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“BASTA! É HORA DE MUDAR!”

É um griliberato.jpgto de alerta do cidadão são-tomense radicado em Portugal. Liberato Moniz, mostra as razões que o leva a dar  o grito. Basta. É hora de Mudar.

 “BASTA!  É HORA DE MUDAR!”

Caros amigos e cidadãos de São Tomé e Príncipe

Porque se torna cada vez mais imperioso solidificarmos as bases de confiança da problemática desenvolvimentista do nosso país, convido-vos a fazer uma reflexão sobre alguns aspectos atinentes a credibilizar a nação são-tomense. O objectivo é despertar as nossas consciências e lembrar que todos e cada um de nós pode ajudar a criar as bases para transformar o nosso País num verdadeiro Estado de direito e impedir que continuem a ocorrer situações que hoje a civilização humana já não tolera.

Caros amigos e cidadãos de São Tomé e Príncipe

Há já mais de vinte e cinco anos que em conversa aberta com amigos, companheiros ou meros conhecidos, tenho, de uma forma ou de outra, experimentado consolidar projectos que possam contribuir para um São Tomé e Príncipe mais próspero e menos comprometido com a teia avassaladora da corrupção, contrariando muitos que, por medo ou por compromissos assumidos, teimam em compactuar com a mesma, dando largas a uma postura de laxismo que aparentemente lhes garante o posto de trabalho consequentemente, a sobrevivência (o que seria discutível), porém também benesses (o que não ética e moralmente aceitável de todo).

Volvidos largos anos de aposta do Estado são-tomense na formação, é do meu ponto de vista triste e confrangedor constatar que essa aposta não trouxe qualquer mais-valia, deixando o sistema económico, educacional e de saúde, fundamentais para o desenvolvimento de qualquer país, muitas vezes entregues a meros curiosos que, “Por amor à terra”, teimam e não conseguem ou movimentam-se sob a tutela daqueles que, comprando consciências, aproveitam para saciar os seus mais incontidos desejos de poder pelo poder e de defesa dos seus interesses pessoais e dos respectivos grupos.

Caros amigos e cidadãos de São Tomé e Príncipe

 

Hoje, vou juntar a minha voz à de outros que, de uma forma ou doutra, têm esperança num São Tomé e Príncipe melhor. Juntos temos de dizer que é necessário acreditar, mudar e vencer para o bem de um País que, com 1001 km2 e aproximadamente cento e sessenta e cinco mil habitantes, pode e deve ser um lugar melhor para todos em vez de ser um paraíso apenas para alguns.

Acredito que é possível mudar mentalidades em prol do progresso e do bem-estar de todos os são-tomenses. Por isso, imploro e convoco-vos a todos para, juntos, dizermos BASTA!

Basta à arrogância sem limites de dirigentes que, uma vez eleitos para representarem o povo, utilizam esse poder e os meios colocados à sua disposição para consolidar os seus negócios em detrimento do mínimo que caberia por direito à população! O caso GGA é flagrante, ou até mesmo a “compra” e em certos casos apropriação generalizada dos bens do Estado.

Basta aos responsáveis que, uma vez nomeados para a chefia de instituições públicas, têm como objectivo único consolidar a compra de consciências dos seus subordinados e de todas as suas famílias! Um exemplo da delapidação dos bens do Estado e o interesse dos partidos em controlarem direcções com suporte financeiro sobretudo em períodos eleitorais são a  ENASA, os CORREIOS  A ENAPORT, A GGA, etc.;

Basta ao enriquecimento de são-tomenses que, sem nunca terem exercido qualquer tipo de actividade, dentro ou fora do país, ou de terem eventualmente beneficiado de alguma herança, levitam e apresentam-se impunemente como donos e senhores do país, ostentando bens “pessoais”e sinais exteriores de riqueza de forma ostensiva! Por exemplo, não será o momento de se avaliar em que condições várias empresas deram início à sua actividade? E como é que se pode ser detentor de habitações avaliadas em mais de 300 mil euros, vivendo apenas de salários de 100, 200 ou 300 euros mensais?

Acredito que essa simples avaliação seria um forte contributo para separar o trigo do joio, permitindo que percebamos, de uma forma pública e transparente, quem foram os que realmente nunca utilizaram os bens do Estado em proveito próprio, e concentrarmos o enfoque naqueles que continuam a enriquecer por conta dos cargos e favores que vão prestando e ocupando. Porque não tenhamos dúvidas: a visão generalizante de que todos os políticos são corruptos convém àqueles que têm culpas no Cartório pois assim passam despercebidos no meio daqueles que têm uma postura ética louvável. E não podemos permitir tal injustiça.

Basta à cultura de desresponsabilização! É fundamental que após essa avaliação, esses senhores fossem chamados a responder em sede própria. E quem tem a responsabilidade de conduzir uma acção dessa natureza, por favor, não descure as suas obrigações!

É preciso começar a moralizar o sistema e isso só será possível no momento em que os órgãos de controlo e regulação actuarem de forma profissional e honesta. É preciso punir de forma indelével e exemplar qualquer cidadão que, comprovadamente, tenha usufruído abusivamente de bens do Estado. Como tenho dito recorrentemente nestes últimos anos, “ a culpa não pode morrer solteira”.

Basta de sermos representados por pessoas reconhecidamente incompetente que transitam de cargos porque fazem deles sua profissão (mesmo porque não têm outra)!

Basta do desfile de dirigentes sem postura de Estado ou mesmo até semi-analfabetos e ignorantes! Sem prejuízo daqueles que muito fizeram para salvaguardar a dignidade dos são-tomenses, os últimos 34 anos da Primeira e da Segunda República são disso um exemplo de bradar aos céus;

Basta de termos partidos políticos sem qualquer linha orientadora e definidora dos seus objectivos, amputados de ideologias e com dirigentes sem escrúpulos que relegam para o esquecimento membros e militantes com provas dadas, apenas porque estes não detêm recursos financeiros ou não se prestam a “esquemas” e favores! Observem a qualidade dos candidatos a deputados e ministros que constam nas listas apresentadas pelos partidos…

Basta aos dirigentes que, por incompetência, ignorância ou mero despeito não são capazes de dar bom uso a trabalhos desenvolvidos e documentos produzidos por quadros são-tomenses com competência demonstrada! Qual é o resultado de tantos estudos desenvolvidos sobre a educação, a energia eléctrica, o urbanismo, a agricultura, o turismo, as infra-estruturas ou a redução da pobreza? Para que serviram as quantias astronómicas gastas?

Basta aos quadros são-tomenses com competência demonstrada de mãos estendidas à espera de migalhas de dirigentes que sustentam o seu medo, a sua inacção, incapacidade e ignorância na compra de consciências ou em eventuais ameaças inaceitáveis num Estado de direito democrático.

Qual é a justificação para os salários dos quadros técnicos serem quatro, cinco, seis ou mais vezes inferiores aos subsídios recebidos mensalmente?

Porque é que todos os Magistrados e Juízes não possuem igualdade de tratamento e usufruem também de um salário digno que lhes permita desenvolver um trabalho sério, credível e sem desconfianças?

Basta aos quadros técnicos e responsáveis de instituições do Estado, preocupados em colocar em suspeição os trabalhos dos outros, denegrindo de forma grosseira e lesiva a imagem de cada um, ao invés de consolidarem uma imagem de respeito, de trabalho de equipa e de credibilidade profissional em prol das instituições e da Nação são-tomense! Para quando o reconhecimento aos bons trabalhos desenvolvidos por pessoas singulares ou colectivas, dentro e fora do País? Por que temos de ser subservientes aos outros quando há quadros são-tomenses igualmente válidos na mesma área?

Basta ao convívio com a imagem da incompetência e da corrupção, por medo de retaliações que nos coíbem de ganhar honradamente o pão que nos alimenta! Será possível continuarmos a ter à frente das nossas instituições, por influência política, dirigentes sem qualquer conhecimento ou experiência do cargo que ocupam?

Basta ao achincalhamento de projectos credíveis e sustentáveis para a Nação por não termos sido nós os autores dos mesmos ou por medo da promoção individual ou colectiva de pessoas que, por sinal, também são são-tomenses e almejam igualmente ajudar a construir São Tomé e Príncipe! Onde param os projectos de reabilitação dos imóveis das empresas agrícolas, os vários projectos para o turismo, para a construção/reconstrução de infra-estruturas, para a investigação ou para a redução da pobreza?

Basta à promoção da incompetência por “parceiros estratégicos”, ávidos de controlar e consolidar as “ilhas maravilhosas” para o seu futuro repouso, obliterando os desígnios de São Tomé e Príncipe como País independente! Será normal e credibilizará o país o esbanjamento financeiro que se tem feito antes e durante as campanhas eleitorais ou mesmo a compra de bens imóveis sem que as autoridades nacionais tomem as medidas necessárias? Para quando a conclusão da estrada que liga a zona sul do País?

Basta aos órgãos de comunicação social, ou mesmo à nossa cultura, alicerçados na divulgação e promoção de benesses pessoais eventualmente trocadas por compras de consciência dos seus profissionais em detrimento da divulgação e promoção de um debate sério envolvendo todas as forças vivas do país! Neste ponto concreto, aconselho vivamente a uma revisão séria e criteriosa das programações da rádio e da televisão são-tomenses.

Basta à utilização de pseudónimos nos fóruns de debate para discussão das “coisas” de STP, por medo de eventuais retaliações dos responsáveis “sábios e intocáveis” do país, que não permitem críticas ou discordâncias de opiniões! O fórum dos Yahoogroups é disso um bom exemplo.

É hora, caros são-tomenses, de nos unirmos em torno da competência, do bem-estar e da justiça social; de acreditarmos que não existem mecenas e/ou iluminados para nos garantir o pão de cada dia.

É hora de acreditarmos uns nos outros e nas mais-valias de cada um em prol dum projecto desenvolvimentista para São Tomé e Príncipe.

É hora de pormos fim à podridão consentida que nos avassala e juntos nos credibilizarmos além-fronteira, como País de pessoas sérias, íntegras e interessadas no bem-estar e na felicidade individual e colectiva;

Não finja que não leu estes apelos!

O País é de todos, mas a consciência é de cada um. Está nas nossas mãos e na de todos contribuir para alterar este status quo.

Acredite que São Tomé e Príncipe agradece.

Liberato da Mata Moniz

liberatomoniz@hotmail.com

Lisboa, 12 de Janeiro de 2009

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