Terminal Link adia início das obras de construção do Porto de Fernão Dias num momento de instabilidade financeira no seio do grupo CMA CGM

Publicado em 19 Jan 2010
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cma-cgm-anemone-1.JPGComo o Téla Nón tinha relatado com base na imprensa francesa, o grupo CMA CGM proprietária da Terminal Link, conseguiu acordo com instituições credoras para a injecção de 500 milhões de dólares, nas suas finanças em 2010. No entanto notícias divulgadas em Paris na última semana, indicam que os bancos ainda não disponibilizaram os fundos a favor da CMA CGM. O sindicato da empresa já começou a protestar. Tudo na mesma altura em que o Director da Terminal Link – STP, Olivier Tretout, anunciou ao Governo são-tomense que as obras de construção do porto em águas profundas em Fernão Dias, que deveriam iniciar este ano ficam adiadas para 2011.

É um balde de água fria para a política do governo de Rafael Branco de transformar o arquipélago numa placa giratória de prestação de serviços no golfo da Guiné. O único projecto com este fim que dava sinais de evolução, a construção do porto em águas profundas em Fernão Dias, foi adiado para 2011. É um balde de água bem fria também para a economia nacional, porque na última avaliação do FMI sobre a situação macroeconómica do país, o início das obras de construção do porto em águas profundas previsto para 2010 , foi indicado como o principal factor que poderia galvanizar a economia nacional em neste ano. Agora está tudo adiado para 2011.

As obras do porto em águas profundas, está avaliado em 570 milhões de dólares. Um projecto de interesse estratégico para a economia nacional, e que por isso mesmo transformou a empresa executora, a Terminal Link, filial da CMA CGM, numa referência informativa no Téla Nón. O grupo francês, terceira maior do mundo no transporte de contentores, está a viver momentos de alguma dificuldade, consequência da crise financeira internacional que provocou nos últimos anos, grande retracção no mercado de transporte de marítimo.

Em Dezembro de 2009, a imprensa francesa deu conta de uma profunda reestruturação na administração do grupo francês. Reforço de accionistas e a injecção de 500 milhões de dólares para alimentar a liquidez da empresa, foram os destaques.

As instituições credoras assinaram acordo com a administração da empresa, mas segundo a imprensa francesa a injecção de capital ainda não foi feita. Por isso na última semana sindicato da empresa, manifesta-se inquieto com a situação. «CMA CGM, não pode aguardar por mais tempo que os bancos respeitem os seus compromissos. Se os fundos não são disponibilizados as consequências serão enormes, principalmente a nível do emprego», declarou o representante sindical.

O sindicado da CMA CGM, que dá emprego a 17 mil pessoas em todo o mundo, ameaçou tomar outras medidas caso os bancos não desbloqueiem os 500 milhões de dólares necessários para reanimar as finanças da empresa. Dentre outras acções os responsáveis sindicais prometeram avançar com manifestações de bloqueio dos portos franceses.

Através da imprensa francesa, o Téla Nón, apurou que o conselho de administração da CMA CGM, reuniu-se esta segunda – feira, em busca de uma solução para a crise financeira que afecta a empresa.

Com a empresa mãe em busca de equilibro financeiro, a Terminal Link que abriu escritório em São Tomé, para construir porto de águas profundas em Fernão Dias, anunciou ao governo de Rafael Branco que as obras inicialmente previstas para 2010, ficam adiadas para 2011. Garantia do director da Terminal Link, Olivier Treout, após encontro com o Primeiro Ministro.

Abel Veiga