Presidente da Repúbçlica aproveitou fórum de investimentos com a Nigéria para criticar mais uma vez o acordo petrolífero com a empresa ERHC

Publicado em 07 Ago 2008
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Frfradique-bom.jpgadique de Menezes ainda vive  ressaca do acordo prejudicial para São Tomé e Príncipe a nível do petróleo que foi assinado no passado com a empresa ERHC, empresa agora dominada por capital nigeriano. Numa altura em que investidores da Nigéria e de São Tomé e Príncipe procuram concertar posições para explorar ao máximo as oportunidades de negócio em torno da exploração do petróleo , o Chefe de Estado são-tomense, disse aos representantes da ERHC no fórum que nunca mais pode acontecer algo igual no relacionamento empresarial com São Tomé e Príncipe.

O acordo petrolífero assinado na década de 90 entre o estado são-tomense e a empresa ERHC, actualmente dominado por interesses nigerianos, acaba por ser uma grande nódoa que caiu sobre o lençol do ouro negro são-tomense.

A empresa ganhou direitos e benefícios que tiram recursos e lucros ao estado são-tomense. O Presidente da República que lançou a polémica exigindo a revisão do acordo, que mesmo após a renegociação, continua a ser desfavorável para o arquipélago, disse na altura que era uma situação inconfortável.

Com representantes da ERHC, no evento Fradique de Menezes afirmou que seria cínico não falar do assunto, ainda mais quando o fórum pretende estabelecer parcerias entre investidores nigerianos e são-tomenses com vista ao aproveitamento das oportunidades de negócios com vantagens para as duas partes. «Seria cínico se eu não desse o exemplo do acordo entre ERHC e STP. É um muito mau exemplo empresarial. Eu não estou a dizer que não deveria haver, mas deveria ser de uma outra forma», afirmou Fradique de Menezes.

Segundo o chefe de Estado cada vez mais torna-se importante o reforço das relações entre São Tomé e Príncipe e a Nigéria, mas o exemplo das relações com  ERHC , coloca nuvens negras sobretudo no dossier petróleo.  «Eu sei que existe aqui delegados da ERHC, e sejam bem vindos também. Mas temos que procurar que aquilo que venha a ressurgir com este fórum, seja completamente diferente daquilo que foi feito com ERHC», pontuou.

Por outro lado o Presidente da República manifestou-se cansado com as boas intenções manifestadas no processo de exploração do petróleo na zona conjunta com a Nigéria. Fradique de Menezes quer mais acção, mais celeridade, e resultados palpáveis. «Já estou nisto há 7 anos. Antes de mim o meu antecessor também já teve vários anos e foi ele até que assinou o tratado entre os dois países. Portanto já lá vão 11anos 1997/2008, e não vimos nada. Enfim nós beneficiamos de cento e tal milhões de dólares e vocês compreendem que mesmo com um pais pequeno foi muito rapidamente utilizado», reclamou.

Nada de concreto acontece, segundo o Presidente da República, e enquanto isso o arquipélago é considerado a nível mundial como sendo possuidor de petróleo o que complica muitas vezes as negociações com os parceiros internacionais. «Cria-nos problemas junto as autoridades internacionais. Quando apresentamos a pedir perdão da divida por via de créditos, perguntam porquê? uma vez que nós temos muito petróleo», sublinhou.

A nível interno também são enormes as expectativas num processo que custa a dar frutos para serem partilhados. «As expectativas que continuam a reinar na cabeça dos nossos concidadãos, por conseguinte nós temos que ser muito claros precisos com esta continuação de falarmos de petróleo», acrescentou tendo exigido que se faça algo de concreto que se pode ver.

O fórum de investidores são-tomenses e nigerianos terminou terça-feira, com alguns operadores do país vizinho a manifestarem interesse em investir em São Tomé e Príncipe nos sectores da pesca, turismo e energia.

Abel Veiga

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