Nota de Agradecimento

Antes de tudo, gostaríamos de agradecer a todos aqueles que de uma forma ou de outra, deram a sua contribuição, na sua maioria com apoio moral, para a realização da manifestação.

Aproveitamos, de igual modo, para felicitar o Conselho Superior de Imprensa, a Polícia Nacional, ao jornal digital Telanon, a Rádio Jubilar, A Televisão Andim Média e a RTP África, pelo apoio institucional prestado, sendo este determinante na consumação do evento.

Contrariamente a opinião de muitos, nós os autores e organizadores da manifestação do dia 09 de Fevereiro de 2017,  consideramos a mesma de satisfatória, isto pelo facto da mesma ter sido consumada.

manifestaçãoNão somos populistas, mas sim realistas.

Desde início, deixamos bem claro que manifestaríamos os nossos descontentamentos dada a situação actual do país, nem que para tal,fossemos apenas três pessoas na manifestação.

Não conta para nós o número de participantes, mas sim a nossa voz e as nossas reivindicações.

Doutra sorte, queremos deixar patente que vários factores concorreram para que a nossa mensagem passasse de forma despercebida, tanto é que, um cidadão dirigiu-se a nós a solicitar o que estávamos a fazer e quais eram as nossas reivindicações, no exato momento da manifestação.

São esses os factores:

Ao nível da comunicação social.

Rádio Nacional

No passado dia 02 de Fevereiro de 2017, pelas 11: 46 h, a Rádio Nacional lançou ao ar um conteúdo falso, em virtude do qual a manifestação estava suspensa. Três horas depois, enviamos uma nota a Direcção da Rádio Nacional no sentido de reporem a verdade dos factos. Enviamos em anexo um comunicado a desmentir a situação, porém o director da Rádio Nacional, orientou as duas recepcionistas  para não receberem o documento.

Assim, toda a sociedade são-tomense ficou convencida de que a manifestação estava suspensa.

E por causa desta falsidade, a sociedade de uma forma generalizada precipitou-se em difamar os organizadores, chamando-os de nome por terem recebido dádivas para suspender a manifestação.

Televisão ( TVS)

No dia 02 de Fevereiro de 2017, tendo tomado conhecimento do expediente feito na Rádio Nacional por um individuo estranho a nossa organização, que dignou – se suspender a manifestação, endereçamos desde as 15:00 h, uma nota a TVS para impedir que o mesmo repetisse na televisão. Contudo, a TVS recebeu a nota e o seu anexo que desmentia qualquer suspensão da manifestação e guardou consigo. E no telejornal das 20:00 h, passou o mesmo que a Rádio Nacional.

No dia seguinte, apenas fez uma breve alusão de que a manifestação não estava suspensa.

Tanto a Rádio Nacional como a TVS, impediu –nos de passar a mensagem sobre a manifestação, através dos seus canais, e, tudo fizeram para desmobilizar e desencorajar os organizadores, assim como, a todos os possíveis aderentes a manifestação.

Dada a impostura dos meios de comunicação social estatal (Rádio Nacional e TVS), o Conselho Superior de Imprensa teve que interferir no sentido de exigir que a Rádio Nacional anunciasse a realização da manifestação do dia 09 de Fevereiro de 2017, no jornal das 16:00 horas do dia 07 de Fevereiro de  2017.

Ao nível do Governo

manifestação - 2O Chefe XVI Governo Constitucional de São Tomé e Príncipe, veio a comunicação social alegar que eram os partidos da oposição responsáveis pela manifestação, quando este dirigente dispõe de meios de informação de Estado para melhores informações.

Estas alegações do chefe do governo lançou o completo descrédito  a manifestação, conduzindo – a para esfera da politiquisse.

Na mesma linha, veio pronunciar o Ministro de Defesa e da Ordem Interna.

Vários autores da vida social e politica levantaram –se contra a manifestação, inventando facto e intrometendo em assunto que não lhes diziam respeito.

O Primeiro Ministro de São Tomé e Príncipe, veio ao meio de comunicação social anunciar uma visita de carácter privado do Rei de Marrocos, que iria se hospedar na Região Autónoma de Príncipe, logo no período que coincidia com a manifestação. Porém, não se viu qualquer presença deste monarca na Região Autónoma de Príncipe, muito menos em São Tomé.

Portanto, no dia da manifestação, as ruas da capital de São Tomé, estava cheia de militares para a recepção do tal Rei, que não havia chegado na Região Autónoma de Príncipe, no dia antes.

Corre ainda na sociedade são-tomense que o Rei suspendeu a sua visita devido a manifestação.

Na Manhã do dia 09 de Fevereiro de 2017, um cidadão entrou no Gabinete do Primeiro Ministro (Primatura) e desmoronou o vidro de uma das portas do edifício.

Em poucos segundos, ouvia-se por toda a capital que os manifestantes eram os responsáveis pelo sucedido, quando a manifestação ainda não tinha começado.

No dia 02 de Fevereiro de 2017, quando fomos ouvidos pelo Comandante e vice Comandante Geral da Policia Nacional, os mesmos alertaram–nos que se alguém atirasse uma pedra durante a manifestação, nós seriamos responsabilizados.

Pelo que, a manifestação foi realizada sobre ameaça com clima de medo e de terror propiciada pelo Governo São-tomense.

Mesmo assim, manifestamos.

Antes e depois da manifestação o Primeiro Ministro proferiu acusações falsas, inventou factos e lançou mentiras, usando e abusando dos meios do comunicação social, pública e estatal. Mas, nós escusamos de abrir uma linha de debate com o mesmo, até porque não dispomos dos meios de comunicação social estatal para efeito  e a semelhança do mesmo.

É dever de todos os cidadãos são-tomenses intervir nos assuntos do país no sentido da sua melhoria.

Queremos aqui afirmar a todos que, até o momento que redigimos esta nota de agradecimento, estamos bem.

Porém, estamos sob ameaça.

Durante e depois da manifestação, pessoas apoiantes da ADI têm dito na sociedade são-tomense que estes jovens deveriam ser enforcados ou repatriados.

Nascemos em São Tomé e Príncipe, logo somos cidadãos são-tomenses. Se pensam em repatriar-nos, para onde vão nos mandar?

Existe um outro país denominado São Tomé e Príncipe?

A menos de sete meses, salvo o erro, dois cidadãos são-tomenses perderam a vida por enforcamento.

Um cidadão foi encontrado, no final do ano de 2016, dentro da sua casa enforcado, de mãos atadas e viradas para trás.

Entre final de Janeiro e princípio de Fevereiro de 2017, um detido foi encontrado sem vida, por enforcamento, na Cela do Comando distrital de Lembá.

Queremos deixar bem claro, que as nossas vidas, integridade física e liberdade está nas mãos do Chefe do XVI Governo Constitucional de São Tomé e Príncipe, o Sr. Patrice Emery Trovoada.

Se alguma coisa nos suceder, é de toda a responsabilidade deste dirigente.

Para finalizarmos, deixamos aberto a possibilidade de realizarmos nova manifestação, visto que a manifestação do dia 09 de Fevereiro de 2017 foi sabotada pelo Governo, o que impossibilitou-nos de passar, convenientemente, a nossa mensagem e cumprir o itinerário que haviamos traçado.

Sem mais assunto, os nossos agradecimentos a todos.

Feito em São Tomé, 13 de Fevereiro de 2017.

Os organizadores

Lubofe de Carvalho

Helmer da Trindade

Miques de Jesus Bonfim

Adjamila Carvalho

Katita Dias

Ismael F. Duarte Rodrigues dos Ramos Viegas

Nikel de Sousa Andreza

António Rita

 

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    Jovem sem futuro Responder

    Meus caros compatriotas desejo-vos muita força e coragem nessa vossa luta que é em benefício de todos nós cidadãos santomenses e os demais residentes na nossa terra. Se todos tivessem a mesma coragem e determinação em paralelo com a vossa de certeza que a situação do país seria outra.

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    EX Responder

    Viva a liberdade de expressão
    Abaixo a opressão e intimidação

    Força meus caros.
    Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.

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    Clemilson Brasileiro Responder

    Esperem e vocês vão ver! Serão milhares num futuro próximo !

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    Helder Pinto Responder

    Jovens corajosos
    Muito obrigado

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