Irregularidade cometida pela Ministra da Defesa Nacional, merece apenas advertências do Primeiro Ministro

24 Outubro 2008
Comentario encerado
Irregularidade cometida pela Ministra da Defesa Nacional, merece apenas advertências do Primeiro Ministro

O conselho de ministros da última quinta-feira, chegou a conclusão que o procedimento da Ministra da Defesa Nacional e do seu colega do Ministério das Obras Públicas e Infra-estruturas na negociação de bolsas de estudo de forma particular não é regular. Diante dos factos o Governo do Primeiro-ministro Rafael Branco, limitou-se desta vez a fazer advertências.

Em nome do resgate da confiança da população, desta vez o Primeiro-ministro Rafael Branco, não recorreu as competências constitucionais, para defender o bom nome do governo. A irregularidade cometida pelos ministros que negociaram bolsas de estudo à margem do estado, merece apenas advertências. «Como todo procedimento foi feito sem o conhecimento do Chefe do Governo, a decisão do venerando conselho de ministros foi no sentido de dar sem efeitos qualquer tipo de contactos a esse nível». Afirmou o porta-voz do governo e Ministro da Justiça, Justino Veiga.

Note-se que a ministra da defesa nacional foi acusada de compadrio numa angariação particular de bolsa de estudo para as forças armadas, tendo inscrito o nome da sua filha na lista de beneficiários. A própria ministra Elsa Pinto, esclareceu que nem o estado nem o governo, sabiam de tais contactos particulares que ela desenvolveu junto a uma individualidade estrangeira, considerada como amiga. «Foi feita uma advertência aos ministros de que sendo representantes da república é preciso tomar em consideração que todos os compromissos que os ministros eventualmente fizerem tem que atender aos seguintes pressupostos. Primeiro atender e respeitar as relações oficiais que o estado são-tomense tem com outras instituições e estados. Segundo a observância do dever de cumprimento de informação ao senhor Primeiro Ministro», reforçou o porta-voz do conselho de ministros.

O governo do Primeiro-ministro Rafael Branco, tenta mais uma vez estabelecer limites entre o privado e o público. Aliás o Chefe do Governo havia indicado que o facto do ex-ministro dos recursos naturais, energia e meio ambiente, Agostinho Rita não ter conseguido separar o seu estatuto de ministro com o de administrador da universidade IUCAI, foi uma das razões que motivaram a apresentação ao Presidente da República do pedido de demissão do ministro.

Por azar Rafael Branco, tem nas mãos mais uma situação similar. Para além da Ministra da Defesa Nacional que é do partido MLSTP/PSD, o Ministro Benjamim Vera Cruz das Obras Públicas e Infra-estruturas membro do PCD, também terá negociado de forma particular bolsa de estudo. «Na sequência dessas advertências os senhores ministros da defesa e das infra-estruturas foram advertidos para porem ponto final aos eventuais contactos que teriam em curso tendentes a concessão de bolsas de estudo e se essas bolsas viessem no futuro a ser consideradas deviam obedecer os trâmites normais, quer dizer deveriam ser tratadas pelo ministério da educação», concluiu o porta-voz do governo.

A conclusão do conselho de ministros desta semana, deixa entender que o protesto do partido MDFM-PL, que considerou o Primeiro-ministro como estando a usar dois pesos e duas medidas nas decisões em defesa do princípio de resgate da confiança da população nos decisores políticos, tem razão de ser.

Abel Veiga

Artigos Relacionados:
 
Comentários (0)

Comentários estão fechados.