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Presidente de Portugal diz à Rádio ONU que escolha de Guterres traz esperança

Em entrevista exclusiva, Marcelo Rebelo de Sousa comenta a decisão do Conselho de Segurança de nomear o ex-primeiro-ministro de Portugal ao posto de próximo secretário-geral da ONU numa recomendação à Assembleia Geral.

Marcelo Rebelo de Sousa durante entrevista à Rádio ONU em setembro de 2016. Foto: Rádio ONU

O anúncio foi feito na manhã desta quinta-feira em Nova York pelo presidente rotativo do Conselho de Segurança, o embaixador da Rússia, Vitaly Churkin.

A decisão final agora cabe aos 193 países-membros da organização que deverão escolher em votação aberta na Assembleia Geral se confirmam Guterres para o posto. O novo mandato começa em 1º de janeiro de 2017.

Vencendo a última eleição, na Assembleia Geral, António Guterres será o nono secretário-geral da ONU e o primeiro lusófono a assumir o posto.

Leia a íntegra da entrevista com o presidente de Portugal.

Rádio ONU: Presidente, muito obrigada por receber a Rádio ONU. Nós estamos muito felizes. Parabéns por esse sucesso. O Conselho de Segurança acaba de confirmar, por aclamação, a recomendação do nome do engenheiro António Guterres, agora, para a Assembleia Geral. É uma grande vitória. Qual é a sua reação?

Marcelo Rebelo de Sousa: A minha reação é, por um lado, a de louvor ao engenheiro António Guterres. Ele pertence e pertenceu à minha geração e foi o melhor de todos nós na sua inteligência, no seu brilho, na sua humildade, na sua capacidade de serviço, no seu sentido social, na sua abertura à humanidade e essas qualidades e a forma como desempenhou brilhantemente o Alto Comissariado para os Refugiados explicam esta aclamação, este consenso, esta convergência na comunidade internacional.

A segunda palavra é de esperança. Esperança porque é uma oportunidade importante para as Nações Unidas. As Nações Unidas têm agora uma oportunidade para se reverem, se repensarem, para refletirem sobre a sua história e o seu futuro e sobre os desafios dificílimos que o próprio engenheiro Guterres já enunciou nas primeiras palavras que acaba de dirigir, em várias línguas, a todo o mundo. Em terceiro lugar de orgulho nacional. É evidente que é mais importante o serviço da comunidade internacional e o serviço das Nações Unidas do que o orgulho nacional. Mas não posso esconder o júbilo e alegria muito profunda por ver um português consagrar aquilo que nós sentimos que é a vocação desde sempre do nosso país: fazer entendimentos, estabelecer pontes entre culturas, civilizações e continentes.

É um dia muito feliz para Portugal e os portugueses, mas espero que seja sobretudo o começo de uma caminhada que culminará na votação da Assembleia Geral, uma caminhada de grande esperança para a comunidade internacional.

RO: Presidente, minha última pergunta, o senhor falou do conhecimento dele de causa. Conhece o mundo inteiro, conhece os desafios atuais. Esse também tem sido o comentário de vários diplomatas aqui nas Nações unidas.  Qual é a importância, para os senhor,  dessa eleição para o mundo da lusofonia, para os países de língua portuguesa especificamente?

MRS: Para o mundo da lusofonia foi este o momento de grande convergência porque o engenheiro Guterres conhece todos os países, todas as comunidades da lusofonia espalhadas pelo mundo. Esteve em todas elas. Contactou com os seus responsáveis mas também com os seus povos ao longo de décadas. E para o mundo da lusofonia, essa é uma grande oportunidade. Esse é também um momento histórico porque é a possibilidade singular de ter alguém que é uma emanação desse mundo e dessa comunidade numa posição-chave nas Nações Unidas e no mundo.

Não podemos esquecer que comunidade da lusofonia é uma comunidade com peso linguístico, com peso cultural, com peso económico, com peso financeiro e com peso humano. À sua maneira, a vitória do engenheiro Guterres é também a vitória da lusofonia.

RO: Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, muito obrigado por esta entrevista. Ficamos muito agradecidos.

 

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