OIT diz que mulheres preferem trabalhar fora de casa

 

Pesquisa feita pela agência da ONU e o instituto Gallup mostrou ainda que os homens concordam com elas na maior parte do mundo; sondagem foi feita com 149 mil adultos em 142 países, incluindo Brasil e Portugal.

A sondagem feita pela OIT e pelo Gallup mostrou que 70% das mulheres e 66% dos homens preferem ver as mulheres trabalhando. Foto: Banco Mundial/Arne Hoel

Edgard Júnior, da ONU News em Nova Iorque.

Uma pesquisa feita pela Organização Internacional do Trabalho e o Gallup mostrou que as mulheres preferem trabalhar a ficar em casa cuidando de filhos ou  tarefas domésticas.

A sondagem foi feita com 149 mil adultos espalhados por 142 países, incluindo Brasil e Portugal. O objetivo foi fornecer uma visão geral das atitudes e percepções tanto de homens como de mulheres sobre a participação feminina no mercado de trabalho.

Brecha salarial

Em entrevista à ONU News, em Nova Iorque, o diretor do Escritório da OIT, Vinícius Pinheiro falou sobre o relatório que coincide com as comemorações do Dia Internacional da Mulher, este 8 de março.

“Infelizmente, não há muitas razões para comemorar este Dia Internacional da Mulher em relação ao mercado de trabalho. Se nós olhamos, por exemplo, para a participação da força de trabalho da mulher, em geral, 75% dos homens participam da força de trabalho, para as mulheres esse indicador é de 50%. Grande parte dos trabalhos que as mulheres estão envolvidas são trabalhos de baixa qualidade, 43% das mulheres que trabalham estão em empregos considerados vulneráveis. Em geral há também o problema da brecha salarial. Para a mesma posição, as mulheres ganham em média, 73% do que os homens ganham.”

Trabalho remunerado

A sondagem feita pela OIT e pelo Gallup mostrou que 70% das mulheres e 66% dos homens preferem ver as mulheres trabalhando. Os resultados mostram que, em média, apenas 27% das mulheres querem ficar em casa.

No Brasil, as respostas foram bem semelhantes ao resto do mundo, segundo Pinheiro.

“Em relação ao Brasil, por exemplo, se você pergunta para as mulheres se elas querem trabalhar ou ficar em casa, em geral, cerca de 72% das mulheres dizem que preferem um trabalho remunerado do que ficar em casa. Isso mostra que há uma vontade de participar da força de trabalho e essa vontade também é compartilhada pelos homens. Você pergunta para os homens se eles querem que as mulheres trabalhem, 66% dizem que sim, que elas deveriam trabalhar.”

Tratamento

Entre os maiores desafios para as mulheres conciliarem o trabalho com a família estão os cuidados da casa, tratamento injusto, abuso ou assédio no local de trabalho, falta de empregos que paguem um bom salário e ainda o risco de violência no caminho para a empresa.

Pinheiro disse que para resolver o problema são necessárias políticas públicas, como por exemplo, a proteção à maternidade e paternidade, que muitos países não têm.

Para ele, é fundamental investir em medidas contra discriminação, principalmente a salarial.

Mesma experiência

Vinícius Pinheiro afirmou que não há nenhum motivo que justifique que uma mulher com o mesmo nível de competência, na mesma posição e com a mesma experiência, ganhe 28% a menos do que o homem.

As convenções da OIT definem que devem ser garantidas 14 semanas de folga depois do parto de proteção maternidade. Ele cita ainda a implementação de uma infraestrutura de cuidado às crianças, como creches, para que elas possam participar do mercado de trabalho.

Pinheiro fala ainda da questão do combate ao assédio e à violência no local de trabalho. Segundo ele, os dados atuais mostram a “ponta do iceberg”, porque em muitos casos não há denúncia.

Outro ponto importante mencionado pelo representante da OIT é aumentar a flexibilidade, principalmente em caso de gestantes ou das mulheres que tenham filhos pequenos.

Ele explicou que atualmente com o avanço da tecnologia é muito mais fácil trabalhar de casa.

 

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    Nuno Miguel de Menezes Responder

    OIT diz que mulheres preferem trabalhar fora de casa,bem… se ficarem no quintal da sua propria casa ja estao fora de casa a trabalhar :p

    Nuno Menezes
    Reino Unido,Lincoln

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