Mandado de detenção emitido pelo juiz Augério Amado Vaz contra o advogado e deputado Adelino Izidro descredibiliza o Tribunal

Publicado em 18 Set 2009
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edificio-do-supremo-trubunal-de-justica.jpgO descrédito tomou conta do palácio da justiça esta quinta-feira. O Juiz Augério Amado Vaz, emitiu na quarta-feira um mandado de detenção contra o advogado e deputado do MLSTP/PSD, pelo facto do advogado ter levado consigo um processo judicial para consulta há alguns dias. Um mandado que ficou apenas no papel. Os oficiais de justiça não executaram a ordem do juiz, o próprio advogado procurado, apareceu quinta – feira no Tribunal para ser detido, o que acabou por não acontecer.Adelino Izidro, explicou que como advogado do processo-crime, pediu o processo para consulta. Pedido que foi aceite pelos funcionários judiciais. «Pedi o processo em confiança, é um estatuto que a lei permite, infelizmente os funcionários do tribunal não conseguiram localizar o livro de confiança, e normalmente quando não há o livro de confiança, regista-se numa folha branca que o advogado tal levou o processo. Esta a prática nos nossos tribunais. Eu não vou desviar o processo diante de mais de 10 funcionários do tribunal. Eu queria o processo para consulta. Levei o processo. Isso não é causa justificativa para passar o mandado de captura contra mim», reforçou o advogado.

Mesmo se o prazo tenha expirado, o advogado acrescentou que em última instância ele seria admoestado com multas, e não pela via de mandado de captura como ordenou o juíz. «Eu desconheço a causa do mandado de captura. Não desviei qualquer bem do estado, por saber que existe um mandado de captura contra mim decidi vir ao tribunal apresentar-me para que eu seja capturado», pontuou.

O ridículo é que o advogado e deputado, não foi se quer interpelado pelos oficiais de justiça, nem tão pouco pelo juiz que ordenou a captura.

Guilherme Posser, antigo Primeiro Ministro e advogado que acompanhou Adelino Izidro, disse que tinha que estar no local, por razões políticas e profissionais. «É um correligionário do mesmo partido que é o meu o MLSTP/PSD. Há medidas que são tomadas de forma arbitrária e com sentido completamente diferente. Ele é deputado tem imunidade, mas tem um mandado de captura contra ele, sem ter cometido nenhum crime, sem ter sido apanhado em flagrante delito. Não compreendemos e não deixa de ser bastante lamentável», declarou Guilherme Posser.

Adelino Izidro anunciou por outro lado que entregou o processo judicial que tinha requisitado para consulta, aos serviços do tribunal, esta quinta-feira.

Um episódio triste que põe em causa a imagem do tribunal e a credibilidade de algumas decisões dos juízes.

Abel Veiga