Taiwan poderá assumir a gestão do hospital Ayres de Menezes

Publicado em 08 Set 2008
Comentários; fechado

A ideia nasceu de uma conversa entre o Presidente da República e o embaixador de Taiwan em São Tomé. Segundo Fradiqfradique-6-setembro.jpgue de Menezes, tudo começou quando ele recorreu aos serviços de acupunctura da equipa médica taiwanesa em São Tomé, para tratar da queda que teve sobre uma viga na sua obra na Praia das Conchas. As autoridades taiwanesas manifestaram-se sensíveis a sugestão, e vão mandar uma equipa para avaliar a situação do hospital Ayres de Menezes. A visita do Primeiro-ministro Rafael Branco a Taiwan, poderá também cimentar o projecto de saúde que está na forja.

Talvez a dor devido a queda sobre uma viga, nas obras de construção da sua residência de Praia, terá dado ao Presidente da República o impulso que precisava para alargar a cooperação entre São Tomé e Príncipe e Taiwan no domínio da saúde.

Com sucessos reconhecidos na luta contra o paludismo, Taiwan , faz ao mesmo tempo a gestão de um centro de saúde mesmo no coração da cidade de São Tomé. A antiga delegação de saúde, foi apetrechada com meios de diagnósticos, tendo muitas vezes o pessoal clínico do hospital Ayres Menezes, recomendado aos pacientes o recurso aos serviços do centro policlínico, sobretudo para exames de radiografias e electrocardiogramas, uma vez que o hospital de referência tem suas limitações.

Um exemplo de sucesso, que durante o tratamento de acupunctura, o Chefe de Estado, sentiu que deve estender-se ao hospital Ayres de Menezes. «E eu disse porque é que os senhores não tomam conta do hospital?», interrogou. A resposta chegou uma semana depois. Segundo Fradique de Menezes, a sugestão foi encaminhada para Taipé, através do embaixador de Taiwan em São Tomé.  «Uma semana depois o embaixador informou-me que a sua capital mandou uma informação nada negativa, e que podiam encarar a hipótese. E agora vem um grupo de Taiwan para visitar o hospital central. Eu até disse que era melhor construir um hospital de raiz, porque esse nosso hospital central já está repleto de tantos vícios, que era melhor a construção de um hospital novo que corresponda mais as especificações técnicas de instalação de equipamentos», explicou.

Fradique de Menezes, acrescentou que o governo de Rafael Branco, manifestou-se sensível quanto a implementação do projecto. Uma solução para a grave crise que se vive no hospital Ayres de Menezes, onde faltam medicamentos e muitas vezes o stock de reagentes para análises clínicas se esgota deixando pacientes e médicos sem solução.

O Presidente da República, deu exemplo de hospitais de referência nos três países vizinhos nomeadamente, Nigéria, Gabão e a Guiné Equatorial, que são geridos por entidades estrangeiras respectivamente, alemães, austríacos e israelitas. «Porque é que São Tomé e Príncipe não pode ter um hospital gerido por taiwaneses, chineses ou outros, porque não?» interrogou tendo manifestado alguma preocupação, uma vez que a ideia pode não agradar aos técnicos do sector da saúde. «Agora eu não sei como é que os outros senhores médicos vão sentir ao ouvirem-me a falar disto. É outro problema que temos aqui. É como a energia se nós não sabemos gerir, também eu pedi aos taiwaneses que façam eles a gestão da energia para nós. Instalam uma nova central e vamos trabalhar juntos com eles. É evidente que os nossos técnicos podem não ficar muito contentes com este tipo de questões», precisou o Chefe de Estado.

Por tudo isso, o Chefe de Estado, defendeu na conferência de imprensa dada a propósito do segundo ano do seu segundo mandato, que se opere uma mudança de mentalidade no país. «Essa mentalidade tacanha que nós temos, mesquinha que vem de séculos. Não pode ver outro com a camisa lavada, logo vem dizer que ele roubou a camisa. Se um indivíduo começa a fazer uma casa, nem procuram saber se ele foi pedir dinheiro emprestado ao banco ou se alguém está a ajuda-lo, é logo porque deve haver qualquer coisa aí. Ninguém pode fazer nada porque o outro está a vê-lo do quintal. E então estamos todos a paralisar o outro, e consequentemente o país», concluiu, Fradique de Menezes.

Abel Veiga