Centro agro-pecuário montado em Pinheira pretende dinamizar a produção agrícola e da pecuária e aumentar o rendimento dos camponeses

Publicado em 20 Abr 2009
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Com boi.jpg o financiamento da República da China- Taiwan, o centro agro-pecuário inaugurado recentemente pelo governo, funciona como um laboratório em que novas técnicas de produção agrícola e pecuária estão a ter resultados positivos. Experiência que vai ser introduzida nas comunidades agrícolas, e que terá impacto positivo no aumento do rendimento dos camponeses. A importação dos insumos agrícolas a preços elevados e que fazem aumentar o custo de produção, é substituída pelo uso de fertilizantes orgânicos produzidos pelo gado e pelas plantas. Apesar de ser abençoado pela natureza, com chuva abundante durante todo o ano, e terra fértil, São Tomé e Príncipe tem enfrentado muitas dificuldades no abastecimento do mercado com produtos locais. As frutas tropicais escasseiam-se, e as hortaliças são vendidas a preços elevados.

Teodorico Campos, presidente da Federação dos Agricultores de São Tomé e Príncipe, deu o exemplo da cebola e do m  boi-1.jpgilho. Dois produtos cuja produção nacional é insuficiente, ao ponto do produto importado ser vendido mais barato. O uso de insecticidas e outros produtos químicos importados, sobretudo para garantir a produção de cebolas e outras hortaliças, provocar a inflação do custo de produção. O produto nacional é vendido mais caro que o importado. Muitos agricultores caíram na falência.

No centro agro-pecuário de Pinheira, está encontrada a fórmula para inverter a situação. A produção agrícola é sustentada com produtos orgânicos. Fertilizantes naturais, como excremento do gado, e plantas em decomposição dão mais força ao solo fértil. Uma técnica que provoca baixa do custo da produção, mas não só. Abre também um ciclo para alimentação do gado, sem necessidade de recurso ao mercado internacional para importação de rações e outros produtos químicos.

O gado bovino e caprino, é criado em estábulos. Alguns ferros e tábuas de baixo custo formam o curral, onde o boi come capim e a planta do milho, ou seja as folhas e o caule. As espigas alimentam as galinhas e outras aves, que aumentam a produção de carne o ovos. No final do ciclo é o excremento do gabo que fertiliza o solo.

Uma nova técnica para os criadores são-tomenses que tradicionalmente criam o gado solto no pasto. Roberto Pam, técnico dpintos.jpga cooperação Taiwanesa destacado no centro agro-pecuário, garante que a nova técnica de criação do gado é mais vantajosa. «O boi que cria no pasto chega a pesar 400 a 450 quilos, e isto durante três anos. Com o boi no estábulo e alimentado com plantas de milho, o gado atinge 400 quilos em apenas 2 anos. Com esta técnica vamos garantir o abastecimento de carne ao mercado de forma mais rápida, e com qualidade», assegurou Roberto Pam.

Um novo sistema de desenvolvimento integrado da produção agropecuária, que está a ser implementado nas comunidades agrícolas. Os agricultores estão a ser formados, para mudar de mentalidade e absorver a nova técnica.

O impacto do centro agro-pecuário a nível da produção de carne e ovos é significativo. Anteriormente os criadores de aves tinham que importar os pintos. Situação que provocava um aumento do preço no mercado, uma vez que o criador tinha que reflectir no preço de venda, o custo de compra dos pintos no estrangeiro, assim como o preço de transporte até São Tomé.   galinha.jpg

Actualmente o centro agro-pecuário, assegura a reprodução dos pintos e vende aos criadores nacionais. Semanalmente são produzidos mais cerca de 800 pintos. Nas primeiras três semanas os pintos ficam sob cuidado da equipa técnica do centro que depois entrega ao criador. Segundo Roberto Pam, quando completar 12 semanas o frango de carne já está pronto para ser vendido. Por cada pinto produzido o centro cobra ao criador apenas 30 mil dobras, cerca de 1, 5 euros.

Para além de abrir um novo ciclo de produção agro-pecuária, o centro já conseguiu colocar no mercado nacional e internacional, novas espécies de frutas tropicais. Em parceria com os agricultores, novas espécies de goiabas, carambolas, e outras frutas, estão a conquistar mercados. Confirmação do embaixador de Taiwan em São Tomé e Príncipe, Chung Chen. «Já temos compradores em Portugal que estão a importar as goiabas. Também introduzimos uma espécie de chá, chamada mussua, que é muito apreciada. O objectivo é ajudar a aumentar a receita das famílias», pontuou.

Apoio técnico e financeiro de Taiwan, dá mais uma vez provas, aos são-tomenses de que existe um enorme potencial agro-pecuário, que pode sustentar o desenvolvimento económico do arquipélago.

Abel Veiga

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