Líbia paga bolsa dos estudantes são-tomenses em Cuba e outros países, e disponibilizou mais 750 mil dólares para o governo são-tomense importar produtos alimentares

Publicado em 26 Jun 2009
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Nunca depalacio-do-povo.jpgsde a independência nacional há 34 anos, São Tomé e Príncipe tinha beneficiado de uma intervenção tão estruturada da cooperação com a República Árabe Popular e Socialista da Líbia. Para além de transferir 250 mil dólares para o estado são-tomense pagar bolsas de estudo de centenas de estudantes nacionais em Cuba e outros países, a Líbia de Mouammar Kadhafi, oferece a São Tomé e Príncipe 750 mil dólares para comprar géneros alimentícios. Construção de escola em Angolares, investimentos para recuperação da roça Monte Café, e desenvolvimento do turismo destacam-se nas acções imediatas da Líbia em São Tomé e Príncipe.

O embaixador da Líbia com residência no Gabão, foi quem trouxe a boa nova no reforço da cooperação bilateral. Abdel Hakim Alcherif  que na quarta-feira entregou ao Presidente da República Fradique de Menezes uma missiva do guia da revolução líbia Mouammar Kadhafi, convidando o chefe de estado são-tomense para tomar parte na décima terceira cimeira da União Africana, aproveitou o átrio do palácio do povo, para anunciar uma série de acções a serem implementadas de imediato.

Começou por provar o compromisso líbio no reforço das relações bilaterais, com a entrega de 9 viaturas para a presidência da República são-tomense, e duas outras para a Guarda Presidencial. Um gesto de apoio a força que garante a segurança do Presidente da República, que se repete desta vez de forma logística. Note-se que depois do golpe de estado de 2003, Líbia enviou armamento para a Guarda Presidencial.

Anunciado o apoio logístico para o Palácio do Povo, o embaixador, passou a enumerar outras acções de impacto social, que o seu país está a financiar. «No quadro dessas relações em franca evolução, a República Árabe, Popular e Socialista da Líbia, disponibilizou uma soma de 250 mil dólares, para os estudantes são-tomenses em Cuba e outros países. Pagamos as bolsas dos estudantes para o ano 2008, num total de 250 mil dólares», declarou Abdel Hakim Alcherif, para depois garantir que o dinheiro já entrou nos cofres do estado são-tomense. «A transferência foi feita há um mês e estou seguro que o governo são-tomense já recebeu este dinheiro», pontuou.

Ainda no âmbito do acordo assinado entre os dois países, o embaixador acrescentou que «A Líbia decidiu disponibilizar a favor de São Tomé e Príncipe, um montante de 750 mil dólares para compra de produtos alimentares. Estamos a espera da reacção do governo para nomear os peritos são-tomenses que deverão comprar esses produtos», declarou.

O sector da agricultura merece atenção especial da cooperação líbia, que já assinou um contrato com o estado são-tomense para exploração da roça Monte Café.

Segundo o embaixador, uma sociedade do seu país, designada ATICO, já tem nas mãos 200 hectares de terra de Monte Café para começar a trabalhar. «A líbia vai enviar brevemente 8 tractores para o programa de desenvolvimento da agricultura, acompanhados por 8 motoristas líbios. Esses tractores serão conduzidos pelos líbios, e estarão a disposição do ministério da agricultura de são Tomé e Príncipe. O salário desses motoristas, os combustíveis, os lubrificantes e peças sobressalentes serão assegurados pela líbia», explicou.

LAICO, é o nome de outra sociedade líbia que vai começar intervir no sector do turismo. Já recebeu o título para construir um hotel de 5 estrelas no espaço onde funcionava a extinta Feira do Ponto. O mesmo grupo recebeu terrenos na zona da praia do Governador para construir hotel e campo de golfe. Abdel Hakim Alcherif garante que esses projectos turísticos vão arrancar brevemente.

Educação é outro sector que marca a nova dinâmica na cooperação entre os dois países. Líbia vai construir uma escola secundária na Cidade de Angolares, numa superfície de 2 hectares.

Os alunos que vivem nas regiões mais isoladas do distrito de Caué, não terão dificuldades para frequentar as aulas, porque segundo o embaixador, também será construído um internato, para os albergar. «Esta escola será apetrechada com equipamentos fornecidos pela Líbia que também vai assegurar o pagamento do salário dos professores, e dos funcionários que nela vão trabalhar», enfatizou.

As obras para construção da escola na zona sul de São Tomé já foram adjudicadas a uma empresa, precisou o embaixador.

Abdel Hakim Alcherif fez questão de realçar várias vezes que este reforço da cooperação com São Tomé e Príncipe é resultado das relações de amizade pessoal entre o guia da revolução líbia e o Presidente de São Tomé e Príncipe, Fradique de Menezes.

Abel Veiga