Arlécio Costa disse ao Tribunal que é vítima de perseguição política e economica orguestrada pelo Presidente da República

Publicado em 09 Out 2009
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arlecio.jpgNa audiência de julgamento, na defesa da sua alegada inocência face a acusação de prática de 7 crimes de posse ilegal de armas, de 1 crime de actos preparatórios contra a segurança do estado, outro de associação de malfeitores e mais um de actos equiparados a rebelião, o Presidente do partido FDC Arlécio Costa, apontou o dedo indicador ao Presidente da República Fradique de Menezes. O réu disse ao tribunal, que é vítima de uma perseguição política e económica orquestrada pelo Chefe de Estado são-tomense. Perseguição económica por causa de um terreno de 6 hectares na zona da Praia das Conchas, e também por causa da exploração pela sua empresa Falcon Group de jogos de fortuna e de azar.

De pé com uma gravata de barras brancas e pretas, Arlécio Costa, confessou diante do tribunal que ele pertenceu ao antigo batalhão 32 da África do Sul, os Búfalos. Confessou que ele e outro colega que não está envolvido neste caso, e que se chama Podreco, foram formados como oficiais do extinto batalhão sul-africano, na década de 80, e que os outros colegas foram apenas operacionais das companhias.

Detalhado um pouco a história do seu passado, o líder da FDC, considerou a sua detenção e dos seus colegas e militantes do partido no dia 11 de Fevereiro de 2009, como sendo uma perseguição política e económica, movida pelo Presidente da República.

Segundo o Réu a perseguição económica tem a ver com um terreno de 6 hectares localizado na zona da Praia das Conchas. O terreno do estado foi concedido a uma sociedade portuguesa que pretendia construir uma aldeia turística, designada Lobata Vilage. Segundo Arlécio Costa, o grupo português decidiu vender o terreno, e firmou com a Falcon Group, empresa em que ele é accionista, um acordo de intenções para compra do respectivo terreno na ordem de 700 mil dólares.

Arlécio Costa, explicou ao Tribunal que a Falcon Group, avançou ao grupo português o pagamento de 300 mil dólares, como garantia para a compra do terreno. Só que segundo Arlécio Costa, o Presidente da República Fradique de Menezes fez tudo para evitar que o negócio consumasse, querendo que o terreno em causa, fosse vendido a ele.  Por isso mesmo acrescentou o líder da FDC, o aumento da tensão entre o seu grupo e o Chefe de Estado são-tomense.

Outra denúncia de perseguição económica, orquestrada segundo Arlécio Costa, pelo Presidente da República, tem a ver com a exploração dos jogos de fortuna e azar. O Falcon Group, era proprietário de um casino, e por isso vivia sob forte pressão, assegura o líder da FDC. Pressão movida pelos interesses instalados do grupo Pestana em São Tomé, empresa que de acordo a Arlécio Costa, tem ligações com o Chefe de Estado saõ-tomense.

Arlécio Costa, disse ao Tribunal que recebeu uma carta do irmão do Presidente da República, que por sinal é sócio do grupo Pestana, João de Menezes, que continha ameaças a respeito das operações da Falcon Group na exploração do casino. Disse também que após a sua detenção, recebeu uma proposta para vender o casino e as máquinas que estão na posse da polícia, incluindo o título de concessão passado pelo estado são-tomense.

Questionado pelos Juízes, o réu afirmou que o casino do seu grupo, fazia muita concorrência ao casino do grupo Pestana.  Para o réu a perseguição política é sustentada pelos acontecimentos de Julho de 2003, quando o partido FDC por ele liderado, executou o golpe de estado que por alguns dias afastou do poder o Presidente Fradique de Menezes e o governo da altura, liderado por Maria das Neves.

Por outro lado, Arlécio Costa, confessou ao Tribunal que mantinha sob seu comando 30 jovens desempregados. Eram alimentados e treinados por ele nos diversos domínios de combate. O líder da FDC, não escondeu também que tinha na sua posse armas de guerra. Aos 30 jovens que estavam sob seu comando impunha regras de disciplina militar. Quando cometiam algum erro eram sancionados com palmatórias nas plantas dos pés.

Dentre as armas que tinha na sua posse, destaca-se uma telescópica, que de acordo ao réu tinha como principal objectivo caçar Javalis.

A audição de Arlécio Costa, marcou o segundo dia de julgamento que prossegue esta sexta-feira. No total o tribunal vai ouvir 18 réus, e cerca de 3 dezenas de testemunhas. Peritos em armamento militar também vão intervir no julgamento para mostrar ao tribunal, se o arsenal de armas que estava na posse de Arlécio Costa, faz ou não muitos estragos.

Abel Veiga