ONU prevê crescimento de 2,7% para economia mundial em 2017

PARCERIA – Téla Nón / Rádio ONU

Relatório do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais mantém previsão feita em janeiro deste ano; documento mostra queda na perspectiva de avanço para países menos desenvolvidos. Entre os países de lingua portuguesa, Moçambique tem a melhor previsão de crescimento.

Na África, a previsão média para o continente é de um alta de 3,2% e 3,8% para 2017 e para o ano que vem, respectivamente. Foto: ONU/Evan Schneider

Edgard Júnior, da ONU News em Nova Iorque.

O Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, Desa, prevê que o crescimento da economia mundial deve ser de 2,7% este ano e de 2,9% em 2018.

Em seu relatório “Situação Econômica Mundial e Perspectivas”, divulgado esta terça-feira, o Desa informou que o Produto Interno Bruto, PIB, per capita caiu em várias regiões da África e da América do Sul. A situação deve continuar até o fim do próximo ano.

Brasil

Segundo o Desa, a queda do PIB brasileiro deve chegar ao fim depois das baixas em 2015 e 2016. Os especialistas dizem que as incertezas políticas no país diminuíram e estão sendo implementadas as bases de programas de macrogestão.

O documento afirma que o alto desemprego e uma política fiscal rigorosa continuarão pesando sobre a economia. Os especialistas demonstraram preocupação com a perda de postos de trabalho não só no Brasil, mas também na Argentina e na Colômbia.

Pelos dados da ONU, mais de 27 milhões de pessoas estão desempregadas hoje em comparação ao período antes da crise financeira. O desemprego entre os jovens é também uma preocupação global, com custos econômicos e sociais de longo prazo.

O índice de pessoas desempregadas no Brasil atingiu 11,8% no terceiro trimestre de 2016, quase o dobro do registrado em 2014. Por causa do alto desemprego, da inflação elevada e da restrição ao crédito, o consumo no país sofreu uma redução de 5% no ano passado.

O documento cita ainda que a produtividade no trabalho na maioria dos países desenvolvidos e também em desenvolvimento caiu desde a crise econômica mundial, incluindo o Brasil, a China e a Rússia.

O Brasil tem sofrido com a redução dos investimentos públicos e privados mas o relatório prevê uma pequena recuperação em relação ao fluxo de capital externo.

Entre as causas para a melhora do Brasil estão o fortalecimento da demanda externa, aumento dos preços das commodities internacionais, redução das incertezas políticas e um alívio das políticas monetárias.

Os especialistas do Desa afirmaram que o país registrou as duas piores recessões nos últimos dois anos. O declínio acumulado da economia brasileira ultrapassou os 8% desde o final de 2014.

Outro dado mencionado pelo relatório foi a sonegação de impostos de empresas, que chega a 27% no Brasil, mas é de 60% na Costa Rica, Equador e Guatemala.

Países Lusófonos

A previsão será de um crescimento econômico lento para Portugal: 1,4% para este ano e de 1,3% para 2018. O documento cita o alto desemprego no país como uma das barreiras a ser superada.

Na África, a previsão média para o continente é de um alta de 3,2% e 3,8% para 2017 e para o ano que vem, respectivamente.

Dos países lusófono, somente Angola tem uma previsão menor, 1,8% para 2017 e 2,8% para 2018.

Cabo-Verde e Guiné-Bissau estão com previsão de crescimento entre 3% e 4%, mas Moçambique e São Tomé e Príncipe podem ver suas economias avançarem entre 5% e 6%.

Já Timor-Leste, pode ter um crescimento de 5,1% neste ano e de 5,6% em 2018.

LCDs

Segundo as Nações Unidas, a América Latina e o Caribe devem registrar um crescimento positivo em 2017 depois de dois anos de contração. Já a previsão para vários países menos desenvolvidos, chamados de LCDs, não deve alcançar a meta de 7% estabelecida pelos Objetivos de Desenvolvimento sustentável, ODSs.

Os especialistas do Desa calculam que o crescimento médio da economia dessas nações deve ficar em 4,7% em 2017 e de 5,3% no ano que vem.

O relatório diz que seguindo a tendência de crescimento atual, quase 35% da população dos LCDs, países altamente endividados e em estado de fragilidade e conflito, devem continuar na extrema pobreza até 2030.

O nível de emissão global de carbono está no mesmo patamar há três anos consecutivos, refletindo o crescimento na geração de energia por fontes renováveis e melhora na eficiência energética.

Energia

Outros pontos positivos são a transição da energia gerada por usinas de carvão para o gás natural e o crescimento lento da economia nos países que mais emitem CO2.

A inflação teve uma alta em economias desenvolvidas, como por exemplo Estados Unidos e Reino Unido e ao mesmo tempo caiu em economias emergentes, como é o caso do Brasil e da Rússia.

Mas a inflação de dois dígitos atingem 26 países no mundo, sendo que dois-terços deles estão na África.

O relatório mostrou também que os preços das commodities internacionais registraram um pequeno aumento no início de 2017, mas o preços do barril de petróleo continua volátil.

 

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