“QUEM GUARDARÁ OS GUARDAS?”

Publicado em 02 Jun 2009
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Confesso que não sei qwando-castro.jpguem foi o autor dessa frase de conteúdo filosófico tão profundo e nem estou para ai virado,  já que para mim, esse é daqueles casos em que mais importante do que “quem disse”, é “o que foi dito”. Lembrei-me dela há dias, quando ouvi as notícias sobre mais um capítulo vergonhoso (e gravíssimo) da já histórica rixa entre as forças de manutenção da ordem pública e da paz em São Tomé e Príncipe e achei pertinente utiliza-la como rampa de lançamento para a minha crónica de hoje.

 “QUEM GUARDARÁ OS GUARDAS?”   

Confesso que não sei quem foi o autor dessa frase de conteúdo filosófico tão profundo e nem estou para ai virado,  já que para mim, esse é daqueles casos em que mais importante do que “quem disse”, é “o que foi dito”. Lembrei-me dela há dias, quando ouvi as notícias sobre mais um capítulo vergonhoso (e gravíssimo) da já histórica rixa entre as forças de manutenção da ordem pública e da paz em São Tomé e Príncipe e achei pertinente utiliza-la como rampa de lançamento para a minha crónica de hoje.

Desde que me conheço como gente que oiço falar dos frequentes confrontos e desentendimentos entre os militares das F.A.R.S.T.P e os agentes da Policia Nacional de S.T.P, tendo inclusive presenciado por duas vezes in loco o desenrolar desta disputa descabida pelo primeiro lugar no pódio da estupidez.

Quantas vezes não vimos os militares (fardados ou não) a forçarem a entrada nos recintos públicos de espectáculos sem pagar o respectivo bilhete, demonstrando um total desprezo pelos agentes da polícia destacados no local? Quantas vezes não ouvimos falar de casos em que os militares invadiram as esquadras da polícia para forçar a libertação de colegas seus presos por desacato à a autoridade? Quantos “duelos” públicos não assistimos, entre militares e polícias por assuntos tão corriqueiros como casos de traições amorosas ou simples demarcações territoriais? E em quantos desses casos não houve disparos de armas de fogo ou a ocorrência de uma desforra nos dias a seguir, com a participação de outros colegas de camarata?

O mais estranho (ou não) é que até hoje ninguém se preocupou sequer em tentar descortinar os motivos que estarão por trás deste constante “medir de forças” entre os servidores destas duas instituições, quanto mais, esboçar uma tentativa para a resolução do problema. 

A verdade é que, neste universo de impunidade e de desresponsabilização que também vai fazendo escola a esse nível em S.T.P, os casos mediáticos vão acontecendo a um ritmo alucinante, tendo inclusive custado a vida de uns tantos coitados, causado lesões permanentes a outros e contribuído para a existência de graves desavenças entre familiares e amigos. 

O que passará pela cabeça do comum cidadão quando constata que aqueles que têm o dever constitucional de zelar pela sua segurança, andam na praça pública a digladiarem-se, qual cowboys no tempo do velho oeste selvagem, atentando de forma irresponsável e altamente perigosa contra a tal ordem publica que juraram proteger? 

Que moral terão esses senhores para agirem de forma coerciva sobre os delinquentes que agora proliferam na nossa praça, quando são eles próprios que se apresentam aos cidadãos como os maiores desordeiros? 

Como é que querem conquistar o respeito das populações e impor a ordem, se eles próprios não se respeitam entre si e nem respeitam o rígido código de conduta a que estão submetidos?  

Quer queiramos, quer não, os militares e os polícias estão sujeitos a uma ética e uma disciplina diferente dos restantes cidadãos e por causa disso, as suas falhas a esse nível, são duplamente graves.

Espero que o recente acontecimento entre as forças policiais e os militares do corpo da Guarda Presidencial – essa é nova, qualquer dia os agentes da PIC também entram no barulho – faça disparar o alarme e leve as pessoas responsáveis a reflectirem seriamente sobre essa questão para encontrarem soluções definitivas, porque numa altura em que os São-tomenses deixaram de ser um povo pacato e estão mais propensos a resolver as suas diferenças na base da violência, em que a criminalidade e a delinquência começam a ganhar contornos assustadores e em que o desrespeito pelas leis e pela autoridade do estado é cada vez mais uma pratica comum, é fundamental a afirmação de uma força policial disciplinada, competente e totalmente comprometida com os sagrados valores emanados da constituição da republica.

O mesmo serve para os militares, que têm que perceber de uma vez por todas que não são os donos do País – presunção assumida sobretudo em resultado das duas ultimas tentativas de golpe de estado em que eles tiveram papel preponderante – e que não podem sistematicamente estar a atentar impunemente contra a ordem publica, desonrando e desrespeitando a instituição que servem e os seus colegas da policia, que em ultima analise são as pessoas legalmente mandatadas para zelar pela segurança interna e pelo cumprimento da lei por parte de TODOS os cidadãos.   

Em jeito de conclusão, devo acrescentar que ao contrário do que foi sugerido por algumas pessoas – que relevaram o facto dessas situações terem deixado de acontecer no consulado Ministro Óscar Sousa – não creio que a solução passe pela personificação de um tipo de liderança musculada que terá produzido alguns resultados, mas que sempre esteve (e estará) condicionada em termos de “prazo de validade”, pelos ciclos de governação inerentes ao facto de vivermos em democracia. A solução passa sim, pela criação de instituições fortes e disciplinadas, submetidas ao poder legitimamente instituído e nunca à uma pessoa em especial, de forma a fazer valer aquela velha máxima que diz: “Os homens passam e as instituições permanecem. “

Um bem haja a todos.

Wuando Castro

www.bocapito.blogspot.com