Economia

Vendas de automóveis na Rússia aumentaram 77% no primeiro trimestre

É um dos temas do boletim económico da Rússia. O Primeiro Ministro da Rússia Vladimir Putin(na foto)anunciou também que o maior país do mundo deve apresentar produtos competitivos no mercado internacional.

Abril de 2011

DIÁRIO ECONÓMICO

Fonte: RIA – NOVOSTI e imprensa diária

Putin diz que Rússia necessita de apresentar produtos competitivos no mercado mundial

1 de Abril – RIA Novosti

O primeiro-ministro Vladimir Putin pronunciou-se por juntar os esforços do Estado, da comunidade científica e das empresas em torno de projectos inovadores que permitam apresentar produtos de alta tecnologia e competitivos no mercado global.

“O formato de plataforma tecnológica permite aliar os esforços do Estado, da ciência, da educação e das empresas em torno de um projecto de inovação radical que gere tecnologias, produtos e serviços de ponta e, o que é mais importante, que sejam atractivos a nível comercial”, assinalou Putin, que presidiu esta sexta-feira a uma reunião da comissão governamental para a inovação e altas tecnologias.

O critério básico para avaliar o sucesso de tais plataformas é “o fabrico de produtos competitivos que tenham realmente procura no mercado externo e interno”, disse.

O Ministério do Desenvolvimento Económico, segundo ele, recebeu propostas relativas a mais de 180 projectos de plataformas tecnológicas. A comissão governamental deverá analisar e aprovar uma lista de 25 em “áreas que definem a nova ordem tecnológica global, tais como a medicina, biotecnologias, sector energético, indústria aeroespacial, tecnologias nucleares, de informação e telecomunicações”.

Durante a reunião, Putin qualificou o processo de recuperação da economia russa como “bastante estável” e disse que o objectivo é “apoiar esta dinâmica positiva”. A produção industrial do país nos primeiros dois meses do ano cresceu 6,3% em relação a Janeiro-Fevereiro de 2010 e, na indústria transformadora registou-se um crescimento de 11,8%, segundo ele.

De seguida, Putin sublinhou a necessidade de “não nos centrarmos nos números do crescimento mas sim na qualidade e no conteúdo, na modernização da economia e na ampla introdução de inovações”.

O primeiro-ministro já pôde conhecer alguns frutos da inovação na indústria automóvel nacional. O magnata metalúrgico Mikhail Prokhorov, dono da segunda maior fortuna da Rússia, levou à residência de Putin em Novo-Ogariovo (arredores de Moscovo) os primeiros protótipos de veículos híbridos – um hatchback urbano e um todo-o-terreno compacto – desenvolvidos pelo seu fundo de investimento Onexim.

Putin disse que irá deslocar-se num destes carros à residência do presidente Medvedev, onde se irá realizar proximamente uma reunião do Conselho de Segurança Nacional.

Putin já se sentou ao volante de uma série de veículos exóticos, entre os quais uma ceifeira-debulhadora, um comboio, um caça Su-27, um avião anfíbio Be-200 e até um bólide de Fórmula-1.
Governo russo planeia reduzir número de funcionários públicos

1 de Abril – Kommersant
O assessor económico do chefe de Estado russo, Arkadi Dvorkóvich, anunciou que a Administração Presidencial submeter-se-á proximamente a uma série de cortes mas recusou especificar a sua envergadura, escreve o jornal Kommersant.

O número de funcionários públicos no país deve ser reduzido, em princípio em 20% até 2013, segundo os planos do presidente e do Governo.

Recordemos que as tentativas de reduzir o funcionalismo público começaram em 2002, no quadro da reforma administrativa, que visava reduzir as funções excessivas dos órgãos executivos federais e melhorar a qualidade da Administração Pública. No entanto, o número de funcionários públicos no país continuou a crescer.

Face à crise económica e financeira, a Rússia viu-se obrigada a cortar as despesas orçamentais. Em meados de Fevereiro de 2009 foi anunciada a redução de, pelo menos, 100 funcionários no Gabinete da Presidência. Mas essa medida nunca chegou a ser implementada.

Em 2010, o presidente Medvedev, no seu discurso anual no Parlamento, propôs reduzir em 20% a Administração Presidencial (que emprega cerca de 100.000 pessoas).

Segundo os cálculos do Ministério das Finanças da Rússia, com este corte, o país pode poupar cerca de 37.000 milhões de rublos (920 milhões de euros) anualmente.


Medvedev quer que ministros se retirem dos conselhos de administração de empresas

2 de Abril – RIA Novosti

Nenhum membro do Governo deverá pertencer a conselhos de administração de empresas a partir do próximo 1 de Outubro e alguns responsáveis da Administração Presidencial deverão retirar-se dessas estruturas até meados do presente ano, por decisão do presidente Medvedev, anunciada este sábado.

Arkadi Dvorkóvich, assessor económico do líder russo, precisou que funcionários de nível inferior, por exemplo, vice-ministros ou vice-chefes de departamentos, poderão permanecer nos conselhos de administração mas não dirigi-los.

Também assinalou que esta medida não foi debatida na recente reunião realizada em Magnitogorsk, onde Medvedev anunciou uma série de medidas para melhorar o clima de investimento na Rússia. O chefe de Estado decidiu inclui-la mais tarde na sua lista de encargos a diversos organismos do poder executivo.

Actualmente, vários membros do Governo fazem parte de conselhos de administração de empresas, como é o caso do ministro das Finanças Alexei Kudrin (banco VTB e grupo diamantífero Alrosa), o primeiro vice-chefe do Gabinete,Victor Zubkov (banco Rosselkhozbank, corporações Rosspirtprom e Rosagroleasing) e o vice-primeiro-ministro Igor Sechin (petrolíferas Rosneft e Rosneftegaz, grupo de electricidade RAO EES).

Os ministros da Defesa, da Energia, dos Transportes, da Agricultura e das Telecomunicações também conciliam o seu trabalho no Governo com cargos em conselhos de administração de diversas empresas.

Centro de Estudos de Economia faz o balanço do mercado de tecnologias de informação da Rússia

4 de Abril  – RIA Novosti

O portal Digit publicou hoje o primeiro ranking de 30 empresas russas de tecnologias de informação (IT) deste ano, elaborado por técnicos do RIA Analítica, Centro de Estudos de Economia, segundo os resultados de 2010.

A maioria das empresas da indústria IT nacional não publica relatórios financeiros, ao contrário das suas homólogas ocidentais. O ranking publicado pela RIA Analítica compensa em parte essa falta de transparência do mercado russo das tecnologias de informação.

Segundo o estudo realizado, o sector IT voltou a registar crescimento no ano passado mas não alcançou o nível que tinha antes da crise. Depois da queda de 12-14% em 2009, cresceu 13-15% em 2010, para
570.000-580.000 de rublos (cerca de 19.000 milhões de dólares). Para 2011 prevê-se um crescimento de 15-20%.

As empresas maiores do sector recuperaram duas vezes mais rapidamente que as restantes e ocuparam posições de liderança em 2010. As suas receitas aumentaram 30%. Entre as 30 maiores empresas de tecnologias de informação só há uma de Novossibirsk, Sibéria. As restantes são de Moscovo.

Fuga de capitais da Rússia foi de 21.399 milhões de dólares no primeiro trimestre de 2011

5 de Abril – RIA Novosti

O refluxo líquido de capitais privados da Rússia situou-se em 21.300 milhões de dólares no primeiro trimestre de 2011, segundo dados preliminares publicados hoje pelo Banco Central.

Ao longo de 2010, a Rússia perdeu capital privado no montante de 35.300 milhões de dólares, segundo a avaliação mais recente. O refluxo líquido de capitais no período de Janeiro-Março foi de 14.700 milhões de dólares

Se o petróleo russo é vendido este ano a um preço médio de 60 dólares por barril, o Banco Central prevê um refluxo líquido de capitais no valor de 15.000 milhões de dólares. Se o petróleo aumentar para 75 dólares por barril, que é o “preço-base” para o organismo regulador, a economia nacional poderá atrair capitais num montante líquido de 10.000 milhões de dólares e, no pressuposto de o preço subir para 90 dólares por barril, a entrada líquida de capitais será o dobro.

Vendas de automóveis na Rússia aumentaram 77% no primeiro trimestre

8 de Abril – RIA Novosti

A Rússia registou no primeiro trimestre deste ano um aumento de 77% das vendas de automóveis de passageiros e veículos comerciais ligeiros, em comparação com Janeiro – Março de 2010, informou hoje a Associação de Empresários Europeus na Rússia (European Business in Russia – AEB – sigla russa).

Nos primeiros três meses deste ano, venderam-se 517.304 automóveis ligeiros (de passageiros e comerciais) no mercado russo. As vendas de Março foram de 223.429 unidades.

Mark Ovenden, vice-presidente do comité de empresas automóveis da AEB, augura que o “crescimento em termos anuais irá desacelerando pouco a pouco”, principalmente, porque a base relativa já incluirá as vendas derivadas do programa governamental de troca de carros velhos. Não obstante, considera que “os resultados deste ano e de 2012 não irão defraudar as expectativas”, sempre e quando os preços do petróleo se mantenham em alta e a recuperação da economia nacional prossiga.

A AEB prevê para 2011 a venda de 2,24 milhões de automóveis no mercado interno mas David Thomas, presidente do referido comité, já mencionou a possibilidade de rever esta previsão em alta ao longo deste mês. No ano passado, a venda de automóveis ligeiros de passageiros e comerciais ligeiros aumentou 30%, para 1,9 milhões de unidades. Para 2012, segundo a AEB, as vendas irão recuperar o nível anterior à crise, ou seja, 2,8-2,9 milhões de unidades anuais.

Rússia ocupa quarto lugar entre os mercados automóveis da Europa

20 de Abril – RIA Novosti

Em Março passado, a Rússia passou a ocupar o quarto lugar, pelo segundo mês consecutivo, entre os mercados automóveis europeus, informou a agência Avtostat.

Em Março venderam-se 209.035 automóveis ligeiros de passageiros, o que equivale a um crescimento de 76,5% face ao mês anterior.

Em primeiro lugar está a Grã-Bretanha (366.101, -7,9%), em segundo a Alemanha, (327.921, +11,4%) e , em terceiro, a França (257.533, +6,1%).

Em 2009-2010, a Rússia tinha estado na quinta posição e, um ano antes, aspirou à liderança.

As marcas de automóveis mais vendidas na Rússia em Janeiro-Março de 2001 foram Lada (121.251 unidades, mais 69% que no primeiro trimestre de 2010); Renault (31.031, +93%), Chevrolet (31.003, +51%), Kia (30.250, +71%) e Nissan (27.629, +160%).

Putin apoia imposição de taxas e medidas proteccionistas na Rússia

12 de Abril  – Kommersant, Rossiyskaya Gazeta

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, apoiou a ideia do Ministério da Indústria e Comércio de aumentar as taxas de importação de bens de equipamento para o sector da energia, escrevem os jornais Kommersant e Rossiyskaya Gazeta.

Durante a reunião dedicada ao desenvolvimento do sector energético nacional, Putin chegou à conclusão que as importações de equipamento impedem o desenvolvimento da indústria nacional e a diminuição da dependência da economia das matérias-primas.

Segundo o director-geral da corporação estatal Rostechnologii, Serguei Chémezov, no que respeita ao preço e qualidade, os gigantes mundiais, com uma carteira de clientes na qual a Rússia representa 5-7%, ganham habitualmente os concursos de fornecimento de equipamentos para o sector energético russo. Assim, 80% dos equipamentos são importados.

Putin exortou os responsáveis a aplicar taxas e medidas antimonopólio contra tais importações e criticou o facto do Ministério da Economia não o ter feito antes. Segundo ele, não é necessário cumprir as regras da Organização Mundial do Comércio até o país aderir definitivamente a esta organização.

Putin assinalou que, se a Rússia continuar a aplicar os compromissos preliminares antes de aderir à OMC “não obterá qualquer benefício com a adesão”. “Irão perder todo o desejo de nos aceitarem no seu seio”, apontou.

Peritos independentes qualificam as perspectivas da economia russa como “confusas”

22 de Abril Nezavisimaya Gazeta

Esta quarta-feira, 20 de Abril, peritos independentes tornaram público um relatório sobre as previsões económicas até 2015, escreve o jornal Nezavisimaya Gazeta.

Os resultados do estudo, levado a cabo por analistas do Centro de Desenvolvimento da Escola Superior de Economia da Rússia, são pouco animadores. Ainda que os dados oficiais proporcionados pelo

Rosstat (Serviço Federal de Estatística) indiquem um crescimento económico e uma descida da taxa de inflação, os analistas do Centro duvidam da sua veracidade.

Os economistas consideram especialmente preocupante a queda dos rendimentos reais da população (menos 2,9% comparado com o ano passado) e a diminuição dos investimentos (menos 1,5%). Outro perigo é a significativa aceleração das importações.

Por outro lado, o agravamento do clima empresarial e a fuga de capitais do país anulam as vantagens que a Rússia tem tido devido à conjuntura favorável dos mercados internacionais, resultado dos altos preços do petróleo.

Segundo os economistas, até ao momento não se consolidou um modelo estável de desenvolvimento económico a médio prazo. Desta forma, as perspectivas da economia nacional apresentam-se “confusas”.

Rússia vai suspender em Maio exportação de gasolina para satisfazer procura interna

28 de Abril – RIA Novosti

A Rússia vai suspender no próximo mês de Maio a exportação de gasolina para poder satisfazer a procura no mercado interno, anunciou hoje o Ministério russo da Energia.

A gasolina converteu-se ultimamente num problema em várias regiões da Rússia, em particular em Altai, Tomsk, Novossibirsk, Irkutsk, Murmansk, São Petersburgo, Sacalina, Yaroslavl e Krasnodar: nalgumas destas regiões houve uma significativa subida dos preços e em outras a gasolina começa a escassear, o que gera uma procura ainda maior.

A Procuradoria-Geral da Rússia suspeita de um possível acordo de cartel para fazer aumentar os preços e o Serviço Antimonopólio já submeteu as maiores companhias petrolíferas a uma nova inspecção em grande escala.

O vice-ministro da Energia, Serguei Kudriashov, sugeriu hoje “satisfazer a procura em Maio à custa das exportações”. “Acordámos que as petrolíferas iriam enviar todas as quantidades para o mercado interno”; declarou o responsável à imprensa após ter mantido uma videoconferência com os executivos do sector.

Serguei Kudriashov recordou que a Rússia exportou um milhão de toneladas de hidrocarbonetos nos primeiros quatro meses deste ano, um terço do volume total de 2010.

Quem tira vantagens da “maldição” petrolífera?

Alexandre Zotin – Finance

A subida impressionante dos preços do petróleo no primeiro trimestre de 2011 faz lembrar a dinâmica dos preços em 2007-2008, mas a situação de hoje é bastante diferente dos acontecimentos de há três anos. Assim, segundo os dados da Energy Information Administration (EIA), em três das quatro maiores economias do mundo – Estados Unidos, União Europeia e Japão – a procura de petróleo está a diminuir nos últimos anos. Em 2010, quando a economia mundial mostrou alguns sinais de recuperação após a crise, o consumo cresceu apenas nos Estados Unidos (sendo inferior, contudo, ao nível de 2007), ao mesmo tempo que os consumidores europeus e japoneses diminuíram o consumo de petróleo. Ainda está longe para a parte desenvolvida do mundo alcançar os índices de consumo de petróleo de antes da crise: os países europeus que entram na Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico (OCDE) reduziram o consumo de 15,5 milhões de barris por dia para 14,4, o Japão – de 5 para 4,4 milhões de barris por dia, os Estados Unidos – de 20,6 para 19,1.

Entretanto, a tendência de diminuição do consumo no Ocidente é compensada pelo crescimento da procura por parte dos países em desenvolvimento. Assim, o consumo de petróleo nos países que não fazem parte da OCDE cresceu de 37 milhões de barris por dia, em 2007, para 40,6, em 2010. O líder nesta lista é a China, onde a procura aumentou em três anos em mais de 20 por cento: de 7,6 para 9,2 milhões de barris por dia. O aumento do consumo foi devido também aos “vizinhos” da China no BRIC – Índia, Brasil e Rússia: houve um restabelecimento económico rápido após a crise. Mas as forças dos países em desenvolvimento foram suficientes para ultrapassar o pico do consumo global de antes da crise, alcançado em 2007, quando o consumo mundial atingiu 86,3 milhões de barris por dia (em 2010 – já foi de 86,7). Contudo, subtraindo os ritmos muito altos de crescimento do consumo de petróleo na China (muitos analistas consideram que uma grande parte do acréscimo das importações chinesas não se destina ao consumo, sendo acumulado nas reservas petrolíferas estratégicas), temos até uma diminuição da procura.

A actual subida dos preços do petróleo não é provocada por um crescimento anémico da procura, mas pelos factores geopolíticos e especulativos. Contudo, os acontecimentos na Líbia não podem influir consideravelmente nos preços – este país no norte da África ocupa apenas o 12º lugar na lista dos maiores exportadores petrolíferos, com um volume das exportações de 1,5 milhões de barris por dia, ou seja menos de 2% do consumo mundial. Embora a Líbia forneça petróleo de alta qualidade, a perda de tal fornecedor de segunda linha não é crítica, levando em primeiro lugar em consideração que os países da OPEP acumularam no período da crise um grande volume de potências produtivas livres.

Pode-se supor que a causa de tão alto crescimento dos preços esteja ligada à situação na Arábia Saudita, o maior exportador de petróleo no mundo – 7 milhões de barris por dia. A Arábia Saudita é parte do mundo árabe, sacudido por convulsões sociais pelo quarto mês consecutivo. Os acontecimentos na Tunísia e no Egipto levaram rapidamente a uma guerra civil na Líbia e a distúrbios na Argélia, no Iémen, na Síria, em Omã e no Bahrein. Toda a região tornou-se muito instável e este factor obriga os analistas a sobrestimar os riscos de rotura das exportações da Arábia Saudita, o que seria um pesadelo para o mercado de hidrocarbonetos e a economia mundial em geral.

Em todos os raciocínios sobre o preço é necessário dar atenção a ambos os componentes – a oferta e a procura. O último componente também é indefinido. Para a economia, o crescimento dos preços do petróleo é praticamente equivalente a um imposto adicional sobre o consumo, que prejudica a capacidade de compra da população e piora a balança comercial dos países importadores de hidrocarbonetos. Assim acontece na maioria dos países desenvolvidos (à excepção de alguns grandes exportadores de petróleo, tais como o Canadá e a Noruega). É justo também para muitos países em desenvolvimento importadores de petróleo, porque neles as despesas com a alimentação e a energia constituem uma grande parte das despesas gerais em comparação com os países desenvolvidos.

Nos países desenvolvidos, a vulnerabilidade em relação aos altos preços do petróleo também é diferente. No preço final da gasolina na Europa, o preço do petróleo constitui cerca de metade e o resto são impostos. Nos Estados Unidos os impostos constituem um pouco mais de 10% e a alteração do preço do petróleo reflecte-se imediatamente nos postos de abastecimento. Contudo, os Estados Unidos, onde o consumo de petróleo per capita é o maior no mundo, têm um enorme potencial de poupança de energia, muito mais alto que na Europa. Levando em consideração que mais de metade do consumo mundial de petróleo diz respeito às necessidades dos transportes, a América pode concentrar-se no seu parque automóvel muito ineficaz do ponto de vista do consumo de energia.

Embora a procura de petróleo não seja elástica numa perspectiva de curto prazo por falta de alternativas que possam ser aproveitadas rapidamente, os consumidores alteram gradualmente os seus hábitos, tratando de minimizar as suas despesas de energia. O colapso do mercado de grandes jipes SUV nos Estados Unidos em 2008 pode servir de boa ilustração deste processo de adaptação aos altos preços. Logo que nos Estados Unidos os preços da gasolina começaram a ultrapassar 4 dólares por galão, as vendas dos SUV, chamados de gas guzzlers – devoradores de gasolina, caíram. No último ano, o mercado destes “tanques sobre rodas” dinamizou-se um pouco e será interessante observá-lo agora no período da nova subida dos preços do petróleo. Em algumas regiões dos Estados Unidos, o preço de um galão de gasolina já ultrapassou os 4 dólares. Em qualquer caso, as estatísticas de vendas de automóveis nos Estados Unidos nos últimos meses já mostram o crescimento do interesse de consumidores em relação aos híbridos, mais económicos.

Em muitos países, os governos tentam proteger a população do aumento dos preços da energia com a ajuda de subsídios. Ao que parece, graças aos subsídios, a procura de gasolina pela população não deve reagir fortemente à subida dos preços mundiais do petróleo, mas, na realidade, quem paga são o Estado ou as companhias privadas ou públicas, obrigadas a vender gasolina a preços artificialmente reduzidos. Neste caso, a balança orçamental e de comércio externo dos países importadores de petróleo piora inevitavelmente. Segundo os dados da International Energy Agency 2010 World Energy Outlook, os subsídios globais no sector do petróleo atingiram 280 mil milhões de dólares em 2008, diminuindo para 130 mil milhões em 2009, quando os preços caíram. Um novo recorde é possível em 2011. Pergunte-se: será ele suportado pelos orçamentos do Estado, já de si afectados pela crise económica mundial?

Estes efeitos dos altos preços do petróleo, que influem tanto nos consumidores, como nos orçamentos, são qualificados pela International Energy Agency (IEA) como “fardo petrolífero”, que se calcula como as despesas nominais com petróleo (procura multiplicada pelos preços mundiais) divididas pelo PIB nominal. Não se pode afirmar que o crescente fardo petrolífero provoque num determinado momento uma recessão global (embora tivesse sido assim nos anos 70, quando os preços subiram bruscamente), mas é evidente que ele agrava as consequências dos choques económicos e financeiros. Assim, a actividade económica nos países da OCDE estagnou ainda antes de o petróleo

passar de forma impressionante de 90 dólares por barril no fim de 2007 para 147 dólares em Junho de 2008. Embora a “grande recessão” tivesse sido provocada em primeiro lugar pelos acontecimentos no mercado financeiro, os altos preços do petróleo podem ser a “última gota”.

Actualmente, segundo os cálculos da IEA, o fardo petrolífero atingiu 5,4% do PIB global, ultrapassando o valor registado em 2008 (5,1%), quando atingiu o segundo maior índice na história (o maior valor foi registado em 1980 – ao nível de 8%). Este indicador supera o nível de 3,5-4% do PIB, “tolerável” para a economia mundial, que subentende os preços de 70-80 dólares por barril, confortáveis para os produtores. Hoje assiste-se a uma recuperação muito fraca após a crise, a uma política monetária muito branda e ao crescimento dos preços dos produtos energéticos e dos alimentos no pano de fundo da instabilidade na região mais importante para o mercado energético – tudo isto sintomas muito alarmantes para o futuro da economia mundial. Portanto, não se pode excluir a repetição do cenário de 2008 com saltos bruscos dos preços do petróleo – 90 dólares por barril no início do ano, 147 dólares – em meados do ano e 35 dólares – no fim.

Petrodólares permitiram à Rússia alguns meses de crescimento

Serguey Litovtchenko, Alexandre Dynin – RBK daily.

Uma conjuntura favorável nos mercados das matérias-primas impulsionou a economia russa. O Índice de Actividade Empresarial (IAE), calculado pela Associação de Gestores e publicado mensalmente pelo RBK Daily, registou em Abril um crescimento máximo anual. Mas a dinâmica instável dos componentes do índice testemunha que este crescimento pode cessar nos próximos meses. Os factores principais de incerteza continuam a ser uma alta inflação, o crescente volume das importações, o difícil acesso ao crédito e um fardo fiscal excessivo.

Em Abril, o IAE aumentou em 0,9% em comparação com Março, constituindo o valor máximo registado no ano. Desde o início de 2011, o índice cresceu em 1,6%, valor muito inferior ao registado no ano passado (4,4%). O valor absoluto do índice alcançou 186,7 pontos, estabelecendo mais um máximo anual. O crescimento foi devido a uma subida considerável dos índices industrial e comercial, ao mesmo tempo que a dinâmica dos restantes componentes continua a ter um carácter de estagnação.

Outro resultado importante do mês consiste em que pela primeira vez neste ano todos os componentes do IAE foram positivos. A dinâmica mensal comparativa de componentes continua a ser diferente, testemunhando que o crescimento em Abril é por enquanto instável e assenta principalmente no componente de matérias-primas. Por enquanto não se visualiza um modelo estável de crescimento da economia russa em perspectiva de médio prazo.

Infelizmente, tal resultado positivo, longamente esperado, pode durar pouco tempo devido aos crescentes problemas na economia mundial. A Rússia corre o risco de não obter investimentos estrangeiros apesar da intenção de facilitar as condições de investimento nos sectores económicos não estratégicos. No início do Verão será formado na Rússia um fundo de investimentos directos que irá co-financiar investimentos estrangeiros em projectos russos. Contudo, os investidores estrangeiros podem diminuir interesse em relação às economias em desenvolvimento.

Nos próximos cinco anos, a dívida de alguns países desenvolvidos irá aproximar-se de 100% do PIB, alcançando uma zona perigosa, não confortável para os mercados mundiais. Em primeiro lugar, preocupa a diminuição do prognóstico do rating dos Estados Unidos de “estável” para “negativo” pela Standard & Poor’s. Para cumprir os compromissos assumidos perante o G20, os Estados Unidos devem aplicar as medidas mais duras: no país já foram aumentados os impostos e reduzidas as despesas orçamentais, mas isso não será suficiente para compensar o possível défice orçamental em 2011. Tudo isso levará a uma diminuição considerável do consumo e agravará os velhos problemas dos “maus” endividamentos.

Em combinação com os problemas dos países periféricos da Europa e as consequências da catástrofe natural no Japão, isso pode levar a uma diminuição notável do consumo de matérias-primas. A economia mundial pode entrar em recessão se os preços do petróleo ultrapassarem 160-170 dólares por barril. Acrescentando os acontecimentos no Médio Oriente e no Norte de África, os problemas económicos mundiais não resolvidos significam para a Rússia possíveis reduções significativas das exportações e do volume de investimentos.

No entanto, a situação nos mercados internacionais favorece actualmente a Rússia. No “Relatório do Desenvolvimento Mundial – 2011”, o Banco Mundial referiu a Rússia entre os países em que o nível de rendimentos da população supera o índice médio e as receitas públicas adicionais provenientes do petróleo e gás no ano em curso podem constituir aproximadamente 1,138 triliões de rublos. Levando em consideração que os lucros em divisas crescem no pano de fundo do reforço do rublo e do crescimento das importações, podemos supor que por enquanto as “super-receitas” estimulam apenas esquemas especulativas e não a produção, pressionada por uma carga fiscal excessiva após a subida do imposto social para 34 por cento.

O sector petrolífero foi o principal estimulador da economia em 2000-2005. Entre 2000 e 2008, o preço do petróleo subia em 20-25% ao ano e a economia da Rússia crescia, em média, em 7 por cento. Em 2005-2008, a economia cresceu à conta de um boom de consumo. Actualmente, este mecanismo não funciona mais: todas as tentativas de estimular o consumo aceleram o crescimento das importações e da inflação. Uma nova fonte de crescimento podem ser os investimentos, mas para isso são necessárias reformas estruturais. A estagnação de tal componente do IAE como o indicador de avaliações e de expectativas empresariais confirma-o plenamente. Se o empresariado não sentir mudanças, a dinâmica do índice pode transformar-se rapidamente de positiva em negativa.

Os resultados de Abril permitem supor que o melhoramento do clima de investimento deve tornar-se uma das principais tarefas do Governo em 2011. É necessário que os investimentos em 2011 cresçam em pelo menos 7 por cento.

O crescimento notável de receitas de exportação pode contribuir também para os investimentos no seu próprio capital. Mas a combinação da crescente inflação e da subida do preço do petróleo no período pré-eleitoral aumenta consideravelmente os riscos de aumento de despesas sociais “acima do plano” (não previstas), que podem impulsionar o consumo e, por conseguinte, os ritmos de crescimento das importações. Um crescimento mais estável e qualitativo só é possível à custa do aumento da competitividade dos produtores nacionais, mas a pressão da inflação e as perspectivas do reforço do rublo irão impedir que este objectivo seja alcançado.

Deste modo, a dinâmica dos componentes do IAE em Abril comprova que por enquanto se trata de um crescimento de recuperação. A economia apenas compensa as perdas causadas durante a crise. As potências produtivas paradas por causa de uma procura insuficiente começam a restabelecer-se e em breve o coeficiente da sua utilização aproximar-se-á do nível da primeira metade do ano 2008. Para continuar a crescer, é necessário aumentar o nível do emprego e de investimentos.

A produção industrial cresceu no primeiro trimestre em 5,9% em comparação com o período análogo de 2010, mas, ao mesmo tempo, os preços ao produtor subiram em 6,9 por cento. O afrouxamento dos ritmos de crescimento da produção industrial e dos preços grossistas diminui a probabilidade de que o Banco Central elevar as taxas de juro em Abril. Os preços grossistas cresceram em 1,3% em comparação com os 3,3% registados no mês anterior. Pelos vistos, em condições de créditos caros, os produtores tentam obter meios adicionai, aumentando os preços grossistas e impulsionando ao mesmo tempo a inflação. Por seu lado, para lutar contra a inflação, o Banco da Rússia endurece a sua política. Entretanto, se não houver choques externos, a produção industrial, em geral, já se restabelecerá neste ano alcançando o nível de antes da crise. Os prognósticos de crescimento da indústria em 2011 oscilam ao nível de 4,4%, mas a qualidade deste crescimento assenta nos preços dos produtos energéticos e não em soluções inovadoras.

Quatro meses foram necessários para que as autoridades compreendessem que a subida do Imposto Social Único para 34% foi um erro. O presidente deliberou baixá-lo para 28 por cento. O Ministério das Finanças, encarregado de estudar variantes da sua redução, propõe transferir uma parte do fardo fiscal para o consumo, por exemplo, aumentando os impostos indirectos. O Estado espera estimular os investimentos nacionais e estrangeiro, diminuindo o fardo fiscal. Mas o empresariado já foi prejudicado. Muitas empresas reduziram ao máximo os salários oficiais para não pagar um imposto social, que consideram “um roubo”.

Esta política contraditória do Governo reflecte-se nos componentes do IAE. Apesar do crescimento de todos os componentes, a sua dinâmica teve um carácter misto, o que testemunha a falta de uma tendência única e um crescimento instável. Por exemplo, lidera no crescimento o índice industrial que aumentou em 2,4%, no segundo lugar está o índice comercial com 1,6 por cento. Os restantes componentes subiram de forma insignificativa. O índice de consumo aumentou em 0,4%, o índice financeiro – em 0,3%, o índice da base de recursos e o índice muito sensível de avaliações empresariais cresceram apenas em 0,2 por cento. Ao mesmo tempo, a dinâmica dos dois últimos índices foi positiva e a dos índices financeiro e de consumo – negativa. Estes resultados provam a falta de um plano nacional de ultrapassagem da crise que seja compreensível para a comunidade empresarial.

Os resultados de Abril são em geral positivos, mas eles foram obtidos graças à conjuntura dos mercados mundiais e não graças ao nosso Governo. Contudo, não se pode negar os esforços das autoridades. A comunidade empresarial tenta adaptar-se ao trabalho em condições de constantes mudanças, mas, por enquanto, é bastante alto o grau de incerteza tanto no nosso país, como no mundo. Contribuem para isso também os acontecimentos políticos na véspera das eleições parlamentares e presidenciais. Em primeiro lugar tal diz respeito à solução dos problemas sociais em prejuízo do desenvolvimento económico geral e portanto o pessimismo na avaliação da situação corrente ainda é bastante grande. A economia cresce passando para a estagnação, enquanto a nossa produção cede totalmente às importações em muitos segmentos dos mercados. Neste contexto, a estagnação de quatro dos seis componentes do IAE leva-nos a pensar na necessidade de acelerar a reestruturação da economia.

O problema dos ETFs para a Rússia

27 de Abril – Rossyiskaya Gazeta

O mercado de acções da Rússia tem sido a grande estrela deste ano, mas os analistas temem que esse aumento da importância dos ETFs – abreviação de Exchange Trade Fund, uma unidade negociável na Bolsa de Valores como se fosse uma acção, mas que reúne um número variável de acções –  faça com que qualquer correcção seja repentina e brusca.

Os mercados emergentes estão em alta – em parte porque eles têm tido uma recuperação mais sólida da crise global do mercado de acções em 2008. Depois de ignorarem a ascensão dessas economias por boa parte dos anos 90, os principais investidores acordaram para os grandes lucros que podem obter nesses mercados em um período de tempo relativamente curto, e recorreram aos ETFs como estratégia. No entanto, os investidores de longo prazo dos maiores mercados emergentes alertam que esses fundos são efectivamente hot money e podem desestabilizar os mercados de acções de crescimento mais rápido. O mercado de acções da Rússia tem sido a grande estrela deste ano, mas, uma vez que a economia é cada vez mais dependente do petróleo, os analistas temem que esse aumento da importância dos ETFs faça com que qualquer correcção seja repentina e brusca.

O atractivo dos ETFs é que, ao contrário dos fundos mútuos, eles são negociados como uma troca mútua e podem ser negociados como uma acção. Isso quer dizer que os investidores podem instantaneamente entrar e sair de um fundo. Porém, como qualquer outro fundo mútuo, o fundo subjacente é baseado em uma cesta de acções que proporcionam diversidade, que é o alicerce de qualquer investimento em longo prazo em uma classe de activos de risco. Eles também têm baixo custo e situação fiscal vantajosa.

“De diversas maneiras, o desenvolvimento paralelo entre os fundos ETF e os casos de investimento nos mercados emergentes tem sido uma feliz coincidência”, disse Chris Weafer, director de estratégia da UralSib, em Moscovo. “Os ETFs têm desfrutado de uma enorme onda de interesse dos investidores que desejavam botar os pés sobre os mercados em ascensão, já que podem oferecer uma visibilidade mais ampla e aprofundamento em áreas específicas”.

Poucos teriam pensado que os mercados emergentes seriam beneficiados com essas negociações, mas foi isso que ocorreu à medida que os mercados desenvolvidos se enterram em um buraco de dívidas. O rendimento dos investimentos nos mercados emergentes tem sido bastante satisfatório nos últimos dois anos, e o mercado da Rússia tem sido um dos que apresenta melhor desempenho em todo mundo, até aproximadamente 150% em 2009 e 22% em 2010.

A maioria dos ganhos em 2010 se deu em outros mercados emergentes, mas a Rússia é que apresenta melhor desempenho de entre os países do BRIC esse ano, até 15% superior aos demais ao longo dos três primeiros meses de 2011.

O líder do índice RTS superou a psicologicamente importante marca de 2.000 em Março, já que a avaliação das acções russas ultrapassou os valores pré-crise pela primeira vez em dois anos; espera-se que o RTS ultrapasse sua marca máxima de 2.487,92 no fim desse ano.

A Rússia está agora a atrair uma quantidade considerável de capital estrangeiro, e a consultoria EPFR Global afirma que os novos fluxos de dinheiro para os fundos focados na Rússia chegaram a 486 milhões de dólares na última semana de Março, partindo dos 139 milhões da semana anterior. Até o fim de Março, os activos sob gestão em fundos dedicados à Rússia bateram um novo recorde de alta, rompendo a marca dos 20 bilhões de dólares, segundo a UralSib. Metade deste valor está agora em ETFs.

“Os investidores de ETF continuam a aumentar a exposição na Rússia. Notavelmente, quase todos os fluxos de capital que entraram nos fundos russos são provenientes dos ETFS, que é uma continuação da tendência de grandes influxos por ETFs, iniciada no fim do ano passado”, afirmou Weafer.

Graças à natureza dos ETFs, os gestores de fundo afirmam que eles aumentam a volatilidade ao actuarem como hot money – investimentos altamente especulativos com intenção de ganhos a curto prazo. O assunto foi levado à pauta na Rússia no meio de Março, quando todos os mercados de acções nos mercados emergentes promoveram uma liquidação à medida que os mercados desenvolvidos começaram a demonstrar sinais de recuperação.

“O mercado russo não está a seguir esta tendência. Sendo um mercado emergente complicado, a Rússia recebeu uma parcela desproporcionalmente baixa do portfólio de investimento que escapou do Ocidente após a crise de crédito. Tendo absorvido muito menos dinheiro do Ocidente, a Rússia tem sido menos susceptível a lucros”, disse Liam Halligan, economista-chefe do Prosperity Capital Management (em português, Gestão de Prosperidade de Capital), um fundo dedicado à Rússia.

A fresta de esperança que surge com o aumento dos ETFs é que, sendo o principal veículo de investimento, a palavra “Rússia” entrou no vocabulário dos consultores financeiros que vendem fundos para pequenos investidores e para investidores institucionais mais conservadores.

“Os influxos de ETF [para Rússia] reflectem o facto de o país estar a ser agora cada vez mais citado entre os principais investidores profissionais como um mercado com boas perspectivas para 2011, e deste ano em diante”, disse Halligan.

É um processo educativo que acabará beneficiando a todos, mas, enquanto isso, os investidores estão à espera de um caminho instável, como preocupações com a agitação no mundo árabe e, por tabela, com os gestores de fundo dos preços internacionais do petróleo. Se os ETFs se assustarem com a queda dos preços de petróleo, uma saída colectiva poderia causar uma correcção acentuada nos preços das acções russas.

“Esses fluxos de fundo são bastante sensíveis às tendências de preço do petróleo e de outras commodities. Isso sustenta um cenário positivo para o Brasil e Rússia agora, mas aumenta o risco de uma maior volatilidade do mercado quando os preços das commodities se estabilizarem ou caírem”, disse Weafer.

Num sinal precoce de preocupação, o Market Vectors TR Russia ETF (RSX), o ETF russo mais listado nos EUA, aumentou bruscamente sua venda a descoberto (em inglês, short selling) de fundos russos no fim de Fevereiro, segundo a Bloomberg. Essa prática consiste na venda de acções emprestadas, na esperança de comprá-las mais tarde por um preço mais baixo e então retorná-las ao emprestador.

Outros investidores apontam para as ainda baratas avaliações das acções: os valores das acções russas numa base preço/lucro são os mais baixos dentre os 21 principais mercados emergentes, de acordo com a Bloomberg. “A Rússia está em excelente estado actualmente”, disse Julian Mayo, gestora financeira de Londres que ajuda a supervisionar cerca de 3,5 bilhões de dólares nos países em desenvolvimento na Charlemagne Capital Ltd., e possui poderosas holdings. “Creio que a Rússia vai continuar a mostrar o melhor desempenho”.

    4 comentários

4 comentários

  1. Bejunto Aguiar

    10 de Maio de 2011 as 19:05

    Ainda não entendi muito bem os boletins da Russia. Porque a Russia? Ou porque não a China ou EUA?

    • 1982

      10 de Maio de 2011 as 22:11

      Caro amigo Benjunto,”Estamosjuntos” no pensamento.

      Também não entendo muito bem estas publicações. As vezes fico sem perceber a apostas que se faz na ineficiência da gestão dos recursos.

      Sem querer me meter na gestão do jornal penso que deveriam apostas em publicações que produzissem retorno (considerando a importância e o número de interações ou de visitas ao site que elas geram).

      Gostaria que vissem a minha intervenção como uma contribuição para a saúde financeira do site uma vez que considero de muito útil a existência desse fórum.

  2. Sindical

    11 de Maio de 2011 as 11:23

    Se a moda Russa pega, nenhum Director Geral, de São Tome e Principe pode ser coordenador de projectos!!
    Essa é boa. Na Russia, aqui não!

  3. SEAT Exeo

    15 de Junho de 2011 as 19:38

    A Russia com os petrodolares e outras coisas assim é sempre a crescer, não sei o sistema do Putin, mas que há investimento lá isso há

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