Miguel Trovoada é o novo Secretário Executivo da Comissão do Golfo da Guiné

Publicado em 08 Dez 2008
Comentários; fechado

O ex-Prmiguel-trovoada.jpgesidente são-tomense, Miguel Trovoada (na foto), foi investido como Secretário Executivo da comissão do golfo da Guiné, durante a cimeira dos chefes de estado e de governos dos 8 países realizada na capital angolana-Luanda, sede da organização sub-regional que tem dentre outras missões prever conflitos entre os estados em torno de questões como a delimitação das fronteiras. A entrada de Miguel Trovoada constituiu surpresa para muita gente, porque travou o mandato do engenheiro Carlos Gomes, que ocupava as funções de secretário executivo há cerca de 2 anos. Mas o Presidente da República Fradique de Menezes, explicou que a mudança foi proposta e assumida pelos chefes de estado da sub-região.

Reunidos em Luanda, os 8 países que integram a comissão do golfo da Guiné, decidiram interromper o mandato do engenheiro Carlos Gomes, como secretário executivo da organização sub-regional, para dar lugar ao antigo Presidente da República Miguel Trovoada.

O chefe de estado são-tomense que tomou parte no evento de Luanda, diz que a mudança não foi por sua iniciativa, mas sim por proposta dos seus homólogos tendo em conta ao estádio actual da comissão que exige maior ligação entre o secretário executivo e os Presidentes dos 8 países. «Achou-se que seria bom que houvesse alguém que tivesse já desempenhado as funções de chefe de estado para que houvesse uma comunicação quase de igual a igual com os outros chefes de estado. Fui confrontado com esta ideia da parte dos Presidentes gabonês e congolês, no sentido de eu pensar numa outra figura», afirmou Fradique de Menezes.

Face a necessidade de mudança, veio a ribalta mais uma vez o nome do ex-Presidente Miguel Trovoada, que segundo o chefe de estado são-tomense já tinha sido indicado desde a criação da comissão do golfo da Guiné. « É evidente que eu dei a minha anuência, calhava até bem porque ele partiu daqui(São Tomé) no mesmo voo em que fui para Luanda. Ele foi contactado achou-se disponível dizendo que como filho de África que é, está sempre disponível se os chefes de estado de África precisarem dele está pronto a colaborar e assim decidiu-se pela sua nomeação a esse cargo», explicou o presidente Fradique de Menezes.

Desta forma o mandato de 3 anos de Carlos Gomes, ficou interrompido quando faltavam mais 12 meses. O Presidente da República garante que a República de Angola que neste momento preside a comissão e assegura grande parte do financiamento da mesma, já está informada sobre a necessidade de pagar ao engenheiro Carlos Gomes os seus direitos de contrato pelos 12 meses de serviço que foram interrompidos.

Miguel Trovoada na qualidade do secretário executivo nomeado já se encontrou com o Presidente angolano José Eduardo dos Santos, e segundo o chefe de estado são-tomense deverá assumir as funções na plenitude a partir de 1 de Janeiro de 2009, para mais um mandato de 3 anos.

Uma decisão que gerou surpresa reconhece Fradique de Menezes, mas também especulações maldosas como é comum na sociedade são-tomense. «É evidente que isto pode ter criado alguma incompreensão ou alguma surpresa da parte de algumas pessoas, nomeadamente da própria pessoa que vinha exercendo a função. Por outro lado aqui(São Tomé) também é fácil a propagação de coisas que não existem por vezes, porque foi-me dito ao telefone que aqui dizia-se que havia algum problema financeiro. Não. Não é isto que fez com que os outros chefes de estado tivessem tido a ideia», frisou.

Criada em 1999 a comissão do golfo da Guiné, tem dentre outras missões promover o desenvolvimento dos 8 países membros. Com excepção de São Tomé e Príncipe que deve iniciar a exploração do petróleo depois de 2012, todos os outros países nomeadamente, Angola, República Democrática do Congo, República do Congo, Camarões, Nigéria, Gabão e a Guiné Equatorial são produtores de petróleo.

Os 7 países garantem mais de 15% da produção mundial de petróleo, e cada vez mais a região do golfo da Guiné assume grande importância no contexto internacional. Não só por causa do petróleo mas também devido a outras riquezas naturais. É nesta região onde se encontra o segundo pulmão do mundo, ou seja, a maior floresta tropical do planeta depois da amazónia.

Com mais de 250 milhões de habitantes a comissão do golfo da Guiné, promove a prevenção, gestão e resolução de conflitos derivados da delimitação das fronteiras, bem como a exploração das riquezas naturais abundantes nos territórios fronteiriços dos países membros.

Abel Veiga

Notícias relacionadas