Autoridade Conjunta confirma negociações entre a companhia petrolífera francesa Total e a americana Chevron Texaco para transferência de direitos de exploração do bloco 1 da zona de exploração conjunta com a Nigéria

olegario-tiny.jpgA intenção da petrolífera francesa Total em adquirir os direitos da companhia norte americana Chevron Texaco na exploração do bloco 1 da zona conjunta Nigéria-São Tomé e Príncipe, foi anunciada por um jornal inglês. Em entrevista ao Téla Nón, Olegário Tiny um dos directores executivos da Autoridade Conjunta, confirmou que a autoridade conjunta já foi informada sobre as entre as duas companhias petrolíferas. Para o Director da Autoridade Conjunta o interesse da Total sobre o bloco 1, satisfaz as aspirações dos dois países porque vai dar celeridade ao processo de exploração do ouro negro na zona conjunta.

O bloco 1 da zona conjunta São Tomé e Príncipe-Nigéria foi leiloado em 2003. Foi o bloco que arrecadou maior proposta 123 milhões de dólares, e foi considerado como o bloco mais promissor em termos de existência de recursos petrolíferos. Mas infelizmente desde a realização dos primeiros furos em 2006, não se registou qualquer outra evolução no bloco 1, no sentido da exploração ou de prossecução dos furos de testes.

A Chevron Texaco operadora e detentora de 51% de participação no bloco, disse que encontrou petróleo mas não em quantidade comercializável. Recentemente a imprensa inglesa deu conta que a companhia francesa Total estava interessada em explorar o bloco 1, e que estava a negociar com a Chevron Texaco a compra dos direitos de exploração.

Olegário Tiny, Director Executivo da Autoridade Conjunta para o Departamento de Recursos não Petrolíferos, considera que um possível acordo entre a Total e a Chevron Texaco vai acelerar o processo de exploração de petróleo na zona conjunta.

Tudo porque a Total já está a operar no bloco 249 nas águas territoriais da Nigéria que é vizinho do bloco 1 da zona conjunta. «Tendo em conta que já se comprovou no bloco 1 da JDA, a existência de hidrocarbonetos nomeadamente petróleo, restando saber se a quantidade é ou não comercial. Ainda que não seja comercial para uma exploração independente, estando esse bloco associado a um outro bloco onde já se está a produzir, ele pode ser bastante viável. Eu não estou a dizer que o bloco 1 passando a produção neste momento não seja comercial. Porque comercial pode ser uma coisa para Total e pode ser outra para Chevron, ou para a Addax ou outra empresa mais pequena», referiu Olegário Tiny.

Para o director executivo da Autoridade Conjunta, o bloco 1 poderá ser complementar as actividades da companhia Total no bloco 249 da Nigéria. «Caso se verifique este acordo, vai-se fazer a associação da produção, uma “unitização” das reservas dos dois blocos e a produção em conjunto. Isso irá viabilizar ainda mais os hidrocarbonetos existentes naquela área. Por outro lado vai apressar o processo de exploração na zona conjunta. Porque ao invés de se seguir todas as fases previstas no contrato de realização de mais furos de testes, estando associado a um processo de exploração avançado, tudo vai adiantar bastante», precisou Olegário Tiny.

Um acordo entre as duas companhias, e que permita a operacionalidade da Total no bloco 1, satisfaz segundo Olegário Tiny os interesses da própria autoridade conjunta, órgão criado pela Nigéria e São Tomé e Príncipe para administrar a zona conjunta de exploração de petróleo. «O fundamental neste processo, é vermos na nossa perspectiva quais são os nossos interesses. Em termos de nossos interesses na área é claramente mais vantajosa para nós os dois países que integram a autoridade conjunta que haja expedientes mais rápidos. Porque São Tomé e Príncipe por exemplo está sempre a dizer quando é que virá o petróleo. E isso vai permitir ganhar precisamente uns dois anos nesse processo, e começarmos a ter dividendos mais cedo», fundamentou.

No entanto Olegário Tiny confirma que a autoridade conjunta tem sido informada sobre as negociações. «Esses contactos já chegaram ao conhecimento da Autoridade Conjunta através da própria Chevron. Fomos informados do que se passa em termos dos contactos existentes e estamos a espera de uma formalização dos termos precisos dessa possível transacção, para que nos pronunciemos sobre essa transacção. Em princípio não nos parece haver problemas maiores», pontuou Olegário Tiny.

Mas para a Total assumir as responsabilidades de exploração do bloco 1, como principal operador, há caminhos exigentes a percorrer. A Autoridade Conjunta acredita que o acordo entre as duas companhias pode acontecer brevemente, mas tudo vai passar por uma profunda avaliação, antes de dar luz verde a Total. «É indispensável para a JDA que a nova empresa que entra tenha determinados pressupostos, nomeadamente tem que ser suficientemente forte do ponto de vista financeiro e institucional, e dar garantias financeiras e técnicas para que possa substituir a Chevron que é uma das maiores empresas do sector petrolífero e possa fazer com sucesso o trabalho que a Chevron deveria fazer», avisou.

Questionado se a Total não é uma empresa competente na matéria petrolífera, Olegário Tiny, respondeu que a Total está no grupo das 6 ou 7 maiores empresas petrolíferas do mundo. Mesmo assim, a autoridade conjunta terá que ter garantias de viabilidade das operações no bloco 1. «É necessário que nestas situações se saiba que entidade é que representará a Total nessa transacção com a Chevron. Será necessário saber que capacidade financeira e técnica terá essa entidade. Porque uma coisa é Total, mas no grupo Total há muitas empresas. Por exemplo a Total que está na Nigéria não é juridicamente a mesma empresa que está em França ou noutro país. Portanto precisa-se fazer essa análise detalhada sobre todos os aspectos relevantes do ponto de vista técnico e financeiro», acrescentou.

Companhia francesa Total, poderá ser o próximo parceiro de São Tomé e Príncipe e da Nigéria na tentativa de exploração de petróleo na fronteira marítima comum, em parceria com a Exxom Mobil que detém 40% do bloco e a Equity Energy Ressources com 9%.

Abel Veiga

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    Michel Responder

    É melhor STP optar por a empresa Total… sempre tem mais responsabilidade social.
    Quanto a chevron… só lhes interressa o Petrol…

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