Banco Mundial prevê deslocação do poder económico para os países emergentes

Até 2025, o centro de crescimento económico ir-se-á deslocar dos países desenvolvidos para as economias emergentes, ao passo que o dólar deixará de dominar o sistema monetário internacional, segundo previsões do Banco Mundial.

SECTOR DE IMPRENSA E CULTURA

Maio de 2011

BOLETIM ECONÓMICO

Fonte: RIA – NOVOSTI e imprensa diária

Marca russa de crude Urals atinge máximo histórico desde 2008

3 de Maio  – RIA Novosti

A marca de crude Urals, a principal marca de exportação da Rússia, alcançou em Janeiro-Abril uma média de 106,32 dólares por barril, o máximo histórico dos últimos três anos, informou hoje Alexander Sakóvich, do Ministério das Finanças.

O preço do barril aumentou 29,38 dólares em relação ao mesmo período de 2010, tendo superado em 9,82 dólares o recorde dos primeiros quatro meses de 2008, antes da crise financeira global.

“No passado mês de Abril, a Urals alcançou uma média de 119,44 dólares por barril, face aos 82,52 dólares um ano antes”, disse Sakóvich.

Os preços do petróleo continuam em alta devido às revoltas populares e no Norte de África e no Médio Oriente. Desde Março passado que superam os níveis anteriores à crise. Os orçamentos da Rússia estão calculados com base num preço médio do petróleo de 75 dólares por barril e um défice estimado em cerca de 3,6% do PIB, mas altos responsáveis das Finanças e do Banco Central já insinuaram a possibilidade de o défice se reduzir a zero se os preços do petróleo se mantiverem acima dos 115 dólares por barril.

Primeiro troço submarino do gasoduto Nord Stream está pronto

5 de Maio – RIA Novosti

Já está concluído o primeiro troço do gasoduto Nord Stream, através do fundo do Mar Báltico, informou hoje a operadora do projecto, a empresa Nord Stream AG.

As três secções do primeiro troço serão unidas no fundo do mar no Verão deste ano. O gasoduto completo será submetido a testes, antes de entrar em exploração, no quarto trimestre de 2011.

“O gasoduto permitirá reforçar a segurança energética da Europa. O Nord Stream unirá a Europa aos maiores jazigos russos de gás durante os próximos 50 anos. Cabe assinalar que este projecto, com um orçamento de 7.400 milhões de euros, está a ser implementado com base em investimentos privados.

Dada a preocupação quanto à energia nuclear e à instabilidade no Norte de África, o gasoduto torna-se ainda mais importantes, tanto para a Europa como para a Rússia”, disse o director executivo do Nord Stream, Matthias Warnig.

O gasoduto, com uma extensão de 1.220 quilómetros, passa pelo fundo do Mar Báltico, desde Viborg (Rússia) até Greifswald (Alemanha).

A colocação em exploração do primeiro troço, com capacidade de 27.500 metros cúbicos de gás por ano, está prevista para o último trimestre deste ano. A construção do segundo troço até 2012 permitirá aumentar a capacidade do gasoduto para 55.000 milhões de metros cúbicos.

A empresa de gás russa Gazprom já assinou contratos a longo prazo para o fornecimento de gás via Nord Stream com vários países da União Europeia, nomeadamente com a Alemanha, Dinamarca, Países Baixos, França e Grã-Bretanha.

De momento, a Nord Stream AG é participada pela russa Gazprom (51%), as alemãs Wintershall Holding e E.ON Ruhrgas (15,5%, cada uma), pela francesa GDF Suez e pela holandesa Gasunie (9%, cada uma).

Superavit comercial da Rússia baixa 2,2% no primeiro trimestre de 2011

6 de Maio – RIA Novosti

O superavit do comércio externo da Rússia desceu 2,2% no primeiro trimestre de 2011 em relação ao mesmo período de 2010, situando-se em 52.600 milhões de dólares, informou hoje o Serviço Federal de Alfândegas. (FTS – sigla em russo).

“O superavit comercial foi de 52.600 milhões de dólares, 1.200 milhões de dólares menos que em Janeiro-Março de 2010”, indica um comunicado da FTS.

As trocas comerciais no referido período originaram um superavit de 173.000 milhões de dólares, o que equivale a um aumento de 29,9% em comparação com Janeiro-Março de 2010.

As exportações no primeiro trimestre aumentaram 22,3% em relação ao período homólogo, tendo alcançado 112.800 milhões de dólares; as importações, 47,1%, para 60.200 milhões de dólares.

Accionistas da TNK-BP bloqueiam aliança estratégica entre a BP e a Rosneft

10 de Maio – RIA Novosti

A petrolífera anglo-russa TNK-BP e o seu accionista russo, o grupo AAR, conseguiram bloquear nos tribunais uma aliança estratégica entre a BP e a companhia estatal russa Rosneft, escreve hoje o diário Kommersant.

O Tribunal de Arbitragem de Estocolmo determinou na passada sexta-feira que a transacção não poderá consumar-se a menos que a Rosneft aceite a TNK-BP como parceiro nos seus projectos de exploração petrolífera na plataforma continental do Árctico. Executivos da Rosneft afirmaram em várias ocasiões que tal não é possível. A BP planeava trocar 5% das suas acções por 9,53% da Rosneft, uma aliança estratégica que foi anunciada em meados de Janeiro passado e iria levar a projectos conjuntos na plataforma do Árctico. Mas o grupo AAR protestou contra a transacção, alegando que a TNK-BP tem direito prioritário de implementar projectos petrolíferos dos seus accionistas no território da Rússia e da Ucrânia. Também há restrições legais que impedem a BP de realizar investimentos estratégicos em outras empresas do sector.

O futuro da transacção dependerá agora de a BP acordar com a Rosneft a incorporação da TNK-BP no projecto árctico, possibilidade que a imprensa questiona. Porta-vozes da Rosneft recusam de momento questionar o veredicto do tribunal mas altos executivos da empresa descartaram no passado a colaboração com a TNK-BP na plataforma do Árctico. A troca de participações, tal como estava planeado inicialmente, já não é possível. Também há muito pouco espaço para fórmulas de compromisso. Vários peritos citados pelo Kommersant assinalam que as partes, muito provavelmente, optarão por renunciar completamente à transacção.

Moscovo exclui concessão de crédito à Bielorrússia com dinheiro do Estado

11 de Maio – RIA Novosti

A Federação da Rússia não prevê conceder créditos à Bielorrússia com base no Orçamento de Estado, declarou hoje o ministro das Finanças russo, Alexei Kudrin.

O ministro acrescentou que o dinheiro será proveniente do fundo anti-crise da Comunidade Económica Euro-Asiática.

A Bielorrússia poderá receber cerca de 1.000 milhões de dólares anuais entre 2011 e 2013, explicou Kudrin.

O responsável acrescentou ser conveniente que Minsk peça créditos igualmente ao Fundo Monetário Internacional, já que o dinheiro a receber da CEEA não será suficiente.

Também disse que o governo bielorrusso deveria anunciar a privatização de empresas atractivas para os investidores estrangeiros, o que permitiria obter mais 2.000 milhões de dólares.

A Bielorrússia pediu ao Governo russo um crédito de 1.000 milhões de dólares e mais 2.000 milhões ao fundo anti-crise da CEEA, a fim de estabilizar a situação no mercado de divisas.

A CEEA é integrada pela Rússia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão e Tajiquistão.
Banco Mundial prevê deslocação do poder económico para os países emergentes

18 de Maio – RIA Novosti
Até 2025, o centro de crescimento económico ir-se-á deslocar dos países desenvolvidos para as economias emergentes, ao passo que o dólar deixará de dominar o sistema monetário internacional, segundo previsões do Banco Mundial.

As economias emergentes do Brasil, Rússia, Índia, China, Indonésia e Coreia do Sul crescerão em média 4,7% ao ano entre 2011 e 2025, devendo a sua quota-parte na economia mundial aumentar de 36% para 45%, ao passo que as economias desenvolvidas só crescerão 2,3% ao ano no mesmo período, refere um relatório do Banco Mundial intitulado Horizontes de Desenvolvimento Mundial 2011.Multiporalidade: a Nova Economia Mundial.

“O rápido desenvolvimento das economias emergentes já provocou uma mudança de tal forma que os centros de crescimento económico estão distribuídos entre as economias desenvolvidas e em desenvolvimento. Já estamos num mundo verdadeiramente multipolar”, disse o economista-chefe e vice-presidente do Banco Mundial, Justin Yifu.

Por sua vez, o principal autor e gestor de Tendências Mundiais Emergentes do Banco Mundial, Mansoor Dailami, prevê que nos próximos dez anos, a envergadura da China e a rápida globalização das suas empresas e dos seus bancos irão dar à moeda chinesa um papel mais importante”.

“O mais provável é que o panorama monetário internacional em 2025 se caracterize pela presença de múltiplas moedas, com predomínio do dólar, do euro e do iene”, disse.

Integração na Comunidade Económica Euroasiática ajudou os seus membros a enfrentar a crise

19 de Maio – RIA Novosti

O primeiro-ministro russo Vladimir Putin, ao intervir hoje numa reunião do conselho interestatal da Comunidade Económica Euro-Asiática (CEEA), assinalou que a cooperação entre os seus membros durante a crise contribuiu em grande medida para estabilizar as suas economias.

“Ficou assim provada a eficácia da Comunidade como uma das estruturas integracionistas no espaço euro-asiático”, disse.

A CEEA está a aperfeiçoar-se. A 1 de Janeiro de 2012 começará a funcionar o organismo de arbitragem.

O início do funcionamento há um ano da União Aduaneira entre a Bielorrússia, o Cazaquistão e a Rússia já deu resultados palpáveis. Os volumes do comércio entre os três países quase duplicaram neste período, indicou.

Segundo o primeiro-ministro russo, outro passo importante para conseguir uma maior integração será a formação do Espaço Económico Único. Putin disse estar certo de que a criação do mercado comum no quadro da CEEA – com mais de 170 milhões de pessoas e um capital global de dois biliões de dólares – permitirá incentivar a cooperação económica e os investimentos.

“Tanto a União Europeia como o Espaço Económico Único estão abertos a novos membros. O Quirguistão já mostrou interesse em aderir a estas estruturas. Também recebemos sinais nesse sentido do Tajiquistão”, assinalou Putin.

Gazprom interessada em participar na privatização de empresas de gás na Grécia

25 de Maio – RIA Novosti

A Gazprom não exclui a possibilidade de participar na privatização de empresas de gás na Grécia, disse hoje o vice-presidente da holding russa, Alexandr Medvédev.

“Vamos ver em que condições e que oferecerá a Grécia para a privatização”, assinalou.

O programa de privatizações aprovado pelo Governo grego a 23 de Maio, prevê a venda de empresas e património avaliadas em 50.000 milhões de euros até 2015. Ao adoptar tal medida, a Grécia confia em aliviar um pouco o fardo da sua dívida externa e cumprir um dos requisitos básicos para poder beneficiar de empréstimos por parte da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional.

As autoridades gregas planeiam, em particular, diminuir a participação do Estado na companhia de gás nacional DEPA de 65% para 34%.

A DEPA fornece fundamentalmente gás a grandes clientes industriais, assim como às empresas locais fornecedoras deste combustível.

Fuga de capitais atingiu o máximo desde 2006

Kommersant

O agravamento dos problemas da dívida na Europa obrigou os investidores a reduzir a presença nos mercados em desenvolvimento. Segundo os dados da Emerging Portfolio Fund Research (EPFR), numa semana de Maio (de 11 a 18), os investidores ocidentais retiraram mais de 1,6 mil milhões de dólares de todos os mercados em desenvolvimento. Durante duas semanas consecutivas assiste-se a uma retirada de capitais dos fundos que investem em activos russos. Entre 11 e 18 de Maio, estes fundos perderam um valor máximo desde Junho de 2006 – 353 milhões de dólares.

Os dados da EPFR testemunham que os investidores voltaram a retirar os capitais dos mercados em desenvolvimento. Na semana que terminou a 18 de Maio, os respectivos fundos perderam um pouco mais de 1,6 mil milhões de dólares, montante que supera em mais de seis vezes o volume captado pelos fundos na semana antecedente (265 milhões de dólares). Assiste-se também a uma retirada de meios dos fundos GEM (Global Emerging Markets) que perderam 684 milhões de dólares entre 11 e 18 de Maio.

Os fundos que investem na Rússia e nos países da CEI não são uma excepção. Segundo os dados da EPFR, neste período, foram retirados dos fundos orientados para a Rússia 353 milhões de dólares, ou seja, cinco vezes mais do que na semana anterior (71 milhões). Este foi o máximo valor registado desde Junho de 2006, quando os fundos perderam quase 583 milhões de dólares em sete dias. Naquela altura, os investidores venderam todos os activos de risco face à crescente inflação nos países desenvolvidos e por causa dos receios da subida das taxas pela Reserva Federal dos Estados Unidos, o Banco Central Europeu e o Banco do Japão.

A actual fuga tem outras causas. “Os principais receios dos investidores estão ligados à Europa, onde se decide se é necessário conceder mais dinheiro à Grécia ou admitir um default praticamente inevitável de um dos membros da zona europeia”, diz o chefe do Departamento Analítico da Arbat Capital, Serguey Fundobny. O agravamento dos problemas da dívida aumentou o número de pessimistas entre os gestores dos fundos de investimento. Segundo os dados do Bank of America Merrill Lynch, o número de gestores que acredita no crescimento da economia mundial nos próximos 12 meses igualou-se de facto ao número daqueles que não esperam crescimento.

A causa principal da fuga de capitais dos fundos orientados para a Rússia foi a estagnação dos preços do petróleo no mercado mundial. “Após a queda dos preços em 15-17% no início de Maio, a retirada de meios da Rússia por investidores não residentes era inevitável, podendo ser travada apenas por uma subida não menos brusca dos preços petrolíferos, o que não aconteceu”, aponta o chefe do Departamento de Venda de Acções do Banco de Moscovo, Dmitry Skvortsov. Na última semana de Maio, o petróleo BRENT aumentou apenas em 0,1%,  alcançando o preço de 123,8 dólares por barril. Nas palavras do director da Simargl Capital, Dmitry Sadovy, hoje são poucas as pessoas que acreditam que os preços do petróleo podem subir mais.

Energia e ecologia

Open Economy – Opec.ru.

A Rússia praticamente não desenvolve a economia alternativa. A sua reserva de quotas ecológicas no quadro do Protocolo de Quioto estima-se em 90 mil milhões de euros e apenas no fim de 2010 foram aprovados os primeiros projectos no valor de aproximadamente 900 milhões de euros. Podemos perdê-la já no fim de 2012, adverte o director do Centro de Economia do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais da Escola Superior de Economia, Gueorguy Safonov.

Uma visão unilateral da segurança energética

No palco internacional, a Rússia propõe discutir os problemas da segurança energética, mas de facto as autoridades do país não estão dispostas a discutir todos os seus componentes. A garantia da segurança energética é uma tarefa trilateral.

O primeiro componente é a garantia da segurança energética propriamente dita, ou seja um fornecimento ininterrupto e seguro de recursos energéticos, inclusive de energia eléctrica e térmica e de produtos energéticos. No mundo, que se torna cada vez mais global, o corte do fornecimento de energia numa região leva frequentemente a problemas não apenas dentro do sistema energético nacional, mas também mundial.

O segundo componente é a política ambiental, isto é a solução de problemas ecológicos ou a prevenção do seu surgimento e do seu agravamento, inclusive no processo de fornecimento de energia aos consumidores. Os padrões e normas ecológicas russas não correspondem às exigências contemporâneas e são estabelecidas com base em antigos princípios, frequentemente ainda do tempo soviético. A solução principal dos problemas da poluição do meio ambiente foi inventada há mais de 40 anos – o aumento do consumo de gás natural em vez da instalação generalizada de estruturas de limpeza e de filtros que reduzam as emissões para a atmosfera no processo de produção da energia. Assumimos uma “pausa de gás” para inventar posteriormente, numa altura oportuna, como captar e filtrar substâncias nocivas resultantes da combustão do carvão, que abrangem praticamente toda a tabela periódica de Mendeleiev: metais pesados, substâncias cancerígenas, radioactivas, etc. Passou um tempo, mas não inventámos nada. Agora, em resultado, a Estratégia Energética – 2030 assenta num aumento brusco de consumo de carvão – produto energético ecologicamente perigoso (hoje existem tecnologias de combustão “limpa” de carvão, mas no nosso país quase ninguém fala delas).

O terceiro componente é a luta contra mudanças climatéricas, a diminuição da emissão de gases de efeito estufa para a atmosfera. O mundo desenvolvido está seriamente preocupado com este componente da segurança energética, mas a Rússia ignora por enquanto de facto o problema da mudança do clima apesar dos acontecimentos alarmantes no Verão de 2010 na parte europeia da Rússia (quando mais de 50 mil pessoas morreram por causa do fumo e do calor e não se sabe quantas pessoas adoeceram e sofreram por esta razão). A análise do esquema geral de instalação de estruturas de energia eléctrica mostra que o país pretende aumentar a produção de energia eléctrica à conta da subida da eficácia da produção de energia, da redução do consumo de combustível para a sua produção e do aumento dos volumes de combustão de gás natural (em 35%) e de carvão (em 36%) para 2020. Por enquanto não se sabe se a Rússia precisa de facto de tanta energia e quais serão as consequências ecológicas. A atitude da Rússia continua a ser  de “frieza” em relação aos problemas do aquecimento do clima.

A luta pelos mercados

Nas conversações internacionais, especialmente com a Europa, a Rússia declara que pode garantir um fornecimento seguro de produtos energéticos. Corresponde aos “nossos” interesses construir gasodutos, aumentar a extracção de gás e de outros hidrocarbonetos. Algumas pessoas continuam a considerar que devemos utilizar ao máximo as nossas potencialidades e extrair hidrocarbonetos na medida do possível ou, mais tarde, a economia mundial pode não precisar dos nossos recursos de petróleo, gás e carvão. Esta posição, contudo, é pouco perspicaz, mas aplica-se desde há muito na Rússia, tornando cada vez mais dependente do petróleo a economia do país, reforçando as oligarquias e a corrupção, formando barreiras praticamente insuperáveis para a aplicação da política de modernização e diversificação. Compreende-se perfeitamente que este interesse principal deixa do lado os problemas da mudança do clima e o cumprimento de exigências e normas ecológicas.

Outro risco para as exportações energéticas russas é a redução do mercado de consumo. Os países europeus comprometeram-se a reduzir para 2050 as emissões nocivas para a atmosfera em 80% em relação ao nível de 1990. Para tal, a Europa deverá comprar menos recursos energéticos (mesmo a plena passagem de carvão para o gás não permitirá cumprir este compromisso). Por outro lado, a luta pelo mercado de consumo por parte da Rússia e de outros fornecedores será muito séria. A Rússia coloca-se como tarefa aumentar as exportações de gás (estamos a construir o Nord Stream e o South Stream, pretendemos duplicar a potência do Blue Stream), mas será que o país conseguirá vender realmente tanto combustível?

Actualmente, o mais prometedor é o mercado asiático, onde, para além do Japão, não há nenhum país que tenha as emissões nocivas limitadas. Há uma grande tentação de reorientar as exportações energéticas para a China, que já se transformou na maior fonte de emissões de CO2 resultantes da produção de energia, ultrapassando os Estados Unidos e tornando-se a segunda economia mundial, superando o Japão em 2010. Aqui há também um perigo potencial, se não forem levados em consideração os riscos de a China se dedicar seriamente à política ambiental e assumir os compromissos de limitação de emissões de gases estufa após 2020, quando forem construídas todas as grandes infra-estruturas necessárias para as exportações energéticas Por que razão a China irá fazê-lo? Tudo é muito simples. Hoje o país ocupa o primeiro lugar no mundo na produção de energia eólica e solar. A China pretende desenvolver largamente as modernas tecnologias na área das fontes de energia alternativas e da eficácia energética. Esta é uma prioridade do país para os próximos anos. Os planos e programas da China testemunham a colossal envergadura dos resultados já alcançados e as perspectivas ainda mais impressionantes. Para alargar a presença no mercado mundial, a China precisa de limitações da emissão de gases de efeito estufa, o que estimulará a procura das suas tecnologias e permitirá superar quaisquer concorrentes nos mercados da Europa, dos Estados Unidos, do Japão e de outros países. Por outro lado, as medidas voltadas para elevar a eficácia energética e reduzir emissões na própria China permitirão que aquele país diminua a emissão de substâncias nocivas nos próximos tempos. Para tal, serão utilizados os modernos métodos ambientais, criando, em particular, um mercado de quotas de hidrocarbonetos em 2015.

Será que os projectos energéticos russos de orientação asiática serão vulneráveis em relação à procura de energia? Seremos capazes de competir com os fornecedores de gás natural liquefeito que se vende a preços de mercado e não a preços contratuais, com o gás turcomeno, com outros tipos de produtos energéticos? A resposta não é evidente.

A Rússia deve prestar especial atenção aos tipos alternativos de produtos energéticos. No futuro, quando a seguir ao mundo, na Rússia também aparecer um “preço” da emissão de CO2, fontes de energia alternativas terão especial procura. Hoje na Rússia o carvão custa cerca de 50 dólares por tonelada e não existem quaisquer limitações ecológicas sérias e portanto hão há estímulos para pensar em fontes de energia alternativas. Ao mesmo tempo, a União Europeia está disposta a comprar o carvão biológico (carbono “limpo” produzido de massa biológica) a mais de 200 euros. Na UE funciona um esquema de venda de quotas e cada tonelada de CO2 “emitida” custa a uma companhia responsável cerca de 15 euros. Imagine-se quanto custam a uma grande central de energia eléctrica as emissões anuais de 120 milhões de toneladas de CO2.

À procura de alternativas

Um projecto nacional de desenvolvimento de fontes de energia alternativas deve tornar-se estratégico para a Rússia. Levando em consideração as tecnologias já existentes, poderíamos começar a produzir carvão biológico e combustível líquido de segunda geração a partir de resíduos de madeira e de outra massa biológica. Este é um mercado de exportação enorme. O combustível de massa biológica é considerado como climaticamente neutro. Daí as preferências por este tipo de combustível e outras fontes de energia alternativas na política da União Europeia e dos Estados Unidos (Obama coloca objectivos muito ambiciosos na área da energia “limpa” e uma grande parte do pacote de estímulo económico no período da crise foi enviada para este sector). Contudo, as potencialidades do combustível de primeira geração produzido a partir de colza e de outros artigos alimentares são praticamente esgotadas e não resolvem cardinalmente o problema. A introdução de tecnologias de segunda geração à base da transformação de resíduos agrícolas ajudaria a Rússia a conquistar um grande nicho no novo mercado, tanto mais que o país ainda tem inventores de tais tecnologias.

Actualmente, na balança energética da Rússia, as fontes renováveis de energia equivalem a menos de um por cento, prevendo-se elevar a sua quota-parte para 4,5% em 2020. Contudo, não há por enquanto sérias decisões e medidas práticas para cumprir este plano. Mas o tempo passa. Para as fontes de energia alternativas é reservado um papel insignificante e elas não se consideram como um artigo importante das exportações. Não são empreendidas acções reais para ultrapassar a dependência do petróleo e do gás.

Conclusão: a Rússia continua a orientar-se para os recursos acessíveis, tradicionais e para a exportação de produtos com alto teor de energia. A tradicional prodigalidade russa continuará a ser mantida também no futuro, porque é vantajosa para os produtores de recursos energéticos que garantem o crescimento do nosso PIB. À primeira vista, quanto mais for produzido e consumido, será melhor. Como podemos, porém, alcançar desta forma os objectivos da modernização e da elevação da eficácia energética?

A Rússia dispõe de um enorme potencial de desenvolvimento de todas as fontes de energia renováveis – vento, sol, energia térmica, energia das ondas e de massa biológica. Segundo as avaliações do Instituto de Estratégia Energética, o nosso potencial economicamente acessível e vantajoso do ponto de vista de investimentos de meios constitui aproximadamente um terço de toda a energia primária produzida no país. Ao mesmo tempo, tecnologicamente, o potencial acessível é 60 vezes maior. Mas na Rússia é mais fácil queimar carvão barato do que desenvolver aquilo que será útil dentro de dez anos.

Vendem-se quotas de CO2

De acordo com o Protocolo de Quioto, a quota russa de emissão de gases de efeito estufa é superior ao volume real de emissões e o país poderia vender quotas no mercado mundial, investindo os meios obtidos no desenvolvimento de tecnologias. Hoje, o Sberbank e o Ministério do Desenvolvimento Económico respondem em conjunto pela venda e a distribuição de quotas do nosso país. A meu ver, a economia de quotas na Rússia entre 2008 e 2012 constituirá cerca de 6 mil milhões de toneladas de CO2. Aos preços actuais, será mais de 90 mil milhões de euros. Logo que a vigência do Protocolo de Quioto terminar, esta economia desaparecerá. Nas conversações em Cancún, em Dezembro de 2010, a Rússia declarou oficialmente que renuncia à participação no segundo período da acção do protocolo. E enquanto não houver o período seguinte, não será possível transferir o resto das quotas.

A situação é surpreendente. A nossa delegação fazia os possíveis para garantir condições cómodas de participação nos acordos climatéricos e agora ele própria deixa-os escapar. Ao contrário do Japão, disposto a pagar muito dinheiro pelo cumprimento dos compromissos de Quioto, e do Canadá, que não cumpre os seus compromissos no quadro do Protocolo, a Rússia respeita todos os compromissos, não sofre quaisquer prejuízos e tem todas as possibilidades de captar milhares de milhões de dólares e investi-los em projectos de eficácia energética, etc.

Acontece que renunciamos não apenas à quota poupada, mas também a todo o volume de absorção de CO2 pelas florestas (são cerca de 600 milhões de toneladas de CO2), assim como à participação em mecanismos internacionais de cooperação – projectos de realização conjunta e de venda de quotas. Não dispondo de uma quota após 2012, tudo isso ser-nos-á inacessível. Os peritos e observadores nas conversações não podem compreender esta posição.

Contudo, ainda não é tarde para alterar a posição nas conversações. Outros países estão dispostos a apoiar-nos nisso. Na situação actual, renunciando à continuação do Protocolo de Quito e exigindo unir os dois processos negociais (sobre a Convenção e o Protocolo de Quito), não será possível alcançar um acordo internacional nos próximos 4-5 anos devido à evidente resistência da maioria republicana nas duas câmaras do Parlamento dos Estados Unidos. E sem a América não haverá um acordo universal. Portanto, a alternativa para a Rússia continua a ser a não participação em projectos e programas internacionais, a falta de acesso aos investimentos e tecnologias carboníferas, a renúncia ao desenvolvimento com base no baixo consumo de CO2, o qual se tornou uma prioridade para muitos países do mundo.

A aprovação de projectos carboníferos através do Sberbank é hoje o único mecanismo para a participação de companhias russas na obtenção de receitas da redução de emissões de gases de efeito estufa. Já foram aprovados 33 projectos com o valor total de receitas de cerca de 600 milhões de euros. Estão previstos ainda dois concursos, no mínimo, para a selecção de projectos.

Mesmo levando em consideração que nem todos os possíveis projectos podem passar através do Sberbank, isso é melhor do que nada. Mesmo se for possível vender pelo menos 150-200 toneladas de CO2, os lucros constituiriam 1,5-3,0 mil milhões de euros, montante muito útil para as companhias russas após a crise económica global, embora ínfimo em comparação com 140 mil milhões de dólares do mercado mundial de quotas.

Entre os compradores interessados figuram estruturas internacionais (como o Banco Mundial), grandes corporações, fundos privados e governamentais do Japão e da Europa. A Rússia pode e deve vender quotas, que hoje têm procura e altos preços. A reserva russa de quotas é uma mercadoria real até 2012, mas após este ano, quando o Protocolo de Quioto terminar, o seu destino é desconhecido. Contudo, já hoje ignoramos praticamente estes recursos, ao mesmo tempo que o país precisa como nunca de dinheiro para investimentos e a modernização.

A Rússia é um grande e pródigo país. Extraímos e gastamos enormes recursos de energia. Obtivemos uma grande quota de emissão de gases de efeito estufa, mas não a utilizamos. Preferimos medir os sucessos com o crescimento do PIB, que não inclui nem a ecologia, nem a saúde das pessoas, nem o clima. É surpreendente que, mesmo quando há possibilidades únicas de aproveitar os mecanismos económicos internacionais, aplicar tecnologias avançadas externas e nacionais, captar investimentos “do ar” e começar a avançar no mercado crescente de fontes alternativas de energia, etc., nem temos a vontade de pensar seriamente nisso.

PayPal planeia entrada no mercado russo e olha para a CEI

27 de Maio, Rossyiskaya Gazeta

Sem medo da corrupção, que afastou outras empresas do sector, a empresa está de olho num mercado cujas vendas cresceram 40% apenas em 2010.

O sistema de pagamento electrónico PayPal está a planear sua entrada na Rússia num momento em que a modalidade começa a descolar.

Só em 2010, as vendas on-line cresceram 40% no país, segundo o director da Associação Russa de Comunicações Electrónicas, Serguei Plugotarenko, e espera-se que esse volume aumente em 17% neste ano, chegando a 245 biliões de rublos.

A Rússia possui um dos mercados de internet que mais rapidamente cresce no mundo, e o número de compradores registou um aumento expressivo nos últimos três anos.

“A quantidade de pessoas ligadas à internet duplica a cada 18 meses e, no fim de 2010, atingiu o total de 57 milhões de pessoas no país”, afirma Plugotarenko.

As ligações de banda larga crescem cerca de 3% ao mês e a penetração atingiu 29,7% em Dezembro, segundo relatório da AC&M-Consulting.

A maioria dos novos acessos é de regiões mais remotas da Rússia, onde os moradores geralmente vêem a internet como uma ferramenta educacional e uma forma de mostrar o mundo aos seus filhos.

O número de utentes na Sibéria cresceu 4,3% somente em Dezembro, ultrapassando os índices de Moscovo.

O crescimento das vendas online, entretanto, tem um avanço lento, já que ainda é muito difícil pagar por produtos e serviços.

“A baixa penetração dos cartões de crédito faz com que seja difícil receber dos clientes, mesmo quando eles estão dispostos a pagar por alguma coisa”, afirma o proprietário da livraria virtual Bookmate.ru, Simon Dunlop.

“Em algumas empresas russas como o Yandex.Dengi e WebMoney, embora seja possível fazer pagamentos on-line, é necessário antes inserir créditos na conta por meio de transferência bancária. A única maneira de fazer compras instantâneas é usando o serviço de mensagem de texto [SMS], o que as torna extremamente caras”, completa.

Por esse método, o cliente envia um SMS para um número especial com o pedido e a cobrança é descontada do saldo do aparelho. No entanto, as empresas de telefonia cobram até 40% do valor da compra pelo serviço, segundo Dunlop.

Assim, menos de 25% dos usuários de internet na Rússia fizeram compras pela internet em 2010, de acordo com Plugotarenko.

Paralelamente, o rendimento total gerado pelos anúncios virtuais aumentou 40% no ano passado, passando para 26,7 bilhões de rublos.

Mercado à vista

Com esse cenário, o PayPal teria tomado a “decisão estratégica” de entrar no mercado virtual russo, de acordo com o periódico de negócios russo RBC.

A empresa norte-americana estaria apenas a aguardar a aprovação de leis referentes ao sistema de pagamento nacional para abrir seu escritório no próximo ano.

A iniciativa do PayPal vai na contramão de outras empresas virtuais norte-americanas como a CompuServe, que em 1998 cortou acesso à Rússia alegando que muitos hackers haviam criado contas falsas ou usado números de cartões de créditos roubados ou falsificados, acumulando enormes encargos sobre os serviços.

O PayPal está mais confiante em relação ao potencial do mercado e já está em negociações com os provedores de internet locais e empresas de telefonia móvel.

“Em linhas gerais, a empresa não está interessada somente na Rússia, mas na CEI (Comunidade dos Estados Independentes) como um todo”, descreve o RBC.

Em 2009, os principais sistemas de pagamento on-line no país, Yandex.Dengi e WebMoney, foram responsáveis por 90% das transacções no mercado virtual russo, segundo a Associação de Dinheiro Electrónico. Portanto, o PayPal terá que enfrentar uma concorrência já estabelecida.

A WebMoney foi fundada em 1998 e registada em Belize, país da América Central onde seu proprietário e administrador vive. Originalmente programada para atender clientes russos, a empresa vem crescendo rapidamente e hoje afirma ter mais de 14 milhões de utentes pelo mundo todo.

Números 40%

foi o aumento das vendas on-line russas no ano passado. Espera-se que o número cresça 17% esse ano

Exportação de cereais será reiniciada na Rússia

30 de Maio – Vesti.ru

Em vigor desde Agosto do ano passado, o embargo foi cancelado pelo primeiro-ministro Vladimir Putin.

“A partir de 1º de Julho, vamos desembargar a exportação dos cereais”, declarou Vladimir Putin, primeiro-ministro russo, durante encontro com o primeiro-vice Viktor Zubkov. A interdição está em vigor desde Agosto de 2010.

“Temos o objectivo de trabalhar e assegurar de maneira mais firme, como nos últimos anos, o funcionamento do Ministério da Agricultura e de outros departamentos e instituições financeiras. Queremos apoiar os nossos produtores agrícolas no difícil período de sementeiras, que ainda está a ser realizado em algumas regiões, e especialmente na época da colheita”, disse Pútin.

Nas suas palavras, “é necessário acompanhar esse sector da economia da maneira mais próxima possível. Devemos apoiar os nossos produtores agrícolas com todos os meios que dispomos”. “O fim do embargo dos cereais representa uma dessas medidas e visa ajudar os produtores agrícolas que são capazes de exportar”, declarou o primeiro-ministro à agência ITAR-TASS.

Zubkov comunicou que, actualmente, cerca de 10 milhões de hectares de cereais estão a ser semeados na Rússia, superando em 10% o índice do ano passado. “Nesse ano, apesar da Primavera ter chegado de 10 a 12 dias mais tarde, os trabalhos estão a correr bem”, salientou.

De acordo com o vice-primeiro-ministro, “as medidas tomadas pelo governo para fornecer às empresas agrícolas combustível, sementes e fertilizantes deram resultado. Apesar de a Primavera ter demorado a chegar, hoje o ritmo da produção está mais alto do que no ano passado”.

“No inverno, o estado dos cereais é aceitável. Temos certeza de que neste ano a colheita não será má”, completou.

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    zé cangolo Responder

    um artigo tem que ser assiando

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    Fe em Jesus Responder

    Ze Zangado deixa de criticas e ajuda o estado a governar. Todo o STomense podera dar a sua contribuicao. Tamos a falar de um facto real q todos bons investigadores sabem e vc ai em sua casa qure assinatura. Pra que tanta existencia.

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