Combate ao Boko Haram precisa ter ampla magnitude, afirma Zeid

Alto comissário da ONU para os Direitos Humanos destacou que violações do grupo são extensas; sobreviventes relataram que ataques seguem um padrão: incêndio a vilarejos, assassinatos, tortura e raptos em larga escala.

Zeid Al Hussein em discurso no Conselho de Direitos Humanos. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova Iorque. 

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos declarou esta quarta-feira que as violações cometidas pelos insurgentes do Boko Haram na Nigéria são “extensas e de longo alcance”.

Para Zeid Al Hussein, tais atos exigem uma resposta de magnitude proporcional. Ao discursar no Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, o representante explicou que suas equipas entrevistaram pessoas que sobreviveram às ações do Boko Haram.

Massacres

Segundo o alto comissário, as vítimas relataram que os ataques seguem um padrão: incêndios em vilarejos, ataques contra locais religiosos e escolas, massacre de pessoas, tortura, raptos em larga escala, deslocamentos forçados e recrutamento de crianças para o combate.

Zeid Al Hussein destacou que o Boko Haram comete “violações extremas e severas dos direitos de mulheres e de meninas, que são forçadas à escravidão sexual, ao casamento, sofrem violência e ficam grávidas à força.

Fome

O representante lembrou que os autores de tais crimes devem ser levados à Justiça. As ações violentas do Boko Haram tiveram forte impacto na economia da Nigéria e da região e levaram à falta de comida.

Zeid destacou que as autoridades regionais tomaram medidas de segurança, como a restrição da circulação da população e o deslocamento forçado de 40 mil pessoas no Níger.

Segundo o alto comissário, tais medidas podem aumentar o risco de pobreza, gerar um mal estar nas comunidades afectadas e possivelmente contribuir para o apoio ao Boko Haram.

Medidas

Zeid Al Hussein disse ser vital que as forças de segurança evitem causar mais sofrimento à população. O representante também está preocupado com alegadas violações de direitos humanos causadas pelas forças militares da Nigéria e dos Camarões, como condições de detenção que podem ser consideradas “chocantes”.

O alto comissário lembrou que as autoridades precisam ajudar os  sobreviventes do Boko Haram, com medidas de promoção dos direitos sócio-econômicos e ajudando na sua reintegração à sociedade.

Participaram também do debate representantes da Nigéria, Níger, Chade e Camarões. Para a Nigéria, as ações do Boko Haram ameaçam a paz e a estabilidade da região e a possível aliança do grupo com o Isil é um “alerta” a indicar maiores implicações de segurança para o mundo.

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