Cultura

RE-DESIGN STP inspira o maior evento cultural de São Tomé e Príncipe a inaugurar este sábado

É a VII Bienal Internacional de Arte e Cultura de São Tomé e Príncipe. Pretende redesenhar a identidade são-tomense, através da expressão artística. Re-Design STP é um impulso de vida que a cultura nacional ganha, resultante da parceria entre instituições angolana e são-tomense.

Antigo entreposto de escravos, São Tomé e Príncipe, foi ponto de convergência de gentes de diversas origens. Hoje pode ser um entreposto cultural, alimentado pelas marcas de vidas geradas ao longo dos séculos.

São Lima, jornalista e poetisa, escreveu o texto curatorial da Bienal. Versos que tocam na alma das ilhas.

Desígnios de expansão e dominação nos panos soltos ao vento, vieram depois as caravelas, desafiando tormentas e adamastores. E, de réplicas do paraíso, as ilhas se converteram em ignóbil laboratório de (des) humanas experiências. Cortados, porém, do seu chão, bastardos da palavra e patronos da voz trouxeram, agarrados às fímbrias do coração, incrustados na planta dos pés, os ecos de perdidos Kwanzas, distantes rios, a potência das suas raízes”.

A VII Bienal Internacional de Arte e Cultura que começa oficialmente este sábado, pretende lançar as bases para o redesenho da cultura e o reencontro do país com a sua nação.

João Carlos Silva, da Fundação Roça Mundo, arquitecto tradicional da bienal foi buscar mais energia num país cujas vozes escravas ecoaram nos séculos passados, na densa floresta são-tomense, Angola.

Fernando Alvim(na foto), membro da Fundação angolana Sindika Dokolo, é o director executivo da VII Bienal. Uma parceria entre instituições angolana e são-tomense, que nos últimos 6 meses fez nascer o redesign STP. « A questão do redesign ficou para tudo. Redesenhar os conceitos, redesenhar os espaços, mais do que redesenhar São Tomé e Príncipe começamos por redesenharmo-nos, porque chegamos a conclusão que não teria sentido propormos redesenhar a sociedade, e não sermos capazes de nós próprios nos redesenharmo-nos», explicou Alvim.

O redesenho das infraestruturas que albergam o maior evento cultural do país de carácter internacional, começou pelo espaço CACAU, que sofreu uma profunda reabilitação, para corresponder ao padrão exigido internacionalmente para eventos desta natureza.   «Os artistas mostram os seus trabalhos para serem vistos, daí investir nas condições de apresentação das obras de arte dos artistas e também para o público», argumentou o Director Executivo da Bienal.

Promoção do colecionismo, é outra prioridade redesenhada para esta sétima bienal. «É por isso que antes da bienal o Carlos Delfim Neves, adquiriu obras dos artistas feitas no âmbito desta bienal. Ou seja, o artista ao fazer fotografia, ao fazer um vídeo de arte, o colecionador antecipa e paga a obra. Vamos ter já obras de artistas são-tomenses feitas recentemente que já tem um proprietário que é um colecionador são-tomense», acrescentou.

Mais de 200 obras de arte de artistas são-tomenses e estrangeiros, exprimem cultura, na bienal. A Fundação angolana Sindika Dokolo, financiou o transporte de 3 toneladas e 600 quilos de obras de artistas internacionais que dão forma artística a bienal. «Com excepção das obras dos artistas são-tomenses, e algumas obras internacionais que são de colecionadores que emprestaram essas obras», esclareceu, Fernando Alvim.

A VII bienal de arte e cultura, é suportada por três parceiros. A Fundação Angolana Sindika Dokolo, a Fundação Roça Mundo de João Carlos Silva e a Fundação Carlos Delfim Neves.

País de traços arquitectónicos singulares, São Tomé e Príncipe, vai mostrar ao mundo os seus valores, num novo espaço. Um antigo armazém que foi redesenhado, para armazenar e partilhar cultura. Localizado na zona de São Gabriel, o novo espaço que nasce para a bienal, alberga outras iniciativas, para além de exposições arquitectónicas. «Criamos também o Cinedoc, cinema e documentário. Uma espécie de festival dentro da bienal. A ideia é que esse projecto se desenvolva fora da bienal», precisou o Director Executivo.

A BIS vai durar 90 dias. Mais de 200 obras de arte serão expostas. Serão realizadas 36 conferências sobre os mais variados temas, 10 mil estudantes de 20 escolas do país estarão envolvidos no programa de educação promovido pela bienal, que deve receber 30 mil visitantes.

Abel Veiga

    4 comentários

4 comentários

  1. Me Pombo

    28 de Novembro de 2013 as 15:26

    Fico feliz por saber que pedras estao a ser lancados para o descobrimento de quem realmente somos no ponto de vista Antropologico, e vai aqui mais um encoragamento a estes cavaleiros que estao dicidos em encontrarem as suas raizes sem poder esperar mao de estado para tudo.
    Boa sorte aos organizadores.

  2. Barão de Água Izé

    29 de Novembro de 2013 as 6:18

    João Carlos Silva e restantes organizadores estão de parabéns!
    Muitos políticos e funcionários do Estado não fazem a mínima ideia do esforço e dedicação aplicados para se realizar esta Bienal.
    Mas e lá vem a Economia, imagine-se o que poderia ser esta Bienal, se tivéssemos um País virado para a produção e exportação (e não para o conflito politico sistemático), já afastado da pobreza generalizada?
    Os agentes privados da Cultura e esta Bienal é um dos exemplos, devem ter todo o apoio do Estado e da Sociedade Civil.
    Muito e bom sucesso para a Bienal!

  3. L.D.

    29 de Novembro de 2013 as 8:42

    Que corra tudo bem.
    Que se vá melhorando sempre, aperfeiçoando sempre.
    Que São Tomé e Príncipe esteja no centro da Bienal.

  4. Martelo da justiça

    30 de Novembro de 2013 as 20:08

    Cá por mim, esse João Carlos Silva daria um bom Presidente de Câmara de Agua Grande, para mudar a imagem da nossa Capital.Vou-lhe fazer essa proposta. Se ele aceitar, vamos criar um movimento de sociedade civil para o apoiar.É claro que os políticos também poderão participar se quizerem. Deixo aqui essa proposta.

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