Fradique de Menezes está na Nigéria em busca de apoio do seu homólogo Umaru Yar´Adua para dinamizar o processo de exploração de petróleo na fronteira marítima comum

Publicado em 15 Jan 2009
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A implementaçãfradique.jpgo do tratado assinado pelos dois países em 2001, e que definiu a zona de exploração conjunta de petróleo, é a grande preocupação que o Chefe de Estado são-tomense leva para Abuja. Segundo Fradique de Menezes a visita oficial de 3 dias vai permitir aos dois chefes de estados analisarem pela primeira vez desde a eleição do seu homólogo nigeriano em 2007, o dossier petróleo conjunto. Uma oportunidade para dinamização do processo de exploração conjunta, num momento adverso caracterizado pela acentuada baixa do preço do ouro negro no mercado internacional.

Pela primeira vez nos últimos 2 anos, os Chefes de Estado de São Tomé e Príncipe e da Nigéria analisam o processo de exploração de petróleo na zona marítima conjunta definida desde 2001. Fradique de Menezes reconhece que o processo conheceu alguma paralisia. «Parece que nos últimos tempos tudo o que anda a volta da exploração conjunta de petróleo, tem estado um bocado silencioso», afirmou o Chefe de Estado são-tomense.

Prova disso mesmo é a ausência de contacto regular entre os dois Chefes de Estados. Aliás o tratado assinado entre os dois países indica os dois presidentes como órgãos máximos de decisão a volta do dossier. «Desde a eleição e entrada em funções deste novo Presidente que não tivemos a ocasião de sentarmos em Abuja para falar do tratado e daquilo que está a volta deste tratado», confirmou o Presidente de São Tomé e Príncipe.

Uma realidade diferente em relação aos tempos em que a Nigéria era dirigida por Olusengo Obasanjo. O antecessor de Umaru Yar´adua visitava São Tomé e Príncipe com frequência e o Chefe de Estado são-tomense desloca-se a Nigéria com regularidade.

A visita oficial desta quinta feira de Fradique de Menezes a Abuja, tem a missão de relançar o dossier petróleo que está semi – paralisado. «Vamos ver como relançar isto, diante destas questões que se verifica agora com a baixa do preço do petróleo. Não é muito encorajador para alguns grandes grupos, executarem os trabalhos que nos prometeram desde 2006 que deveriam ter feito, passou para 2007, depois para 2008, agora é para 2009 e há pessoas que dizem que possivelmente só poderá ser em 2010», reclamou Fradique de Menezes.

O Chefe de Estado são-tomense referia-se aos trabalhos de perfuração dos blocos de petróleo já adjudicados as empresas petrolíferas. São no total 4 blocos de petróleo que a autoridade conjunta São Tomé e Príncipe – Nigéria, vendeu a várias companhias petrolíferas destacando-se a americana Chevron Texaco no bloco 1.

Os trabalhos de execução de furos em busca do ouro negro ainda não foram realizados na maior parte dos blocos. Apenas o bloco 1 foi alvo de um furo. A companhia operadora confirmou a existência de petróleo e gás natural, no entanto segundo a Chevron Texaco não em quantidade comercializável. «Este trabalho tem que ser feito e hoje com o barril de petróleo a 40 dólares possivelmente não estarão muito encorajados a fazer isso. Portanto temos que pedir a Nigéria para nos ajudar a espicaçar estes grupos para voltarem ao espírito do acordo que existe entre as firmas e a autoridade conjunta», precisou Fradique de Menezes.

Para além da dinamização do processo de exploração de petróleo, o estado são-tomense pretende retomar o negócio de venda de barris de petróleo produzidos pela Nigéria. Durante a presidência de Olusengo Obasanjo, São Tomé e Príncipe teve a oportunidade de negociar 30 mil barris de petróleo por dia. Um negócio em que o arquipélago ganhava alguns cêntimos de dólar por cada barril de petróleo vendido.

Mais de 1 milhão e 200 mil dólares entravam anualmente nos cofres do estado são-tomense, que aplicava o dinheiro no financiamento de bolsa de estudo dos estudantes que estão no estrangeiro. Com a entrada do novo Presidente da Nigéria em 2007, tudo mudou. «Desde a entrada deste novo Presidente que essa operação foi suspensa. Temos estado a falar disto toda gente diz que é preciso o encontro entre os dois presidentes para desbloquear a situação. Portanto vamos ver mesmo a possibilidade de aumentar o número de barris, vamos tentar», frisou.

Ao mesmo tempo, o Chefe de Estado são-tomense, disse que vai influenciar o seu homólogo da Nigéria no sentido de se assinar um acordo financeiro que permite ao orçamento geral do estado para 2009, receber crédito financeiro da Nigéria. Um projecto lançado pelo anterior governo do Primeiro-ministro Patrice Trovoada,  e que agora pode ser materializado. «Há uma linha de crédito que não se pode concretizar. É a razão pela qual segue na delegação a ministra do plano e finanças. Esta linha de crédito estava prestes a ser assinada, vamos ver se ajudamos o nosso governo nesse sentido em parceria com o Presidente da Nigéria», concluiu.

Cooperação entre São Tomé e Príncipe e a Nigéria, no centro da visita oficial de 3 dias do Presidente sõ-tomense a Abuja. A Ministra dos Recursos Naturais, Energia e Meio Ambiente, Cristina Dias também integra a delegação presidencial.

Abel Veiga