00 239 - 9906263 contact@telanon.info

Get Adobe Flash player

30 de Setembro – Saudades da Roça Mongo

O espaço rural de São Tomé e Príncipe é preenchido por roças construídas com esmero durante a era colonial. Ostentam uma arquitectura singular. Conservam histórias de vidas e do nascimento de São Tomé e Príncipe como país exportador de matéria-prima(cacau e café) para o mundo. Factores que por si só poderiam constituir hoje um excelente atractivo para o turismo.
terreiro-de-mongoMongo é uma dessas roças. Foi construída pela sociedade colonial portuguesa Francisco Mantero, ainda no século XIX. No dia 30 de Se5tembro de 1975, o novo Estado soberano nacionalizou todas as roças. Mongo localizado há 1 quilómetro e meio da Vila da Madalena, continuou vivo e activo na produção do cacau, e outros produtos alimentares até o ano 2010.

Habitada por cerca de 300 pessoas, a roça começou a perder os seus filhos. Em 2013, só restou um casal no seu terreiro. Michael Jackson de Jesus, foi até Junho de 2016 o único habitante da grande roça.

Os outros habitantes preferiram abandonar o seu berço onde a água cristalina corre sem cessar nas torneiras, para se aproximarem da capital São Tome, localizada há menos de 10 quilómetros de Mongo. Arredores da capital onde em consequência da gravana (estação seca) a água tem faltado nas torneiras, e onde certamente a qualidade de vida é mais degradante em relação a abundância de verde e de fartura que desfrutavam em Mongo.

entrada-mongo-frenteA estrutura arquitectónica que o colono Francisco Mantero deu a Mongo faz recordar os castelos do senhor feudal, na era medieval, as antigas cidade – Estado.

A roça vedada de murro só tem um portão de acesso. Em cima do portão ergueu-se uma estrutura singular, como um castelo onde morava o guarda.

Hoje ao bater o portão, o único habitante abre para mostra o cenário desgraçado que caracteriza Mongo. «Mongo está assim como estas a ver. Tudo descontrolado. Eu vivia aqui muito bem. Mas tive que sair por causa do vandalismo. Mesmo assim cá estou todos os dias», declarou Michael Jackson de Jesus.

Ruínas, só ruínas restaram. Nos últimos 6 anos os habitantes que passaram a ser proprietários das terras de Mongo, cortaram árvores centenárias, para ganharem dinheiro para realizar baptizados, outras festas, e resolverem problemas do dia a dia.

As árvores acabaram e abandonaram a centenária roça, agora em busca de futuro nos arredores da insalubre cidade de São Tomé. «Há 3 meses, eu estive no serviço, (segurança do Primeiro Ministro Patrice Trovoada), e a minha mulher me ligou dizendo que homens estavam aqui a retirar o telhado de todas as casas. No acto de vandalismo levaram-me mesa e cama. Eu criava porcos e me levaram 11 cabeças de porcos, assim como cabras», reclamou Michael Jackson de Jesus.

jacksonPor causa do vandalismo, o jovem teve que sair do terreiro de Mongo. Foi fixar residência em Alice, outra pequena comunidade agrícola que no passado era dependência de Mongo. Mesmo assim o jovem que trabalha como segurança do Primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, não deixa Mongo.

Todos os dias está no terreiro da roça, onde insiste em criar patos.  «Eu nasci aqui, cresci aqui, sai e fui a tropa e regressei. Nunca desistirei daqui. Aqui é parte da minha vida. Só sairei quando morrer. Meu coração está aqui. Guardei ruínas e vou continuar a fazê-lo», assegurou.

casa-patrao-mongoA casa de patrão contornada por uma varanda também está a ser vandalizada. As boas madeiras que fizeram o soalho da casa grande estão a ser retiradas para venda. «As autoridades não se importaram em saber quem fez isso», denunciou Michael Jackson de Jesus.

A floresta já começou a engolir o jardim que contornava a casa do patrão. Jardim de flores exuberantes no passado, circundavam também um aquário onde cisnes banhavam.

Mongo a semelhança de outras roças que poderiam servir a agricultura e o turismo são-tomenses parecem hoje um lugar que tivesse sofrido um bombardeamento aéreo.

sanzala-mongoPior é que passados 41 anos sobre a nacionalização das roças, as autoridades nacionais, não agem no sentido de salvar as relíquias perdidas no espaço rural de São Tomé e Príncipe.

Abel Veiga

Notícias relacionadas

  1. img
    Clemilson souza Responder

    Igual aqui no Brasil o passado não importa para o governo

  2. img
    Tou de fora Responder

    Além de matarem a galinha dos ovos de ouro, insistem em destruir a capoeira.
    Grande nação que tão bem preserva o seu passado…

  3. img
    Ralph Responder

    Está a ficar cada vez mais difícil morar em locais como este por causa da falta de trabalho, um fenómeno que se passa em volta do mundo. Ganhar dinheiro como agricultor é desafiador hoje em dia, necessitando muito fé no tempo e as condições. É apenas por quem ter a paciência e o desejo de permanecer na sua terra, sendo mais fácil deslocar-se para a cidade, fazer as compras num supermercado e conseguir um trabalho que paga um salário regular. Isto tem lançado um cíclo vicioso que é muito difícil parar. É triste.

  4. img
    Nuno Miguel De Menezes Responder

    O Banco de Sao Tome e Principe, o Governo de Sao Tome, Deveriam Por esse Terreno a Venda,Quem sabe o valor do mesmo ajuda na economia de Sao Tome e Principe, na compra de medicamento ou algo parecido.

    Fazendo isso concerteza dexaria de existir falta de trabalho.

    Ou Entao neste mesmo local fazerem, construirem Fabrica, nao apenas hotel.
    ‘e Assim que a Europa fazem, Se Tens dinheiro compras abres o teu negocio e tens que pagar a Taxa ao Governo Local.

    Nuno Menezes
    ( Reino Unido Lincoln. )

  5. img
    rapaz de Riboque Responder

    desculpem na era colonial não havia nenhuma roça com o nome de Mongo havia sim uma dependência da roça Monte Café com o nome de Monge onde existia um Oca muito grande que era muito visitado pelos turistas a mesma dependência também tinha o nome de São Francisco não venham agora inventar o que nunca existiu informem bem antes de fazer estas publicações obrigado

  6. img
    Edmar Responder

    Sou Santomense resíduo atualmente fora do meu país natal tenho emensa felicidade orgulho de ser Santomense. E sou da empresa Santa Margarida tenho parentes por essas terras e conheço o Mongo inclusive o jovem que aparece na foto Foi meu colega de escola. Dói ver o que é nosso se arruinar desse jeito. Devemos valorizar o que é nosso.

Deixe um comentario

*