Delfim Neves diz que está ansioso por prestar declarações a justiça no âmbito do processo STP-Trading, e garante que em nenhum momento esteve mudo e surdo diante dos magistrados do ministério público

Publicado em 18 Set 2009
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deputado-delfim-neves.jpgDelfim Neves considera que a bola está do lado da procuradoria-geral da república. Aguarda ansiosamente pela audiência onde segundo ele tem muito para dizer e confirmar a sua inocência no caso STP-Trading. O deputado aproveitou para rejeitar as informações segundo as quais entrou surdo e saiu mudo da última audiência no ministério público. Enquanto isso o Téla Nón apurou que na quinta – feira o Presidente Interino da Assembleia Nacional Jaime Costa e o Procurador Geral Roberto Raposo, estiveram reunidos na Assembleia Nacional.

O deputado que esteve na procuradoria-geral a república na passada sexta-feira para prestar declarações no âmbito do processo STP-Trading, desmente as informações segundo as quais teria entrado surdo e saído mudo do encontro com os magistrados do ministério público. «Essa questão que anda aí na rua de que eu entrei surdo no ministério público e sai mudo, quero dizer que não é verdade, porque naquele dia os procuradores nem se quer abriram uma página do processo, nem se quer fizeram uma pergunta. Houve apenas uma discussão entre o advogado e os procuradores e ficou por aí», afirmou Delfim Neves, para depois acrescentar que «Foram os procuradores que levantaram a questão de querer saber qual era o meu estatuto nos autos. Foram eles que disseram que havia dúvidas porque a carta enviada pela Assembleia Nacional era dúbia. E dissemos se era dúbia que voltassem a solicitar a assembleia nacional, e assim ficou. Não houve qualquer pergunta nem se abriu uma página do processo. Não sei de onde saiu esta declaração de que eu tinha entrado mudo e saído surdo. Vê-se logo que há uma montagem contra mim», frisou.O deputado e secretário-geral do PCD que é também director administrativo e financeiro da empresa que beneficiou da linha de crédito de 5 milhões de dólares para importação de produtos do mercado brasileiro, diz que está ansioso para falar diante da justiça. «Estou com vontade, com apetite de falar. Aliás no próprio dia em que estive no ministério público, os procuradores que lá estavam que venham desmentir, se for mentira, manifestei a vontade de falar independentemente do estatuto que eu tinha, seja como arguido ou declarante. Se for um processo transparente, isento de qualquer outras ambições, estou tranquilo e convicto que neste processo não há nada que me pode ser imputado como crime», sublinhou.

Questionado sobre o ponto da situação do processo que parece estar a morrer, Delfim Neves, afirmou que a bola está do lado do ministério público. «Acho que cabe ao ministério público explicar qual é o ponto da situação. Porque eu estou a espera de alguma notificação ou da evolução do caso», declarou.

O deputado desmentiu por outro lado as informações divulgadas também pelo Téla Nón segundo as quais o ministério público, terá avançado com um pedido de levantamento da sua imunidade parlamentar. «Até este momento não entrou nenhum pedido na Assembleia Nacional», assegurou Delfim Neves.

O secretário-geral do partido PCD que governa São Tomé e Príncipe em parceria com o MLSTP/PSD, continua a dizer que é inocente. «Não temo nada em relação ao caso STP-Trading porque apareço neste caso apenas para salvar o crédito. Se houver alguma questão de prejuízo também terei não só como sócio da empresa que faço parte, mas também porque antecipei alguns valores para salvar o crédito», defendeu.

No entanto fonte segura do parlamento disse ao Téla Nón que o Procurador-geral da República Roberto Raposo, esteve reunido esta quinta – feira cerca de 40 minutos com o Presidente Interino da Assembleia Nacional, Jaime Costa, no salão nobre da casa parlamentar. Uma reunião sigilosa, que aconteceu após a troca de cartas entre o parlamento e a procuradoria-geral da república.

Informação ainda não confirmada pelo ministério público dá conta que mais dois deputados foram notificados para se apresentar como arguido, um deles segundo fonte do Téla Nón, é o empresário Nino Monteiro.

O Téla Nón apurou que o segundo deputado da nova ofensiva do ministério público poderá ser Arzemiro dos Prazeres, vulgo Bano.

Abel Veiga