Free Lancer Italiano ficou sem credencial para realizar a reportagem “ STP do cacau ao petróleo” porque tentou violar a integridade do estado são-tomense, garante o governo

Publicado em 22 Set 2008
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O jornalisjustino.jpgta italiano Carlos Porcedda, que veio para São Tomé e Príncipe a fim de fazer uma reportagem sobre o arquipélago, “ do cacau ao petróleo”, não foi expulso do país, declarou o Ministro da Justiça e porta-voz do governo. Segundo o Ministro, apenas foi retirada a credencial concedida ao jornalista, porque o mesmo extravasou o objecto da credencial. Segundo o governo, as acções do free lancer italiano, começaram a pôr em causa a integridade do estado são-tomense.

É a primeira vez desde 1990 que o estado são-tomense, actua desta forma sobre um profissional de comunicação social estrangeiro que está a trabalhar no território nacional. O jornalista italiano, que pretendia realizar uma reportagem sobre 2São Tomé e Príncipe do cacau ao petróleo, disse a imprensa nacional que não fez nada que tivesse violado as leis do país. No entanto foi-lhe retirado a credencial, para continuar a trabalhar no país.

Em declarações ao Téla Nón, o governo veio desmentir as informações que anunciam uma ordem de expulsão contra o jornalista Carlos Porcedda. «Ao contrário do que se vem dizendo, o cidadão italiano jornalista em causa não foi expulso. De acordo com a lei são-tomense existem apenas dois mecanismos de expulsão; uma administrativa e outra judicial. E o jornalista italiano não foi alvo nem da expulsão administrativa, nem da expulsão judicial. É falso que o jornalista italiano tivesse sido expulso», afirmou o Ministro da Justiça e Administração Pública, Justino Veiga.

Não houve expulsão, mas sim cassação da credencial. «O que aconteceu é que ao jornalista italiano foi concedida uma credencial e o que se constatou posteriormente é que ele extravasou o objecto da credencial. O governo soberanamente retirou-lhe a credencial, mas lhe foi dito que poderia continuar em São Tomé o tempo que quisesse, que poderia fazer outras actividades, e mais que ele poderia até requerer outra credencial tendo definido concretamente os objectos do seu trabalho. Não há nenhuma expulsão administrativa nem judicial», frisou.

Segundo o porta-voz do governo, a decisão que pôs fim ao trabalho do jornalista italiano no país, tem a ver com informações seguras que apontavam para a violação da integridade do estado. «Tivemos informações, sobre algumas filmagens que ele teria feito em determinados sectores, aliás ele teria sido advertido que não deveria ter feito isto. São informações que nós compilamos. São questões que têm a ver com a integridade do estado», precisou.

O governo não revelou quais são as questões que se relacionam com a integridade do estado, e que teriam sido violadas, mas o Téla Nón conseguiu apurar junto a sectores da defesa e segurança do estado, que o jornalista italiano, na realização da reportagem sobre os caminhos de São Tomé e Príncipe do cacau até o petróleo, terá focalizado a sua câmara para o interior de uma importante unidade de defesa e segurança do estado são-tomense, que está a ser construída com o apoio da maior potência militar internacional, os EUA.

Segundo a fonte do Téla Nón para além daquela base militar, o free lancer terá tentado outras incursões no sensível aparelho militar e de segurança.

Abel Veiga