da existência e de possibilidades de superá-los; a cultura também pode ser pensada como identidade nacional.

Voltemos á década de 70, quando um grupo de jovens santomense decide dar voz aos seus hábitos culturais. Com instrumentos musicais deteriorados, criou uma banda que batizou com o nome do continente que é o berço da humanidade: “Africa Negra”. (foto 1)

“África Negra” conquistou pouca aceitação por parte da população. A banda viria a conhecer uma reviravolta na década de 80, a África Negra adquiriu um estilo e conquistou a população e o mundo.

O vocalista principal, João Seria, embora não tivesse sido o fundador da banda, ao som do baterista Olinto, do solo do Imídio, do baixo do Pacheco, dos ritmos de Leonidio Barros, António e Dio, cantou, dançou e encantou São Tomé e Príncipe, Angola e Cabo Verde; deixou a África e o mundo de queixos caídos. (foto 2)

Os sons das guitarras são melancólicos e capazes de acalentar a alma dos mais desesperados. Aliás, conseguir bilhetes ou tirar um pé de dança nos fundões (terraços) onde atuavam os “África Negra” eram tarefas difíceis devido a moldura humana que perseguiam a banda.

Relíquias como “Aninha”, “Maia Muê”, “Carambola”, “Alice”, “Não Senhor” e muitas outras constituíram um leque de repertório que, até aos dias de hoje, é uma presença constante nas grandes festas.

A emigração, nos finais da década de 80, servira como mote do declínio desta banda que representa hoje, património músico e cultural de São Tomé e Príncipe.

Atualmente, os únicos vestígios da banda são os seus músicos que a emigração deixou em lugares diferentes. O grande solista Imidio Vaz que, para muitos, foi um dos melhores de África dos anos 80, encontra-se em São Tomé e faz de moto-táxi como o seu modo de sobrevivência, o baixista Pacheco reside nas terras de morabeza, Cabo Verde, e os outros elementos encontram-se espalhados pelo mundo em busca de melhores dias.

Encontrei, em Portugal, um personagem e com ele reescreve a história: Leonidio Barros, que nos anos 80 ainda miúdo, encantava o mundo ao som da viola com os ritmos da África Negra, emigrou para Portugal nos finais da década de 90 à procura de melhores condições de vida. Criou uma banda e, nas noites frias de Lisboa, nos cafés e nalgumas discotecas, mata saudades não só dos da “África Negra” mais também dos outros êxitos da música santomense. (foto 3)

O som da guitarra do Leonidio faz com que muitos emigrantes, por alguns momentos da vida, esqueçam o stress da crise e do frio, e vão indo nas levas dos êxitos da “África Negra”.

Os cabo-verdianos gesticulam com a cabeça, os angolanos dançam o “capitula”, e os santomenses vão dando as famosas passadas dos fundões.

Para Leonidio Barros, “África Negra” faz parte do seu dia-a-dia; e a banda simbolizam também muitos momentos feitos de histórias e de alegrias que nunca mais lhe sairão da mente. (foto4)

As músicas da ”Africa Negra” são inextinguíveis e, por mais estranho que pareça, as autoridades santomenses não fazem nada por esses batalhadores que, muitas vezes, com instrumentos escalavrados produziram sons e melodias que marcarão um relevante momento da afirmação da sociedade e da cultura.

Vimos deputados e governos a defenderem teoricamente a cultura musical santomense, aliás, desde a década de 90, vive um autêntico calvário, mas ninguém nunca decidiu em homenagear esses mitos da cultura lusófona.

É curioso constatar que os angolanos, os cabo-verdianos e os guineenses carregam no sangue não só as respetivas culturas como também a nossa. Com efeito as músicas da ”África Negra”, de Calu Mendes, de Camilo Domingos e de Juca têm merecido uma presença constante nos seus reportórios. Já nos recintos das nossas festas, as músicas nacionais recebem a reprovação do próprio são-tomense.

São as realidades do destino; são as realidades de um povo cuja sua identidade musical e cultural perdeu-se no tempo.

Ainda hoje, há quem acredite que poderemos ter os mesmos êxitos da década de 80. Mas enquanto isso a esperança não morrerá solteira.

Jess Flander

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    Lupuye Responder

    Bem dito. Temos o mau habito de repudiar o que e nosso, a nossa cultura. A nossa musica, a nossa roupa (saia com quimone, lenco…), ate a nossa lingua e, hoje em dia, tida como coisa que nao nos pertence. Os santomenses tem vergonha de falar o “Folo”, tem vergonha de quase tudo o que e nosso. Agora so se ouve o cadance enquanto que a nossa puita, a nossa rumba, a nossa puxa, etc, sao tidas como coisas dos velhos. Ainda vamos a tempo! Ha que haver um trabalho muito grande feito pelos homens da cultura para valorizar o que e nosso.

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    teu tio Responder

    Meu amigo, antes demais os meus agradecimentos pela materia, mas infelizmente este texto contém erros gramaticais insuportaveis. E tem mais, o senhor precisava de fazer mais investigação em relação a materia. Quem lhe disse que o instrumento era deteriorado? Gostei da ideia mas não gostei do seu texto.

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    budu badjana Responder

    meu amigo teu tio eu gostei da matéria. o que o jovem disse é verdade. o seu comentário é mesmo de quem perdeu a identidade cultural, conheço muito bem o autor deste artigo e posso lhe garantir que é um verdadeiro santomense. faz depois critica.

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    Mamadou Trindade Responder

    Um menino de sete anos perguntou ao seu avo
    -Avo,porque que a Babilonia nao mais existe?
    e o seu avo lhe respondeu:
    -A Babilonia nao mais existe meu filho porque o Homen esqueceu a sua historia.
    Este pequeno ditado “Africano” remete-nos para uma realidade um pouco incomun no “mundo dos mortais” porem facto comprovado em muitos paises,aonde Sao Tome e Principe infelizmente nao e exessao.Falar de cultura e falar da continuidade e da fraternidade de um povo,e falar da mente de uma geracao,um povo sem cultura e comparado a uma “corpo sem alma” algo (inutil em suma).Os exemplos da guerra tribal no Congo,na Nigeria ,no Amazonas entre outras regioes do globo e uma prova viva de como a cultura e de valor relevante para uma nacao-fazem guerras,lutam entre si cometem astrocidades porque nao querem perder o seu habito,nao querem submeter aos costumes(culturas) dos outros.
    Noa constituira este pequeno exemplo embora um pouco arripiante uma licao para nos?Comecemos hoje e agora a valorizar o que e nosso antes que amanha seje tarde demais.

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    angelo torres Responder

    Estou farto de contar esta historia. No ano de 2004 fui convidado para assistir um festival de cinema na Finlândia. No dia do encerramento do festival, depois dos salamaleques oficias que só servem para mostrar a fatiota e os vestidos de noite. Fui convidado por um dos anfitriões para ir a um local mais animado. O sitio da “movida” daquela época, e talvez ate hoje. Nunca tive tanto orgulho em ser santomense, quando me chamaram de mentiroso por dizer que “Carambola” do Exm. Sr. General João Seria e os Africa Negra eram do meu pais. Pena não darmos o devido valor ao que é nosso. Muitos países gostariam de ter um showmem da dimensão do nosso General. Muito João Seria para pouco São Tome e Príncipe. As viagem por este mundo fora de muitos dos nossos dirigentes devia de ser feito pelo nosso General, acreditem que traria mais proveito ao pais. Um bem haja ao Sr. João Seria, não me importo de passar por mentiroso por alguém do seu gabarito.
    Angelo Torres

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    Mira Cardoso Responder

    Em 2009 vi um espetáculo, não da banda em si, mas com o João Seria na cidade de Assomada, aqui em Cabo Verde, e fiquei maravilhada com o poder de presença e a performance que emana desse senhor. As pessoas na platéia não resistiram ficar sentadas e se jogaram todas na pista a dançar ao som que, na minha opinião, melhor caracteriza o povo das ilhas do Equador.

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    Cidadania Responder

    Sou Caboverdiano e adoro a música dos Africa Negra. Gostaria tanto de poder aprender alguma coisa com o Baixista Pacheco! Como e onde poderei encontra-lo aqui em Cabo Verde?
    Ajudem
    F

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      jess flander Responder

      manda-me o seu e mail cidadania.

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    Santomense Responder

    Todo Pais tem ministerio da Cultura. Africa Negra, assim como outros grupos musicais merecem um reconhecimento pelo trabalho q.fizeram e ainda fazem p/alimentar o sonho decepcionado e o estomago vazio, q. se lhes proporcionam o Governo.Fui membro do grupo {Puxa-Vida}nos anos 80. O tempo passa, e nos tbm mudamos.

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    osvaldo pereira Responder

    bom trabalho Jess Flander

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    Póto Responder

    Meus caros compatriota o agrupamento africanegra fez muito em nome do MLSTP e o Sr Pinto da Coxa nos comício do tempo do partido único enchendo os seus comícios e nada esses fizeram pra o agrupamento, João seria estava esquecido pergunta a ele quem lhe deu título de General ??? Foi espuma cidadão comum, ANGOLA trata o general como se foce filho da terra, tenho uma memória grande desses senhores num festival em luando no cine Karl o vou naquela altura ainda dava pra sair de STP voando de noite ( porque a pista estava iluminada) Eles chegaram 20: 30 em luanda saíram do aeroporto ao local do espetáculo sem fazer o check som entraram pra o espetáculo e cantaram e encantaram eram o cartas do espetáculo . É bonito ver alguém q de uma forma ou outra fez divulgar a nossa cultura assim desse jeito? Hj Santomense ker cantar cu duro, samba e zuky isso tem algo a ver conosco? Quem de direito arranja lá um suicídio pra esses senhores eles merecem

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    Fernando Quaresma Responder

    Em Outubro de 2011 o General João Seria com a sua nova “Banda Fama” representou São Tomé e Príncipe no festival da lusofonia em Macau. A sua actuação foi encantadora, pois, transmitiu com êxito os aspectos da cultura musical sãotomense.
    O General João Seria é sem dúvida o motivo de orgulho da nação sãotomense.

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    Adilson silva Responder

    Meu caro amigo jess Flander, é de elogiar este magnifico post, sabendo que temos jovens que preocupa com a cultura do seu país,onde estiver por isso digo-te caminho faz-se caminhando, não há palavras nem adjectivo para qualificar esta iniciativa força jess flander

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    jess flander Responder

    o senhor que diz ser meu tio, em primeiro conheço todos os meus tios e não é igual ao senhor, porque eles têm algo que o senhor nunca terá carácter.
    nós conhecemos muito bem as tuas atrocidades cá em portugal e n basta dizer que és o meu tio porque n tens o sangue dos veiga

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    Santomé Plodôsu Responder

    Êrros? Talvez aqui ou ali,nada de grande importâcia. O que importa é o sentido do conteúdo.
    A sociedade civil tem que fazer alguma coisa mais, sobretudo aqueles que possuem algum meio económico, porque os governantes só se preocupam com os seus filhos,suas mulheres e pouco mais.
    Quando cada governo chega ao (fim), os dossies são levados com os respectivos titulares para casa. É tudo uma questão de mentalidade, somos muito orgulhosos, mas no prior sentido.
    Somos tb muito invejosos ao ponto de odiar os filhos e os netos daquele fulano tal… e por aí fora.
    Resumindo: Temos que ser mais tolerantes, mais humildes, mais colaborantes e mais amigos uns dos outros. Equanto passamos a vida a passar “rasteiras” uns aos outros, não avançamos e continuamos sempre e sempre na mediocridade.
    Quando cada governo cessa as suas funções deveria ser obrigatório a passagem das pastas e os dossies e passível de punição para quem não o fizesse. Não podemos continuar a brincar com as vidas das pessoas sem que ningém ponha cobro a tamanha barbaridade.
    Saude para todos.

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    mezochi sa gi non tembeten! Responder

    ha um brande reparuh de um equivucu muinto grande. porque cultura, nan se pode dizer que pode ser identidade de um povo! se calhar junto d uma comunidade. porque cultura é moduh de identidade primária de qualqueh povuh! identifica logo uma pessoa e um povo oh um pais tambem!
    este é grand mal de nosso pais… tem que pensa assumih e elevar ja hoje e agora a cultura como forma de identidadi e como lavanca de sustento da unian dos santomenses pa o desenvolvimentuh! toda a cultura santomense de lembah a caueh, de cantagaluh a paguéh de todo laduh di paihs ten que teh sentido cultural, assumih nossa culturah pa denticarmo.nus uns a outro e identificah a esterioh tambem. toda a cultura santomense sen excepsan! nossa ussuah, nosso bulaueh, puitah, nosso ncuzido nosso vin palma caxarambe, nossos frutos, nossa gente, forma de respetah, obejectus de dia dia como cesto gamela etc enfim… tudo qui eh nossuh! efan!
    viva santomeh
    viva principe
    viva todo santomense em geral!
    avante nossaa terraa!

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    mezochi sa gi non tembeten! Responder

    o general juan seriah! granada cantor nosso pa! veculoh muinto nossa cultura este home

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    Bernardino Monteiro Responder

    Ainda pequeno ouvi os ritmos e as vozes de um conjunto musical que marcou muito nao so em africa identificando africa negra deviam ter outro merito patrimonial e cultural,e e com lagrimas que lamento falta de reconhencimento da parte dos nossos governantes em nada fazer

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    Fernando Castanheira Responder

    Enquanto a XINHA se tornou embaixadora como cantora santomense o qaue nao estou a criticar, o JOAO SIRIA ed tantos outros se nao tiverem padrinhos na cozinha, comerao alguma coisa?
    A historia e simples, nao acham?

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    Carlos Jorge da Silva Responder

    Africa Negra tem de voltar. Convido a Todos a um exercício de reflexão e participação para tornar realidade e sustentável esse grande sonho de muitos saotomenses.

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    Cidadania Responder

    Caro Jess Flander,
    Já tentei localizar o seu e-mail, mas certamente por insuficiência minha, ainda não o consegui.Mandei as minhas coordenadas para os contactos do Tela Non mas ainda não recebi qualquer resposta. Não quero perder a oportunidade de aprender com um artista que tanto admiro.
    Assim, volto a pedir, uma vez mais a sua ajuda.
    Abraços da Praia
    F

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    jess flander Responder
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    G Ten Jua Responder

    O nr das canções de Africa Negra mal contadas andam à volta de 120. Canções cheias de melodias,sons arrepiantes, cheias de boas mensagens, maior parte delas em foro e outras línguas. Que eu saiba esses compatriotas nossos não andaram em escolas de música. Está na hora de homegear João Seria, Imídio, Leonídio Barros, Baixista Pacheco e toda a banda Africa Negra.

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    Rafael saturnino Lucas Injai Responder

    Veio assim juntar com vosco sou Guineense de origem sinto me feliz de estar aqui porque a abanda de África Negra quando foi fundado eu não tinha nascido ainda depois de 1980 após minha nascença comecei dançar às suas músicas Como se fosse à músicas são feitas em 2017 nas festas na casa mesmo la em Guiné África Negra encatnta os guineenses … sinto muito por este grupo por dificuldades que estão passar por parte dos anteriores governos são tomenses Glória para os que perderam à vida força para os que ficaram

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