Unesco revela que mais de 100 jornalistas foram assassinados em 2016

PARCERIA – Téla Nón / Rádio ONU

A média foi de uma morte a cada quatro dias; a maior perda de vidas ocorreu nos países árabes; América Latina e Caribe registraram 28 assassinatos, como a segunda região mais violenta do mundo; diretor-geral assistente disse que a profissão não é segura e que até um equipamento pode transformar a pessoa em alvo.

Jornalistas em coletiva de imprensa em Genebra. Foto: ONU/Violaine Martin

Monica Grayley, da ONU News em Nova Iorque.

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura informou que 101 jornalistas foram assassinados no ano passado enquanto trabalhavam numa reportagem.

A cada quatro dias, um profissional da imprensa ou da mídia perdeu a vida. Este número representa uma alta se comparado à media anual da década passada entre 2006 e 2015.

América Latina e Caribe

Os números constam de um levantamento baseado no Relatório da Diretora-Geral da Unesco sobre a Segurança de Jornalistas e o Perigo de Impunidade, publicado em novembro passado.

A maioria dos crimes ocorreu em países árabes: Síria, Iraque e Iêmen. América Latina e Caribe registraram 28 assassinatos de jornalistas, blogueiros, free lances. Foi a segunda região mais violenta para os profissionais do setor.

Ao comentar o documento, o diretor-geral assistente da Unesco para Comunicação e Informação, Frank La Rue, disse que “a profissão de jornalista não é segura, e que a carteira de imprensa ou até mesmo um equipamento à vista são motivos extras para que uma pessoa torne-se alvo”.

Investigação

No ano passado, foram assassinados 115 profissionais. Em 2014 e 2013 foram 98 e 90, respectivamente. A Unesco emite uma nota de condenação a cada morte e pede uma investigação e a punição dos autores do crime.

A Unesco alerta que as estatísticas sobre caso de impunidade ainda não estão disponíveis sobre os assassinatos de 2016. Mas a larga falta de punição para atos de violência contra a mídia tem sido uma causa da preocupação há bastante tempo.

No passado, houve apenas uma condenação em cada 10 casos de assassinatos de profissionais do setor.

Segundo La Rue, quando os crimes contra jornalistas, seja qualquer um, ficam impunes isso passa uma mensagem de que a mídia pode continuar sendo acossada e atacada.

Internet

Para ele, a impunidade “coloca uma mordaça nos profissionais e na imprensa, e o medo de represália acaba se transformando numa auto-censura e evitando que cada um receba informações vitais.”

A Unesco lembra ainda que discursos de ódio e com base em gênero ganharam evidência no ano passado, na internet. Segundo ele, o caso se assemelha  a perigos como as ameaças físicas e à vida dos jornalistas.

A agência da ONU coordena o Plano de Ação sobre Segurança de Jornalistas e o Tema da Impunidade. A proposta já está no quinto ano da implementação.

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