A história se repete, desta vez é Rafael Branco quem prova o veneno

Publicado em 13 Out 2008
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Com o derafael.jpgscontentamento popular no auge, por causa do desaparecimento de produtos de base no mercado, e as bichas a regressarem ao convívio nacional, o Primeiro-ministro e Chefe do Governo, veio dizer que há mãos criminosas com motivações políticas por detrás desta situação. Enquanto líder da oposição, Rafael Branco, rejeitava tais acusações vindas do executivo precedente, e considerava que as autoridades da altura estavam a tentar esconder a sua incompetência. Agora é Primeiro-ministro, e sente também o mesmo sabor amargo.

Ao mesmo tempo que a população reclama pela falta do sal no mercado nacional, começaram a registar-se bichas nas bombas de combustível. O petróleo para cozinha tinha esgotado. O descontentamento popular agudiza. «Nenhuma bomba tem petróleo. Não há sal. Vamos estar nesta vida até quando?», interrogam os homens e mulheres, envolvidos numa longa bicha no centro da cidade.

Um fenómeno estranho, uma vez que a empresa distribuidora de combustíveis, a ENCO, garante que não há rotura de stock. O Primeiro-ministro confirma que diariamente a ENCO abastece o mercado com 5 toneladas de petróleo para cozinha. Daí que Rafael Branco disse não entender o pânico que começou a marcar a sociedade são-tomense a partir da última sexta-feira, por causa da rotura do petróleo nas bombas de combustível.

Com o descontentamento popular a aumentar a cada dia, o Primeiro-ministro, diz que há mãos criminosas por detrás da rotura dos produtos de base. «Espero que os nossos cidadãos estejam vigilantes porque temos pistas suficientes e não provas, de que há actividade criminosa, há gente a comprar produtos e a armazena-los. Temos pistas que estamos a investigar de que existe sal no mercado que está a ser escondido para fins especulativos e até com motivações políticas», afirmou o Chefe do Governo.

Coincidência ou não, no passado recente quando o preço dos produtos alimentares começaram a aumentar, e a rotura do stock era frequente, pairava no ar a ideia de contrabando de mercadorias, aliás o Próprio Chefe de Estado Fradique de Menezes, desafiou o governo da altura liderado por Tomé Vera Cruz a combater uma alegada criminalidade económica que estava a ocorrer no país.

O governo de Tomé Vera Cruz, também admitia a possibilidade de haver motivações políticas por detrás da rotura dos produtos de base. Facto que foi sempre contestado pelo então líder da oposição Rafael Branco. Na altura para a oposição tudo tinha a ver com a incompetência do executivo em resolver os problemas básicos da população.

Seis meses depois, tudo muda, a oposição passa para o poder, e a situação de vida da população está claramente mais complicada. A crise agudiza-se, a rotura cíclica de produtos alimentares atinge nível jamais visto, e o Primeiro-ministro faz o mesmo discurso do executivo passado.

Talvez há mãos criminosas por detrás, talvez há motivações políticas por detrás da crise. Talvez, porque tanto o anterior executivo, como o actual não conseguiram provar a suspeita lançada.

Competência para mudar o rumo dos acontecimentos, é outro aspecto que a classe política ainda não conseguiu dar provas.

Abel Veiga