CMA – CGM empresta dinheiro nas Arábias

cma-cgm.jpgA empresa que o estado são-tomense concedeu direitos para construir o porto de Águas Profundas em Fernão dias, terá conseguido esta semana empréstimo financeiro de 1 bilhão de dólares, cerca de 740 milhões de euros. Em dificuldades financeiras como consequência da crise mundial que afectou o sector dos transportes marítimos, a CMA-CGM, dona da Terminal Link, já adiou por um ano o início das obras de construção do porto de Fernão Dias.

A notícia que dá conta do empréstimo feito pela CMA – CGM junto a uma instituição financeira do Qatar, veio ao público pela revista La Lettre de l’Expansion. Segundo a nota da Autoridade de investimento do Qatar, divulgada pela  La Lettre de l’Expansion, o grupo árabe vai injectar 1 bilhão de dólares cerca de 740 milhões de euros nas finanças da terceira maior empresa mundial de contentores a CMA-CGM. As negociações prosseguem, explica por sua vez a Agência France Press, e o acordo deverá ser assinado em Outono próximo.

Propriedade de Jacques Saadé, a CMA CGM, tem 360 navios que circulam nas mais importantes rotas marítimas mundiais. Tem mais de 16 mil empregados e até Junho passado registava nas suas contas dívidas superiores a 4 biliões de euros.

Em dificuldades financeiras a administração da empresa decidiu pela primeira vez, abrir o seu capital social aos investidores. Para além da Autoridade de Investimento do Qatar, anunciada como possível accionista da CMA – CGM, apesar de não ter havido qualquer confirmação oficial, por parte da administração da empresa, a AFP, explica que o grupo francês Butler Capital Partners e o banco americano Goldman Sachs, terão manifestado interesse em participar no capital social da CMA-CGM que até o momento não está cotada na bolsa internacional.

O Governo são-tomense considera o projecto de construção do porto em Águas Profundas em Fernão Dias, como sendo a principal jóia da visão estratégica de transformação do arquipélago numa placa giratória de prestação de serviços na região do golfo da Guiné. O projecto concedido a Terminal Link, filial da CMA – CGM está avaliado em 500 milhões de dólares.

Estando a empresa em dificuldades financeiras, tendo já adiado o início das obras de construção do porto em águas profundas para 2012, a visão estratégica do executivo deve acompanhar os novos sinais.

A possível entrada de novos accionistas no capital social da empresa, incluindo mesmo o estado francês bastante interessado na manutenção financeira da CMA – CGM que garante mais de 4 mil empregos em França, deve despertar as autoridades são-tomenses, para o exercício de uma diplomacia activa e estratégica em Paris ou em Marselha onde está sediada a empresa, de forma a que São Tomé e Príncipe não venha a cair na lista de questões adiadas sine die.

Abel Veiga

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