Economia

Um em cada quatro russos trabalha após a reforma

Uma colaboração de Filipe Samba, em Boetim Económico da Rússia.  Um em cada quatro russos trabalha depois de se aposentar, durante seis anos em média, segundo um estudo divulgado hoje pelo organismo nacional de estatística, o Rosstat.

BOLETIM ECONÓMICO

Fonte: RIA – NOVOSTI e imprensa diária

Projecto Sahalin 2 permite à Rússia conquistar novos mercados de gás

RIA Novosti

A companhia Sakhalin Energy, operadora do projecto Sakhalin 2 (Extremo Oriente russo), produziu em três anos mais de 30 milhões de toneladas de gás natural  liquefeito, o que permitiu à Rússia ter acesso a novos mercados de gás, informou hoje a RIA Novosti uma responsável da companhia.

“A nossa empresa produziu e exportou em três anos mais de 30 milhões de toneladas de gás natural liquefeito, o que equivale a 40.000 milhões de metros cúbicos de gás natural e excede os fornecimentos anuais de gás à Alemanha, país que ocupa o primeiro lugar nas importações de gás natural russo”, disse.

A empresa Sakhalin Energy iniciou as operações em Fevereiro de 2009 na parte sul da ilha de Sacalina. A sua capacidade estimada é de 9,6 milhões de toneladas anuais, o que equivale a 5% da produção mundial de gás natural líquido.

O Japão adquiriu em 2011 quase 70%  do gás natural liquefeito (mais de 7 milhões de toneladas) produzido pela Sakhalin Energy. A Coreia do Sul ocupou o segundo lugar. A companhia também exporta para a Tailândia e China. Em 2010, a Índia, e até o Kuwait, rico em petróleo, também adquiriram gás natural liquefeito produzido na Sacalina.

Com a aposta na exploração da empresa Sahalin Energy, a Rússia conseguiu conquistar novos mercados mundiais de gás. Anteriormente, apenas exportava esse hidrocarboneto para os países da Europa e CEI.

Um em cada quatro russos trabalha após a reforma

RIA Novosti

Um em cada quatro russos trabalha depois de se aposentar, durante seis anos em média, segundo um estudo divulgado hoje pelo organismo nacional de estatística, o Rosstat.

“Cerca de 23% dos reformados na Rússia, ou seja, um em cada quatro, trabalham. Metade deles já chegou à idade de reforma, 40,4% beneficiam de uma pensão antecipada e 8% têm pensão de invalidez”, comentou o deputado de Rosstat, Konstantin Laikam.

O estudo foi realizado em 2011 e envolveu 10.000 famílias.

O ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, sugeriu elaborar uma série de incentivos para que os cidadãos se aposentem mais tarde, opção que ajudaria a aumentar em 60% o valor das pensões. A idade de reforma na Rússia é actualmente de 55 anos para mulheres e 60 anos para homens.

Gazprom assina contratos de venda de gás à Turquia

RIA Novosti.

O consórcio de gás russo Gazprom assinou contratos com quatro empresas privadas da Turquia para o fornecimento de 6.000 milhões de metros cúbicos de gás, recuperando o volume que a empresa pública Botas deixara de comprar, escreve hoje o diário Kommersant.

“Os contratos estarão em vigor a partir de 1 de Janeiro de 2013 até 2030. Após não ter conseguido chegar a acordo com a Gazprom sobre os descontos de gás, a empresa pública turca rescindiu o contrato após este terminar em 2011.  Os quatro novos compradores deverão obter as respectivas licenças até finais do ano”, segundo o Kommersant.

O periódico turco Zaman afirma que os novos clientes da Gazprom na Turquia são a Akfel Gaz, Bosphorus Gaz, Kibar Enerji e Eksim Holding.

Fundada em 1995, a empresa Akfel Group é a maior importadora turca de gás natural, com uma quota de mercado de 8%. A sua divisão Akfel Gaz, criada em 2011, irá começar a importar o gás a partir do próximo ano.

A Kibar Enerji é parte de um grupo industrial presente em diversos sectores, entre os quais o energético. Eksim Holding basicamente dedica-se às energias renováveis. Quanto à Bosphorus Gaz, que tem uma quota de mercado de 3% no mercado turco de gás, é controlada pelo gigante russo de gás através da Gazprom Alemanha, cuja participação no capital social é actualmente de 71%.

City de Londres aplaude entrada da Rússia na OMC

RIA Novosti.

Os banqueiros e empresários da City londrina, um dos principais centros financeiros do mundo, congratularam-se em comunicado com a entrada oficial da Rússia na Organização Mundial do Comércio (OMC) e expressaram confiança no comércio livre entre a Rússia e outros países.

A Rússia tornou-se hoje, 22 de Agosto,  no 156º membro da Organização Mundial do Comércio (OMC) após 18 anos de difíceis negociações, iniciadas poucos anos após a queda da União Soviética.

O documento assinado pela associação TheCityUK, que agrupa bancos e empresas do famoso bairro londrino, destacou as medidas empreendidas pela Rússia para abrir o seu mercado ao mundo, como baixar as tarifas de alguns produtos industriais ou liberalizar paulatinamente o sector dos serviços.

“A TheCityUK e seus membros esperam impacientes pela abertura dos mercados que o ingresso da Rússia na OMC promete”, destacou a organização.

Por outro lado, os autores do comunicado reconheceram que a TheCityUK tem motivos especiais para celebrar a adesão da Rússia à OMC, um dos quais é a participação dos seus representantes no grupo de trabalho russo-britânico para a criação do Centro Financeiro Internacional de Moscovo.

Além disso, após a entrada na OMC, a Rússia deverá liberalizar o sector dos serviços para corresponder aos padrões internacionais, algo que, segundo TheCityUK, favorecerá o desenvolvimento das oportunidades de investimento e negócio.

Rússia defende cooperação económica com a Síria

RIA Novosti.

O Ministério russo dos Negócios Estrangeiros saiu hoje, 23 de Agosto, em defesa da cooperação económica da Rússia com a Síria, apesar das sanções impostas ao país árabe na sequência de um conflito que causou milhares de vítimas desde Março de 2011.

“As sanções unilaterais introduzidas contra a Síria por vários países, sanções que, como se sabe, são criticadas pela Rússia, não são um motivo para recuar nos planos e programas conjuntos no âmbito económico ou de outra natureza”, consta num comentário publicado na página web do ministério .

O ministério recordou que Damasco e Moscovo debateram nos últimos meses os detalhes da cooperação na indústria do petróleo, gás, sector energético, transportes e agricultura.

“A colaboração em matéria financeira e de investimentos, incluindo a concessão de créditos, não é excepção e está a ser examinada conforme o procedimento em vigor”, afirmou o ministério falando àcerca dos rumores sobre um possível empréstimo de Moscovo a Damasco.

O vice-presidente do Governo sírio para assuntos económicos, Qadri Jamil, debateu o futuro da cooperação bilateral durante o seu recente encontro com o ministro russo Serguei Lavrov, em Moscovo, e manifestou a esperança em que a Rússia conceda ao seu país um empréstimo.

“Ainda é prematuro dizer qual será este crédito, bem como em que termos será concedido”, declarou na última terça-feira, no final da visita.

Acrescentou que Damasco se vê obrigado a buscar “vias alternativas” devido às sanções em matéria bancária e de transportes. Também mencionou a implementação futura dos acordos sobre a venda de petróleo e produtos petrolíferos à Síria. “Não é um segredo. Vamos anunciá-lo em breve”, prometeu.

Entrada de capital estrangeiro na Rússia cai 14,7% no primeiro semestre de 2012

RIA Novosti

A entrada de capital  estrangeiro na economia russa reduziu-se em 14,7% no primeiro semestre de 2012 em relação ao mesmo período do ano anterior, informou hoje o Serviço Federal de Estatísticas, Rosstat.

O influxo do investimento estrangeiro nos primeiros seis meses do ano corrente totalizou 74.789 milhões de dólares, dos quais 7.598 milhões corresponderam a investimentos estrangeiros directos.

Nos finais de Junho de 2012 o capital estrangeiro acumulado na economia russa atingia 334.700 milhões de dólares, com um crescimento de 6,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O investimento russo no estrangeiro no primeiro semestre deste ano totalizou 69.500 milhões de dólares, com um aumento de 3,4% face a Janeiro-Junho de 2011. Os  principais receptores do capital russo são a Holanda, Chipre, EUA, Suíça e Luxemburgo.

Entrada da Rússia na OMC traz vantagens e desvantagens

RIA Novosti

A entrada da Rússia na Organização Mundial de Comércio (OMC) tem vantagens porque potenciará a modernização da sua  economia, e desvantagens porque não vai diminuir o custo de vida,  afirma a imprensa moscovita ao comentar a entrada em vigor do protocolo que incluiu a economia russa no mercado internacional.

O preço da carne de porco deveria baixar porque as tarifas de 40%  impostas às importações para defender o mercado nacional durante a crise, foram eliminadas definitivamente, comentou Aleksei Portanski,  catedrático da Escola Superior de Economia de Moscovo, citado pelo diário Komsomolskaya Pravda.

“Mas isso não vai ocorrer, por causa da ganância dos comerciantes e outros factores”, disse Portanski ao explicar que o governo russo, nas suas negociações com a OMC conseguiu negociar a redução gradual das tarifas alfandegárias das importações de alimentos durante prazos de até cinco anos e, por isso, comprador não irá sentir qualquer efeito.

As vantagens da entrada da Rússia na OMC terão efeito a longo prazo porque agora a indústria russa terá acesso às tecnologias estrangeiras, que são a chave para modernizar sectores tecnologicamente atrasados e deficitários, actualmente incapazes de competir nos mercados mundiais.

Segundo o Banco Mundial, em geral a economia russa sairá a  ganhar pela adesão à OMC, permitirá acelerar o seu Produto Interno Bruto (PIB) em 3,3% neste ano e até 11% em 2020, o que significa um aumento da economia na ordem de 162.000 milhões de dólares.

Numa primeira etapa, a entrada da Rússia na OMC terá efeitos negativos. A redução média das tarifas de exportação de 9,6% para 7,5% significará perdas no orçamento por volta de 5.900 milhões de dólares em 2013 e de  7.700 milhões de dólares em 2014. O ministro russo do Desenvolvimento Económico, Andrei Belousov, acrescentou no entanto que no mesmo período aparecerão pelo menos 40.000 novos postos de trabalho no país.

Potencialmente, o sector metalúrgico, entre outros, um dos principais incentivadores da entrada da Rússia na OMC, sairá favorecido a curto prazo porque compradores importantes como a União Europeia já não poderão limitar a entrada nos seus mercados do aço russo, altamente competitivo em preço e qualidade. Não obstante, o mercado interno vai ficar vulnerável até certo ponto porque poderão surgir aço e derivados de baixo preço e baixa qualidade produzidos noutros países.

Nesta perspectiva, outro sector importante afectado será o agrário, pois se actualmente, os subsídios do Estado à agricultura ascendem a  9.000 milhões de dólares, em 2018 ficarão reduzidos a 4.400 milhões.

Segundo peritos, dentro de cinco anos, a agricultura russa deverá demonstrar a sua capacidade de sobrevivência porque por essa altura praticamente desaparecerão as taxas de importação de produtos agrícolas e serão liberalizados ao máximo os regulamentos fitossanitários das frutas, legumes, cereais e flores estrangeiras.

Ao enumerar os sectores vulneráveis, o diário Novie Izvestia também destacou a indústria de maquinaria pesada, a indústria farmacêutica e a  automóvel, que dificilmente poderão competir com os fabricantes estrangeiros com linhas de produção tecnologicamente mais modernas, o que permite reduzir o custo de produção dos seus produtos.

Do ponto de vista do consumidor, há um certo optimismo no mercado interno no que se refere aos artigos industriais, cujas taxas de importação baixarão de 9,5%  para 7,3%; as dos automóveis descerão de 25% para 5%. Outro mercado favorecido é o dos computadores pessoais, telemóveis, câmaras fotográficas e electrodomésticos, que estarão isentos de impostos de importação.

A Rússia pode ser a ponte entre os dois pólos comerciais do planeta

Por Fiodor Lukianov* para a RIA Novosti

A cimeira do Fórum de Cooperação Económica Asia-Pacífica (APEC,  na sigla inglesa) em Vladivostok, Rússia, é um evento importante tanto para a Rússia, que pela primeira vez obteve a possibilidade de se mostrar como potência principal da região Ásia-Pacífica, como para a própria organização.
A presidência da Rússia lembra que a região Ásia-Pacífica é inseparável da Euro-Atlântica, que costumava ocupar a posição central na agenda global do século passado. A Rússia é o elo que capaz de ligar e desempenhar o papel-chave na integração global destas duas regiões. Mas para isso Moscovo terá de aplicar muitos esforços.
A APEC é uma organização singular porque é integrada por todos os actores presentes neste enorme espaço. Até Taiwan, não reconhecido pela esmagadora maioria dos países, participa nas suas actividades, já que oficialmente o APEC não une Estados, mas sim economias. A própria criação do Fórum nos anos 1990 foi resultado de mudanças fundamentais: as barreiras ideológicas haviam desaparecido na sua maioria (com a grande excepção que é a Coreia do Norte), e a concorrência estratégica da Ásia caiu para segundo plano, dando lugar à agenda económica. Mas até aos dias de hoje esta entidade, a Ásia-Pacífico, esteve na sombra. As potências líderes continuavam a orientar-se pela zona Euro-Atlântica, a cujo domínio já estavam habituadas. Contudo, tornou-se evidente que o Velho Mundo está a perder o estatuto de moldador do sistema (e isso talvez seja bom), enquanto os potenciais riscos e oportunidades são maiores na zona do Oceano Pacífico.
Na Ásia existem muitas organizações de diferentes composições e abordagens, mas falta uma estrutura de relações bem definidas. Está claro que o elemento central de todo o desenvolvimento é a China, mas o atrito observado também está relacionado com outros países. O recente agravamento das disputas territoriais entre Japão e vários dos seus vizinhos é uma das características da conhecida história dramática, com consequências a longo prazo. Neste sentido, disputas que remontam ao passado, semelhantes às que levaram a Europa do século XX a conflitos destrutivos, podem também manchar as perspectivas asiáticas, tanto mais que as velhas divergências se entrelaçam com uma nova rivalidade,  a dos EUA e China.

É claro que nada se repete tal e qual, mas agora já existem dois factores limitativos de futuros conflitos: as armas nucleares, que tornam o preço de um potencial conflito muito elevado, e a relação económica muito estreita, cuja perda iria custar demasiado a toda a gente. Estes factores reduzem os riscos mas não os eliminam na totalidade. A concorrência entre as grandes potências pode adquirir outras formas menos catastróficas, mas sem regras compreensíveis e equilíbrio sustentável, a estabilidade continuará a ser ameaçada.

A política da Rússia foi sempre focada no Ocidente e isso é lógico. Histórica e culturalmente, a Rússia tem muito mais em comum com a Europa do que com a Ásia. A distribuição da população na época pós-soviética (três em cada quatro pessoas vivem na parte europeia do país) e a balança comercial (mais de metade do comércio externo realiza-se com a União Europeia) também contribuíram ao predomínio da parte europeia na política russa.

Hoje, em condições da crescente influência do Oriente, a Rússia não pode dar-se ao luxo de ignorar o facto de que também é uma potência da região Ásia-Pacífico. Não vale a pena esperar uma reorientação decisiva para a Ásia, que é impossível e desnecessária. Mas a presença na Ásia, na qualidade de actor importante cujos interesses são tidos em consideração, é imprescindível.   E a coisa mais lógica a fazer é tirar proveito das vantagens da Rússia como país euro-asiático.
Do ponto de vista económico, é um evidente recurso de intermediário, e não é só em relação ao transporte: a extensão do mercado comum poderia abarcar todo o território desde Lisboa até Xangai. É precisamente dele que falam todos os documentos do programa da União Euroasiática, o qual a Rússia vê como o primeiro passo para a criação do enorme mercado euroasiático.

Embora a situação na esfera da política e segurança seja algo diferente, a posição de Moscovo é singular, porque poderá transmitir à região Ásia-Pacífica a experiência acumulada na Europa para ultrapassar os problemas.
Porque digo que este papel terá mesmo a ver com a Rússia e não os europeus ou EUA, acostumados a determinar a geopolítica europeia desde há décadas? Porque a Rússia, por um lado, é uma parte integrante de ambas as regiões, e ao mesmo tempo tem na Ásia um certo peso, mas não excessivo. Levam-na em consideração, mas não a temem. Para preencher este nicho, a Rússia terá de ser muito mais activa na Ásia, focando-se não só na China, por mais importante que este país seja para nós, mas em toda a arena de interesses e possibilidades na região, desde as de Japão e Coreia, e até Indonésia e Austrália. Moscovo terá de mostrar que é capaz de seguir uma política independente e sensata na Ásia, como a faz na Europa.

Como organização económica, a APEC é importante porque a chave da futura política da Rússia na região está na capacidade de converter o desenvolvimento do Extremo Oriente russo num projecto de grande escala, com participação internacional diversificada. A cooperação multilateral equilibrada para a reabilitação da parte asiática da Rússia atrairá interesse em relação às iniciativas russas em geral e também servirá de base para o sistema de relações na região Ásia-Pacífica, pois ajudará a determinar as esferas de interesses comuns.
A cimeira da APEC em Vladivostok não será um ponto de viragem crucial  através do qual os problemas da Rússia na Ásia serão resolvidos por arte de magia. Aqui não pode haver milagres, apenas um trabalho  escrupuloso para construir um novo futuro asiático. Os primeiros passos nesta direcção foram dados por Dmitri Medvedev durante a sua presidência. A APEC deve preservar esta tendência e dar impulso aos futuros esforços. A Rússia precisa da Ásia como uma das fontes mais importantes de desenvolvimento. Da mesma forma que a Ásia precisa da Rússia como um elemento de equilíbrio num sistema em processo de formação muito complicado.

* Director da revista “A Rússia na Política Global”

Ministério do Desenvolvimento Económico tornou-se mais pessimista: prognósticos de 2012 estão a piorar

RIA Novosti.

O Ministério do Desenvolvimento Económico (MDE) da FR, que ainda há uma semana reagiu com perplexidade à proposta de olhar com maior pessimismo a situação nacional, apresentou quarta-feira os seus prognósticos económicos corrigidos para o ano em curso. Pelos principais parâmetros – a inflação, o preço do petróleo, a fuga de capitais, os prognósticos são piores em relação às previsões de Abril. Contudo, o ministério tem a certeza de que uma reincidência directa da crise de 2008-2009 não ameaça a Rússia. Visto que os ritmos de crescimento da economia russa não são altos, não haverá, respectivamente, uma grande queda, considera o vice-ministro do Desenvolvimento Económico, Andrei Klepatch.

Em Setembro, o ministério deve apresentar os parâmetros corrigidos dos prognósticos, mas alguns indicadores já são calculados agora. Assim, os prognósticos de inflação sobem para 7% dos 5-6% anteriormente prognosticados. Os prognósticos do preço médio anual do petróleo, principal artigo das exportações russas, também serão diminuídos dos 115 dólares para 109 dólares por barril. Entretanto, no início do ano, o ministério afirmava que o preço médio do petróleo constituiria cerca de 100 dólares. Mais uma característica da situação económica de 2012 é um agravamento brusco das expectativas em relação à fuga de capitais, a qual constituiu em Julho, nas avaliações do ministério, 3-5 mil milhões de dólares. O MDE reconheceu que neste ano a fuga de capitais pode superar 50 mil milhões de dólares, enquanto ainda há alguns meses não excluía uma entrada de capitais, esperando que neste ano a fuga não ultrapasse 25 mil milhões de dólares. Estes prognósticos são ainda mais pessimistas em relação aos do Banco Central da FR. Em Julho, o BC prognosticava que a fuga anual poderia constituir cerca de 40 mil milhões de dólares, sendo nula no segundo semestre. Segundo os dados do BC, a fuga de capitais constituiu 43,4 mil milhões de dólares no primeiro semestre. Ao mesmo tempo, Klepatch não excluiu que em 2013 também não haverá uma entrada de capitais. O ministério não apresentou a 23 de Agosto dados exactos referentes ao crescimento da economia russa. Klepatch destacou que por enquanto não se veem quaisquer tendências sensíveis de crescimento. “Vemos uma tendência de afrouxamento da procura de consumo. Para além da diminuição da procura, que chegou ao seu limite, diminuiu também consideravelmente a dinâmica de rendimentos”, disse. O ministério prognostica para 2012 uma dinâmica mais modesta em comparação com 2011 – 3,8-4% contra 4,3 por cento. As expectativas em relação ao crescimento de investimentos também não são muito optimistas. “Referindo-se aos investimentos, o crescimento será inferior em comparação com o ano passado”, disse o vice-ministro. Em 2011, os investimentos cresceram em 8,3 por cento. Inicialmente, o MDE prognosticava o seu crescimento em 2012 em 7,8 por cento, mas em Abril os prognósticos diminuíram para 6,6 por cento. Klepatch destacou ainda que uma sensível diminuição do programa de investimentos da Gazprom influi negativamente em todos os investimentos na Federação Russa. “A Gazprom é responsável por 10-12% dos investimentos no país. Em outros sectores, à excepção do ramo militar-industrial e uma série sectores altamente tecnológicos, que têm encomendas estatais, créditos e garantias, não se assiste a uma actividade de investimentos estável”, disse.

Por encargo do Governo, o Ministério do Desenvolvimento Económico preparou em Julho um prognóstico de desenvolvimento económico do país em condições do agravamento da crise e da queda dos preços do petróleo em duas variantes: para 80 e para 60 dólares por barril em 2013. Os prognósticos elaborados, porém, foram sujeitados a críticas por parte do Ministério das Finanças que considerou muito optimistas os prognósticos do MDE que, por seu lado, não concordou com esta avaliação. “Continuamos a considerar que o potencial de medidas de estabilização na zona euro e na economia mundial, em geral, é bastante alto. Pode-se com certeza pintar quaisquer ameaças de que a zona euro se desintegre e de que haja uma crise – se não tal como em 1929-1933, mas como em 2008-2009, a nosso ver, não há uma massa crítica de condições para tal”, afirmou Klepatch, destacando que os riscos na economia mundial por si não significam automaticamente para a Rússia uma queda considerável dos preços do petróleo. “Os prognósticos elaborados pela OCDE, mesmo nas condições de uma dinâmica negativa na zona euro, assentam em preços do petróleo bastante altos – acima de 100 dólares”, apontou o vice-ministro. Quanto ao modelo da crise, ele já é considerado em projectos de orçamento. Klepach fez lembrar que o ministério referiu algumas avaliações de cenários da crise no seu prognóstico oficial posto na base do orçamento. Não é casual que em Julho a Duma de Estado aprovou um pacote de medidas anticrise que podem ser utilizadas pelo Governo em caso da necessidade e não a partir do próximo ano, mas imediatamente – já no ano em curso.

Entretanto, há também momentos que inspiram optimismo no pano de fundo de receios universais perante a onda futura da crise. E estes momentos foram apontados pelo Ministério do Desenvolvimento Económico. Assim, nas palavras do vice-ministro, em 2012 não haverá um défice orçamental. Actualmente, de acordo com a lei orçamental, o défice formou-se ao nível de 0,1% do PIB, embora, segundo os últimos prognósticos das autoridades financeiras, ele possa subir para 1,5% do PIB. Mas este é um prognóstico tradicionalmente pessimista do Ministério das Finanças, enquanto o Ministério do Desenvolvimento Económico considera que não tudo está mal na esfera financeira da Federação Russa. “A economia russa já solucionou alguns problemas da dívida. Não apenas a nossa dívida pública é mínima, mas também várias corporações reduziram consideravelmente os seus endividamentos”, disse Klepatch. Ao mesmo tempo, na sua opinião, a fuga de capitais pode ser explicada parcialmente por acções de sectores corporativo e bancário, voltadas para formar reservas de divisas. O vice-ministro afirmou ainda que, mesmo no caso de se cumprirem os pressentimentos mais lúgubres de economistas, a Rússia evitará a reincidência do cenário de 2008-2009. “Neste caso, teremos um sério afrouxamento do crescimento em resultado do agravamento brusco da conjuntura ou até um pequeno recuo. Mas tal não significa que devemos cair como havíamos caído em 2009, tanto mais que temos uma cotação flutuante e, diferentemente do fim de 2008, o Banco Central não declara que irá mantê-la artificialmente”, apontou. Mais um momento positivo é uma rica experiência que as autoridades russas obtiveram há três anos, quando a Rússia, um “porto tranquilo” na altura, entrou num oceano impetuoso da crise mundial. “O Estado já tem uma experiência e um determinado pacote de medidas que pode ser potencialmente utilizado no caso da necessidade”, concluiu com optimismo o vice-ministro do Desenvolvimento Económico.

Rosneft e ExxonMobil planeiam começar em 2014-1015 prospecção na plataforma continental dos mares Negro e de Cara

RIA Novosti

As companhias petrolíferas ExxonMobil e Rosneft planeiam começar em 2014-2015 perfurações de prospecção na plataforma continental dos mares Negro e de Cara, comunicou o chefe da ExxonMobil, Rax Tllerson. “O programa de obtenção de dados técnicos no mar de Cara prossegue antecipando o plano e será concluído no fim de Setembro. Planificamos começar em 2014-2015 perfurações de prospecção”, disse. Tillerson adiantou que no mesmo prazo iniciarão perfurações de prospecção no mar Negro. As respectivas licenças foram recebidas pela Rosneft em 2010. As reservas do sector a ser explorado pela Rosneft em conjunto com a ExxonMobil são estimadas em 4,9 mil milhões de toneladas de petróleo e em 8,3 triliões de metros cúbicos de gás.

A Rosneft e a ExxonMobil anunciaram a intenção de tomar uma decisão de investimento definitiva sobre a exploração de sectores do mar de Cara em 2016-2017. A 16 de Abril, as duas companhias concretizaram as condições do acordo de longo prazo, concluído em Agosto de 2011, sobre a cooperação estratégica no quadro da exploração da plataforma continental russa. A Rosneft e a ExxonMobil assinaram vários acordos sobre a abertura de duas empresas mistas para a execução de serviços nos mares Negro e de Cara e a compra de uma parte dos projectos da Exxon nos Estados Unidos e no Canadá pela Rosneft. A avaliação preliminar dos investimentos no mar de Cara constitui 200-300 mil milhões de dólares e no mar Negro – cerca de 55 mil milhões de dólares. O efeito económico conjunto da parceria estratégica entre as companhias russa e americana na plataforma continental estima-se em 500 mil milhões de dólares. A ExxonMobil receberá 33% nas empresas mistas para a exploração do sector no mar de Cara, deixando 66% para a Rosneft, tal como na plataforma do mar Negro. A Rosneft receberá também uma quota-parte de 30% em alguns projectos da ExxonMobil nos Estados Unidos e no Canadá. As companhias acordaram também estudar em conjunto as potencialidades de exploração de reservas de petróleo dificilmente extraídas na Sibéria Ocidental.

Rússia decidiu participar no segundo período do Protocolo de Quioto

RIA Novosti

A Rússia concordou em princípio com a participação no segundo período do Protocolo de Quioto, escreve o jornal Kommersant, citando documentos do Ministério do Desenvolvimento Económico e fontes no Ministério dos Recursos Naturais. Anteriormente, em conjunto com o Canadá e o Japão, a Rússia renunciara a participar no segundo período dos compromissos do Protocolo de Quioto, o qual deve começar a partir de 1 de Janeiro de 2013. Ecologistas e representantes do empresariado declararam reiteradamente que iriam insistir na alteração desta decisão. “Funcionários, influenciados por associações empresariais, tomaram a decisão sobre a participação da Federação Russa no segundo período do Protocolo de Quioto. A posição negocial definitiva será elaborada até à próxima volta das conversações climatéricas, que irão decorrer em Dezembro de 2012 em Doha”, escreve a edição. O Kommesant destaca que por enquanto as autoridades e o empresariado não chegaram ainda a um compromisso em assuntos principais: qual será o objectivo concreto da Rússia na redução de emissões de carbono para 2020 e se forem necessários um mecanismo de regularização interna e um mercado para alcançar este fim. Segundo os dados do jornal, até a Julho de 2012, a posição de funcionários russos em relação às perspectivas de participação da Federação Russa no segundo período do Protocolo de Quioto adjunto à Convenção da ONU “Sobre as mudanças climatéricas” foi unânime: o acordo internacional, em que não participam os maiores emitentes de gases de estufa, tais como os Estados Unidos, a China, o Brasil, a Índia e o Japão, não tem sentido desde o ponto de vista ecológico. Em vez da participação no Quioto-2, o assessor do presidente da FR para assuntos climatéricos, Aleksandr Bedritsky, encaminhou no fim de Abril de 2012 para o Kremlin uma proposta de fixar “um objectivo nacional (não obrigatório juridicamente ao nível internacional)” de diminuir as emissões de carbono até 2020, elaborando um plano de acção para alcança-lo. Tal, segundo Bedritsky, “confirmaria a coerência da posição russa, inclusive na ausência de um acordo climatérico global”. Em Junho, a assessora do presidente da FR, Elvira Nabiullina, encarregou o vice-primeiro-ministro Arkady Dvorkovitch de estudar as propostas de Bedritsky e, em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento Económico, o Ministério dos Recursos Naturais e o Serviço Hidrometeorológico da Rússia, de “apresentar as propostas sobre a racionalidade” da aprovação deste objectivo e do plano da sua concretização como documento normativo. Contudo, segundo a informação da edição, nas reuniões do Grupo Interdepartamental de Trabalho junto do Ministério do Desenvolvimento Económico, composto por representantes de ministérios e maiores associações empresariais da Rússia, não foram apenas discutidas as propostas de Bedritsky e os mecanismos e as perspectivas da regularização de emissões de carbono. Para esta altura, o volume de pedidos para a realização de projectos por companhias russas em termos do primeiro período do Protocolo de Quioto já ultrapassou a quota de 300 milhões de toneladas, dispensada pelo Governo, enquanto as companhias continuam a elaborar projectos, as reduções dentro dos quais são contratadas até 2020. “O empresariado conseguiu convencer os funcionários de que investimentos supérfluos serão úteis apesar da queda de preços na UE – este mercado já proporcionou à Federação Russa mais de 1,5 mil milhões… O Ministério do Desenvolvimento Económico elaborou emendas à deliberação sobre a regularização deste mercado e enviou-as a ministérios para a coordenação… Propõe-se conceder a companhias uma parte da quota reservada no quadro do Protocolo de Quioto (cerca de seis mil milhões de toneladas em equivalente de CO2) a critério do Ministério do Desenvolvimento Económico e aponta-se a necessidade de elaborar uma ordem de projecção no segundo período de acção do Protocolo de Quioto”, comunica o jornal. Como destaca o Kommersant, o Ministério dos Recursos Naturais também confirmou a posição de princípio da Federação Russa de participar no segundo período do Protocolo de Quioto. Actualmente, o Ministério dos Negócios Estrangeiros está a formar uma posição definitiva para a nova ronda das conversações.

A convenção-quadro da ONU sobre a alteração do clima, que visa impedir as alterações climatéricas desfavoráveis, entrou em vigor a 21 de Março de 1994, sendo apoiada por 194 países e uma associação regional – a União Europeia. Este documento não contém obrigações quantitativas de redução de emissões de gases de efeito de estufa. Estes parâmetros são referidos no Protocolo de Quioto que entrou em vigor em 2005.

Rússia propõe criar Instituto de Provedores dos Direitos dos Investidores

Golos Rossii

A Rússia propôs melhorar o sistema de proteção dos interesses empresariais nos países da Cooperação Económica da Ásia e do Pacífico (APEC).

O Ministério do Desenvolvimento Económico da FR propõe desenvolver esta iniciativa através da formação de um Instituto de Provedores dos Direitos dos Investidores. Semelhante sistema foi ensaiado na Rússia há um ano e agora Moscovo pretende estender o Instituto de Provedores a outras economias da APEC.

O Ministério do Desenvolvimento Económico considera que o Instituto de Provedores dos Direitos dos Investidores na APEC irá melhorar o clima de investimento na Região Asiática do Pacífico. Tais provedores devem ser bem conhecidos, podendo os empresários contatá-los sempre que fazem investimentos em quaisquer projetos. Os peritos do ministério sustentam que tal instituto será mais eficaz em comparação com as inspeções de procuradores e mais protegido contra a corrupção. Contudo, esta não é a única vantagem de semelhante sistema. Citamos um comentário de Serguey Kondratiev, perito-chefe do Instituto de Energia e de Finanças:

“Aparece uma pessoa concreta, a qual pode ser consultada em caso de surgimento de quaisquer problemas, em primeiro lugar com as autoridades, por exemplo, na ligação a infraestruturas, ou de conflitos com habitantes locais, o que acontece frequentemente durante a concretização de grandes projectos. Possivelmente, os provedores dos direitos dos investidores resolverão tais problemas de forma mais rápida em comparação com estruturas do Estado existentes”.

Visando, em particular, a solução destes problemas, o então presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, assinou em Agosto do ano passado uma deliberação especial, atribuindo o estatuto de provedores dos direitos dos investidores aos sete representantes adjuntos do chefe de Estado nos distritos federais. Direitos análogos foram concedidos também ao representante adjunto do presidente no Distrito Federal Central. Para além disso, em Junho, Boris Titov foi nomeado provedor dos direitos empresariais. No entanto, nem todos os países da APEC precisam de institutos de provedores, considera Serguey Kondratiev:

“Na realidade, as economias da APEC são muito variadas e este grupo de países, pelos vistos, é o mais heterogêneo em comparação com outras associações integracionistas. Por isso, o clima de investimento nestes países também é muito diferente. É pouco provável que estas questões sejam importantes para os países desenvolvidos, tais como Singapura, Japão, Coreia do Sul e os Estados Unidos. Para outros, pelo contrário, este tema pode ser importante”.

A proposta do Ministério do Desenvolvimento Económico da Rússia sobre a introdução do Instituto de Provedores dos Direitos dos Investidores não deverá ficar sem a atenção dos parceiros da Cooperação Económica da Ásia e do Pacífico. Provavelmente, este tema será discutido não apenas ao nível de peritos, mas também por representantes dos dirigentes dos países da Região Asiática do Pacífico no quadro da cúpula da APEC que decorre em Vladivostok.

    4 comentários

4 comentários

  1. Brigadeiro

    12 de Setembro de 2012 as 8:57

    Ó “Téla Nón” mais o que é isto? Acha mesmo que este conjunto de “apanhado” sobre a Russia interessa aos santomenses? Faça isso sim com os paises vizinhos de STP, talvez aí nos interesse. Não vejo nenhum saantomense a pensar ir investir na tão distante Russia.

  2. ADI em foco

    12 de Setembro de 2012 as 12:55

    Nosso compatriota FILIPE SAMBA MUHONGO terminou em Moscovo e já não quer vir dar uma mão ao país! Abandonou Monte Café de vez ou quê? Agora há muito Bunzu com Côco,Puita,Tafúa por lá.Tás a perder muito rapaz.Com a Química que fizeste,quem sabe pode nos ajudar a construir uma Bommmmmm….Attttttommmmmmmmmmmmm. para ajudar e defender esta terra dos intrusos.

  3. JAILSON CRAVID

    14 de Setembro de 2012 as 12:13

    olha cada vez ilha do principe está pior,o presidente do governo regional anda com a sua secretaria mesmo no seu gabinete,isso é muito grave porisso que o marido dela lhe abandonou,também aquela garota não presta mesmo………a jay não passa de uma vagabunda…………

  4. JAILSON CRAVID

    14 de Setembro de 2012 as 12:21

    também as secretarias são mulher do chefe,o trabalho não tem hora de terminar e aproveitam esse momento que tudo esta frio,para fazerem festa…………..

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