Política

Príncipe mais isolado do que nunca, começa a enfrentar carência de produtos alimentares

O Preto-ze.JPGsidente do Governo Regional do Príncipe, José Cassandra(na foto), que denunciou o isolamento total da ilha por falta de meios de ligação marítima, avisou que a escassez dos produtos de base já se faz sentir na ilha, onde também deixou de haver fornecimento de energia eléctrica. A única embarcação privada que poderia transportar mercadorias para a ilha, o Tornado, também está avariada.

Príncipe continua a ser castigado pelo naufrágio da embarcação Therese. Ainda em luto, a população começa a sentir a vida cada vez mais difícil. Os produtos alimentares com preços normalmente mais altos na ilha, do que em São Tomé, estão a ficar mais caros ainda, devido a rotura dos stocks.

O último carregamento de mercadorias, foi a PIK. Sem qualquer barco para assegurar a ligação inter-ilhas, o Presidente do Governo Regional, anuncia o isolamento total. «É uma situação de isolamento total, carregado de tristeza, de luto e de dor. Essa dor fica mais complicada quando a ilha está completamente isolada, sem energia eléctrica, sem combustível. As mercadorias já escasseiam e algumas já não existem como é caso do óleo, do sal, da farinha de trigo O pão já começa a ser vendido a preço especulativo, os preços estão a dobrar, dai que vivemos uma situação difícil», afirmou José Cassandra.

Segundo José Cassandra, a única embarcação que poderia abastecer a ilha em combustíveis e víveres, está avariado. «Por via aérea vamos tendo alguns voos da companhia privada, mas com uma pressão enorme. Temos alunos que querem ir para São Tomé para o início das aulas e que não conseguem», acrescentou.

Após o inventário junto as famílias sobre o número de mortes, totalizando 18 pessoas, desde bebés até adultos, o Governo Regional dá voz ao sentimento da população exigindo a assumpção de responsabilidades por parte do estado são-tomense. «A população do Príncipe sente que deve haver uma responsabilidade do estado são-tomense em relação a este desastre que aconteceu», frisou para depois justificar a indignação que domina a população. «Indignação porque o estado vem deixando passar todos esses acidentes, sem nunca ter sido visto com uma preocupação humana, de olhar para as pessoas e dizer temos que dar uma mão a população da ilha do Príncipe porque merecem. É essa responsabilidade do estado que estamos a reclamar», pontuou.

O Presidente do Governo Regional, esclareceu que se trata do quinto naufrágio a ceifar vidas humanas, e por isso mesmo o sentimento de revolta é grande no Príncipe. «Porque o sentimento de revolta não é só em relação a este desastre. Este foi o pior, foram 18 pessoas. O grave é que este é o quinto. É o quarto na ligação de Príncipe para São Tomé e nada foi feito em relação aos quatro primeiros naufrágios. Essa é a indignação que da nossa parte vem de dentro e da parte da população vem de fundo», reforçou.

José Cassandra anunciou por outro lado que antes mesmo do acidente de 16 de Setembro, o governo regional tinha contactado com o ministro dos negócios estrangeiros de Portugal, em busca de uma solução para a ligação marítima entre as ilhas. O pedido foi aceite e José Cassandra acredita que na próxima visita do Chefe da Diplomacia portuguesa a São Tomé será anunciado o projecto de ligação marítima segura entre as duas ilhas.

Abel Veiga

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