Cultura

As Canções não morrem

José Aragão assinou alguns dos mais emblemáticos temas do nosso cancioneiro,  autênticos clássicos do património musical nacional. São memória e testemunho de um momento especialmente criativo da trajectória da música são-tomense,  quando o crioulo era expressão e veículo privilegiados da individualidade cultural de uma nação política ainda em gestação.

Como vocalista do grupo Os Leoninos e, mais tarde, como líder e membro-fundador do conjunto Os Úntués, a sua voz tornou-se, para muitos são-tomenses, tão próxima como a de um elemento da família.

Para a posteridade, deixou, entre outras, ‘Leonino fla ê sa pema’/’Os Leoninos são como a palmeira’, na qual transparece já a fina poeticidade que viria a caracterizar as suas letras musicais.

Foi, porém, com Os Úntués que se notabilizou. Os Úntués que beberam do húmus e da verve de Os Leoninos. Os integrantes de ambas as bandas eram oriundos da classe média. Os dois conjuntos tiveram como palco principal o Sporting Clube de São Tomé, referência fundamental da história do nacionalismo são-tomense.

Ávidos do que então se fazia pelo mundo e fascinados pelos ritmos que chegavam então do Congo-Kinshasa, (Franco e TP OK Jazz, Rochereau/Tabu Ley, Kasanda Nico e o Africa Fiesta Sukissa…) aos jovens de Os Úntués caberia desencadear uma modernização da música tradicional são-tomense, insuflando-lhe novas sonoridades com a introdução da guitarra eléctrica, sem lhe desvirtuar a raiz. José Aragão foi a voz dessa revolução.

Composições como ‘Pikina-pikina’, ‘Sama Nanzalé’, ‘Úntué santa zuchi’, ‘Non sa ska vala ni xtlada’, ‘Mino kontentá’, Úntué bô xê zuchi’, ‘Awa ê awa’ fizeram história.

Como fez história ‘mili omé benfé-benfé’ – era a primeira vez que um conjunto  gravava uma composição do género ússua.

‘Ossobô’  exproba um pássaro que expulsa outro do seu ninho, mata os passarinhos e apodera-se do lugar. É uma poderosa metáfora anticolonial, a despertar ecos da densidade apostrófica de ‘Ngandu/Tubarão’, de Os Leoninos.

Ossobô ê/ bô kolê ku munken ni ké/ mat’inem mina dê/ toma ké kwa bô (…) klupa na sa dji bô fa/ punda dêsu da bô pena/ kêsê di kani (…).

Quantos não partilharam a melancolia de Katxibu d’amolê? Ou a festiva trepidação de Awa ê Awa?

Lembram-se das canções? E lembram-se do seu sorriso?

Quem o conheceu sabe que era um sincero romântico que não amordaçava as suas emoções. Esse homem íntegro e rigoroso, cujo sentido de responsabilidade podia ser aferido pela sua infalível pontualidade, quando ria, ria; quando chorava, chorava.

Era um cantor que, ao cantar, nos fazia entrar na emoção que lhe emanava da voz.

 

Mas é preciso dizer mais.

É preciso dizer que José Aragão é a voz que epitomiza o momento em que bandeira nacional foi hasteada a 12 de Julho de 1975.

Ola bandela subli/ /mundu jinga …Ola bandela desê/ dêsê wê ku sota awa wê.(…)

No prolixo cancioneiro da época, nenhuma outra composição terá logrado captar e reflectir de forma tão pictórica e, simultaneamente, tão intimista, o instante único do arrear do estandarte lusitano e do hastear da bandeira nacional na Praça desde então chamada da Independência.

A icónica cançãonão é exuberante, nem conclamatória, nem profética.

O seu profundo lirismo transgride a tónica panfletária tão em voga na altura.

Não há qualquer menção explícita ao colonialismo ou ao movimento de libertação. Há uma bandeira que desce, outra bandeira que ascende. Há o povo em lágrimas e em júbilo.            E a fé no devir histórico:

‘E kuma vedé sé s’uã só/ 12 de Julho flá ê xigâ ê/ punda kwa nguê ê/ sela tlegué mé/punda kwa nguê ê/ sela tlegué mé ê.

Solene e austera, a canção.  Talvez porque José Aragão a tenha concebido como um hino. Como se o cantor, ciente do peso dos desafios vindouros, tivesse querido fixar, sem estridência nem triunfalismos excessivos, aquele momento de irrepetível celebração que nos continua a instigar, qual recado obsidiante.

Porque os hinos não morrem, a canção ficará.

Penso em ti agora, amigo, e digo:

pela tua sinceridade, tua honestidade, pela tua sabedoria mesclada de cidadã impaciência, pelos teus avisos;

pela longa conversa inacabada, pela taça do vermelho vinho sobre a mesa pousada;

pela porta para sempre aberta sobre a Baía;

pela remoçada cadência da ússua, a força do socopé, a frescura da rumba-matacumbí;

pelo tango, pelo mambo, a alegria da valsa;

por tudo o que nos ofertaste, pelo hino à independência…

Obrigada, Zé. Até à última festa.

    29 comentários

29 comentários

  1. Jorge Trabulo Marques

    11 de Fevereiro de 2015 as 8:42

    Sim, as canções não morrem. Concordo com São Lima. Sobretudo quando, como foram (são) as rítmicas e harmoniosas canções dos Úntués, interpretadas por José Aragão, saudosa voz do na qual, em cada uma das suas letras ou versos, há histórias para contar: angústias, sofrimentos, alegrias, sonhos e esperanças – Mesmo pegando nas palavras mais comuns ou triviais, há algo que tocou ao coração e ao sentimento do Povo Santomense – O problema não será tanto as canções não morrerem mas – mais tarde ou mais cedo – acabarem por se ignorar os esforços, as noites perdidas nos ensaios que cada canção levou a criar. E até o seu fidelíssimo sentido. Daí um passo para ficar na memória apenas a letra e o som – Pelo menos enquanto o chamado progresso liberal não vier com novas modas e descaracterizar o que mais de genuíno existe no sentir e na linguagem de um País – Mas oxalá esse dia nunca surja ou tarde a chegar.

  2. Sporting Clube de Sao Tomé

    11 de Fevereiro de 2015 as 9:11

    Homenagem muito sentida e muito bem escrita.

  3. Eliane Oliveira

    11 de Fevereiro de 2015 as 9:27

    Texto emocionante.

  4. Munken

    11 de Fevereiro de 2015 as 10:43

    É preciso preservar o legado de José Aragão através das suas músicas. Ele deixou-nos mas as suas músicas ficaram.

  5. Danilo Santos

    11 de Fevereiro de 2015 as 11:24

    O outro tributo ao meu amigo. Parabens São.

  6. De Longe

    11 de Fevereiro de 2015 as 13:13

    Nos tempos em que as pessoas não se impunham pelo esclarecimeto, em que as razões das pessoas eram atropeladas por um “não sabe com quem está a falar?”, impunha-se a proximidade do poder sobre qualquer razão. Longe do poder, as forças físicas faziam as suas setenças. Nessa altura, em que as discórdias eram violentas e de alto risco, além de ser proibida a entrada de menores nos bailes (fundões, terraços) o controlo era muitíssimo apertado. De vez em quando conseguíamos passar baixados entre multidões, outras vezes “furar no buraco” o que era passar por espaços pequenos descobertos nas falhas das vedações. Assim tive o prazer de esquecer dos polícias que me iam apanhar distraído enquanto olhava para a áurea do ARAGÃO.
    Como é na infância que tudo nos marca mais, ficam cá guardadas as fortes recordações do tempo em que o nosso artista teve a sua influência nas pessoas da sociedade que me fez quem eu gosto de ser.
    A notícia de que tomo conhecimento apenas hoje, deixou-me triste. Fica-me a sensação de estar a ouvir uns versos:
    “Ê sá pena
    Ê sá dôlô
    Sumu nón cá pê bô n´uã cantxin guêguêguê”

  7. Sara

    11 de Fevereiro de 2015 as 15:07

    Djina já sé
    kê migu non, antê ozé ô
    wê non bê bô ka bé
    non nanta bila bê bô fa
    lemblansa sa kloson
    kê migu non nantan ka bla xê fa
    Ê sa pena, ê sa dôlô
    Sun non ka pê bô
    ni kantxin guêguê guêguê.

    • De Longe

      12 de Fevereiro de 2015 as 14:28

      Obrigado Sara.
      Penso que a Sara também já cantou esta canção. O que acho bonito é que a forma como o nosso Aragão a interpretou torna agradável a melodia até para as pessoas que não entendem a nossa língua. Sou muito curioso relativamente à nossa língua e gosto de a questionar com qualquer irmão são-tomense. Aquilo que escreveu “guêguê guêguê” penso que significa “mais ou menos” e nesta canção ao pedir ao Deus um espaço “mais ou menos” é um apelo humilde esperando que o “mais ou menos” de Deus seja de facto bom. Eu notava pelas nossas idosas que havia uma tentência de extrema humildade nos pedidos e grande exuberância na gratidão. Sem alongar para as não gratas excepções, proponho partilhar consigo uma dúvida: Dizíamos “guêguêguê” ou “guêguê guêguê”? Sem saber com quem falo, espero um dia, minha prima (STP) que trauteemos juntos esta canção.
      Horácio Will

      • Lioterio Carvalho

        13 de Fevereiro de 2015 as 8:53

        Começo por agradecer a Sara.
        Quanto a dúvida do Horacio Will, embora não sendo mestre na materia, mas conhecedor da letra, posso lhe garantir que o mais ou menos é guêguêguê. Temos um GUÊ a mais na letra Sara.

        Quanto ao artigo:
        Devo parabenizar a São Lima pela capacidade de passer para papel as ideias.
        Dois reparos:
        «Ola bandela subli/ /mundu jinga …Ola bandela desê/ dêsê wê ku sota awa wê.»

        Penso ser esta a forma correta:
        Ola bandela desê/ êtê wê ku sota awa wê / Ola bandela subli/ /mundu jinga…

        Abraços

        • Horácio Will

          13 de Fevereiro de 2015 as 11:09

          Meus agradecimentos Lioterio Carvalho.
          Espero não me tornar cansativo neste espaço, mas tenho outra dúvida que gostaria que Lioterio, a São ou outros leitores do site me fizessem ter algum entendimento.
          Acham apropriado a forma como pronunciamos na nossa língua a palavra que significa “descer” ficar escrita com um “s” entre vogais? Isto é: o som que ouvimos não coadunava mais com “dêcê” ou dêssê” do que “dêsê”?

          • Lioterio Carvalho

            16 de Fevereiro de 2015 as 8:14

            Caro amigo (se me permitir), o nosso grande problema é não termos balizado o nosso SANTOMÉ. Enquanto não houver uma gramática e um dicionário, sera aquilo que cada um entender. Podemos sempre debater o assunto, mas sem suporte legal.

            Em todo caso, dêcê e dêssê parecem mais acertada.
            Abraços

  8. Manuel de Assuncao Afonso Fernandes

    11 de Fevereiro de 2015 as 18:09

    Os Untues era conjunto da pequena burguesia nao tocavam para o povo mas sim para algumas pessoas da classe media e nunca ia aos sitios onde havia pessoas mas humildes e que nao estivesse vestido ao regor com fato e gravata ,mas as musicas de Os Untues eram feitas para todas as classes. Ze Aragao descansa em paz

  9. Violeta Vera Cruz de Oliveira

    11 de Fevereiro de 2015 as 23:03

    Fernanda, o teu marido viveu, amou e lutou por uma causa. Acreditou em Liberdade e na Justiça com equidade. Entretanto, todo o seu sonho e sorriso foram traídos pela doença que lhe causou o desaparecimento físico.
    Para ti, e para os teus filhos os meus maiores sentimentos.
    Um abraço cheio de afetos e carinho para os entes mais queridos.

    V.Oliveira

  10. Ildo Antunes

    12 de Fevereiro de 2015 as 7:07

    Obrigado SÃO DE DEUS LIMA.
    A senhora disse com muita poesia o que eu teria dito sobre o nosso cantor. Paz à sua alma e sentidas condolências à família.

  11. FADO

    12 de Fevereiro de 2015 as 7:13

    Concordo com a Eliane. Texto emocionante e muito poético. Uma sentida homenagem escrita com arte.

  12. Wambu

    12 de Fevereiro de 2015 as 8:05

    Todos os dias eu fico espantado com os meus compatriotas. Como é que um texto tão belo sobre uma figura tão querida pode ter votos contra? Vivendo e aprendendo sempre com os santomenses. Fui e não volto mais.

  13. SEABRA

    12 de Fevereiro de 2015 as 8:53

    …quem recebe o direito de autor, das mùsicas que pertence ao cantor/UNTUES? Serà que sao os que têm direito? O direito é dado à familia, quando o mùsico desaparece fisicamente? Ou entao vai para a ALGIBEIRA DO ESTADO? Existe o direito do autor ou nao?
    Se nao existe, deve pensar-se em crià-lo, porque é muito importante que um autor , um criador , vivam das obras deles.
    O Padre DAIO deve ocupar-se deste aspecto CAPITAL, na responsabilidade do dirigente da Cultura, que lhe foi atribuido…senao serà EX-comunhado!!!

  14. Dionísio Dias

    12 de Fevereiro de 2015 as 21:31

    Obrigado São pela nostalgia pela santomensidade e por me fazer sentir orgulhoso de ter nascido nesse cantinho do mundo.

    • Horácio Will

      13 de Fevereiro de 2015 as 8:58

      Dionísio Dias,
      Peço que me desculpe se não for o meu colega Tó.
      Se for o caso ouso já afirmar que a São não te fez sentir orgulhoso de ter nascido em STP. Ela fez aumentar o teu orgulho porque sempre o tiveste. Há coisas nossas que nos incomodam e nos deixam menos avontade diante de pessoas de outros países. Mas, se formos bons filhos nunca teremos vergonha de termos os pais que temos, assumimos a preocupação de enfrentar os problemas deles. Assim como deve ser com a nossa terra. Partilho esse pensamento porque sei o quanto foste e és bom filho dos teus pais e da terra. Quanto à São, ela tem reforçado muito o sentimento de orgulho de toda a gente que vale a pena dizer que é de STP.
      Grande Abraço para ti, Tó.
      Muito Obrigado, São.

      • Dionisio Dias

        16 de Fevereiro de 2015 as 11:19

        Claro caríssimo colega. O próprio. Obrigado pela correcção. Um abraço Horácio

  15. São de Deus Lima

    13 de Fevereiro de 2015 as 9:34

    Muito obrigada, Lioterio Carvalho, tem toda a razão. Foi um erro de copy paste. Peço desculpas e deixo aqui a letra de ‘Ola bandela subli’.

    Ola bandela dêsê
    Dêsê wê ku sota awa wê
    Ola bandela subli
    Mundu jinga
    Awa wê sa pesami
    Ê bila sa dôlô di klupa
    Pesami sa di molê
    Aleglia sola nancimento
    E kuma vedé sé s’uã só
    12 di Julho fla ê xiga ê
    Punda kwa nguê ê
    Sela tlegué mé
    Punda kwa nguê ê
    Sela tlegué mé ê.

    • Lioterio Carvalho

      13 de Fevereiro de 2015 as 12:47

      Carissima São, no Segundo verso acho que é:
      …. ê tê wê… e não …dêsê wê…

      E acredita me que é com prazer que entro neste pequeno debate.
      Continue nos brindando com os teus artigos.

      Peço lhe que volte a nos brindar com Carta para Apolinária.
      Adorei

  16. Da terra

    13 de Fevereiro de 2015 as 9:46

    Obrigado, Sara, por ter partilhado connosco a letra da canção ‘Jina dja sé’. E já agora, goostaria de informar que essa canção foi composta por José Aragão em homenagem a Olívio Tiny, o autor da letra de ‘Ngandu’, de Os Leoninos, que morreu no último ano do curso de medicina, em Portugal.

  17. São de Deus Lima

    13 de Fevereiro de 2015 as 16:48

    Caro Liotério, tem toda a razão. Ê tê wê ku sota awa wê é o que José Aragão diz na canção. Obrigada pelo rigor.

    • Lioterio Carvalho

      16 de Fevereiro de 2015 as 8:04

      E sobre Apolinária? Desentenderam? Manda mais uma carta pa ela, puk’ eu kero lê.

  18. Inocência Mata

    14 de Fevereiro de 2015 as 16:23

    Texto lindo, São! Singelamente celebrativo, porém lucidamente analítico.
    Palavras que resumem o sentimento de uma profunda perda afectiva porque essa perda é também de parte da nossa história – da história do nacionalismo são-tomense. E com o lirismo épico que te vem caracterizando, que caracteriza a tua poesia. Conforme te lia, rememorava o que representou para muitos de nós, nos anos 70, “Os Untúes”. Uma página da nossa história que mereceria um estudo sério, a partir de um projecto da escrita da História de São Tomé e Príncipe (no século XX, para começar).
    Obrigada!

  19. Hildeberto dos Santos Seca

    14 de Fevereiro de 2015 as 22:31

    Um reparo ao DA TERRA: A letra da musica DJINA DJA SÉ é da autoria do ZÉ BRUETE. Cumprimentos,

  20. Lioterio Carvalho

    16 de Fevereiro de 2015 as 15:46

    Caro amigo Horácio Will (se me permitir), o nosso grande problema é não termos balizado o nosso SANTOMÉ. Enquanto não houver uma gramática e um dicionário, sera aquilo que cada um entender. Podemos sempre debater o assunto, mas sem suporte legal.

    Em todo caso, dêcê ou dêssê parecem mais acertadas.
    Abraços

  21. Peregrino

    17 de Fevereiro de 2015 as 1:34

    Escrevo com acentuação a maneira antiga, por causa dos desacordos ortográficos nos nossos Países, desunidos na grafia! Mas ainda assim pretendo partilhar com todos aqueles que no feminino ou no masculino me queiram interpretar, não na letra, mas pelo espírito e liberdade escrita. Tive o grato e profundo privilégio em estar presente ao V Encontro de Escritores de língua viajante e portuguesa, tendo partilhado com Sao de Deus Lima, o contraditório que nos faz diferentes por esta alma africana das nossas diasporas com parcos regressos! Julgo que a São lançou-nos o repto pioneiro de fazermos mais, escrevermos mais, cantarmos mais, comunicarmos mais, “por terras, céus e mares que nos unem”! Parabéns cidade congregadora, salve campos cheios de inspiração poetica! Venham os escritores, partam a loiça os autores, alguém escutara o vosso tormento! Bem hajam gerações da utopia, porque o vosso legado não morrera! Escrevo de Angola, como peregrino que cruzou o Continente Berço da Humanidade, circunstâncias alem!

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Recentemente

Topo