Fradique de Menezes, em silêncio no dia 3 de Setembro

Publicado em 07 Set 2009
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fradique.jpgDe comunicação fácil com as populações, revelador até de segredos, o Presidente da República e Chefe de Estado Fradique de Menezes, que desde 2001 marcou grande parte do seu mandato com muitas intervenções públicas, está mais silencioso, em 2009. No passado dia 3 de Setembro o Presidente da República, assinalou o terceiro aniversário do seu segundo mandato, sem pronunciar uma palavra para a nação. Ao contrário do que tem sido hábito o chefe de estado não chamou os jornalistas para a tradicional conferência de imprensa. Silêncio total.O Téla Nón soube que o Presidente da República, teceu alguns comentários a volta do terceiro ano do seu segundo mandato no dia 4 de Setembro, numa conversa telefónica com animador de um programa da rádio nacional. Mas no dia 3 de Setembro de 2008, Fradique de Menezes, Presidente da República falou a imprensa no Mouro da Trindade, residência oficial do Chefe de Estado. Na ocasião justificou a realização da comunicação a nação como sendo algo necessário e que como tinha acontecido desde a sua ascensão ao cargo, iria continuar a fazê-lo até o final do mandato em 2011. Fradique de Menezes, esclareceu ainda em 2008 que 3 de Setembro seria sempre uma data especial, porque todos os futuros Presidentes da República, seriam sempre investidos no mesmo dia de cada ano, por imperativo da própria constituição.

Mas 3 de Setembro de 2009, ficou sem palavras do Chefe de Estado, sobre o estado da nação, sobre o nível de implementação do seu ambicioso projecto de sociedade sufragado nas urnas por mais de 60% do eleitorado nas eleições presidenciais de 2006.

Há vários meses que o silêncio passou a marcar a actuação do Presidente Fradique. É um posicionamento que chama a atenção da opinião pública nacional, porque o Chefe de Estado habituou as populações com grandes conferências de imprensa e outras intervenções em que quase tudo era dito.

Talvez o silêncio do dia 3 de Setembro tem a ver com a radiografia da nação feita pelo Chefe de Estado, nos finais de Agosto último por ocasião do dia da polícia nacional. Uma radiografia com muitas manchas negras e preocupantes. «O pais está expectante ansioso, multiplicando-se cada vez mais em comentários cada vez mais irresponsáveis quanto maior é o desconhecimento dos factos por parte daqueles que se assumem como cronistas. O descrédito, a suspeita, a desconfiança, o boato adquiriram finalmente direitos de cidadania entre nós, e nos vamos apunhalando colectivamente como sempre, escorrendo sadicamente sobre comportamentos de uns e outros», declarou Fradique de Menezes no comando geral da polícia nacional.

O Presidente da República, salientou outros aspectos da vida nacional, que deixaram entender que o arquipélago poderá estar a transformar-se num barril de pólvora. «É perigoso que continuemos nesta cruzada que poderá abalar os alicerces afectivos da nossa nação, pelo capital de ódio e rancores que disseminamos no espaço colectivo. E tudo isto em tempos de sinais conturbados tais como o avolumar dos problemas sociais resultantes do desmoronar de estruturas preventivas como a família e a escola, crises económicas que atentam contra os laços que deveriam ligar de um modo regular, estratégico e concreto as esperanças do povo e as decisões dos governantes, especialização de estruturas de importação de comportamentos criminosos, recrudescimento do desanimo e do desespero, enfim sinais preocupantes para todos. Hoje a inclinação para a agressividade vai fazendo escola. A crise de valores e a desurbanidade nos pressionam a todos», reclamou Fradique de Menezes em Agosto último.

Diante do perigo que ao que tudo indica força o silêncio, o Presidente da República, realçou a importância das forças de segurança estarem preparadas física, psicológica e tecnicamente para susterem os pilares do estado que tende a resvalar-se para o caos.

A feição de Fradique de Menezes em Agosto na tribuna da festa da polícia, era de um homem chateado. Chateado com o rumo dos acontecimentos, chateado porque ele que é Presidente da República, Chefe de Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas, está a ser ignorado pelo poder executivo na tomada de algumas decisões que segundo a constituição política o Presidente da República tem a última palavra. «Seria muito cinismo da minha parte que face ao que está a passar-se eu não deixasse aqui estes comentários, repito enquanto presidente da república e chefe de estado e comandante supremo das forças armadas, sobretudo quando sou confrontado por vezes a decisões para as quais não fui em sou tido nem achado», referiu Fradique de Menezes.

O caso STP-Trading, mereceu atenção especial. «Devo chamar a atenção de todos sobre os estragos que um tal caso, pode causar as nossas relações económicas com o Brasil, em termos de outras possíveis ajudas em forma de créditos que podemos vir a requerer as autoridades brasileiras. Devemos reconhecer que a imagem que estamos a transmitir ao povo brasileiro não é nada boa. Eu se fosse um cidadão brasileiro do nordeste do Brasil onde a seca e a fome assolam a todo o momento ao tomar conhecimento que o meu governo concedeu uma linha de crédito a um país africano que ao invés de aumentar a ajuda que me dá concedeu esse crédito e que ainda por cima este país africano não está a saber utilizar devidamente esse crédito eu não estaria contente com esse meu governo. A proceder como estamos a proceder, meus senhores torna difícil a tarefa daqueles que são chamados a procurar no exterior os meios financeiros para desenvolver o país. E digo bem o Presidente da República representa o estado nas relações internacionais. Ele é um daqueles que sai e que pede», reforçou.

Para além de chateado, Fradique de Menezes está envergonhado. «Confesso-vos que não sei o que dizer ao senhor presidente Lula e ao seu ministro das relações exteriores Celso Amorim quando de certeza encontrar-me com eles vem Nova York por ocasião da próxima Assembleia Geral das Nações Unidas, pois tanto pressionei-os para que nos concedessem essa linha de crédito», sublinhou.

Presidente da República com menos poder no segundo mandato, ficou mais silencioso. 

Abel Veiga