Deputado Delfim Neves já satisfez o seu apetite de falar tudo a volta do escândalo STP-Trading

Publicado em 09 Out 2009
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deputado-delfim-neves.jpgO deputado(na foto) que anunciou a imprensa estar com apetite de falar, e que não o pode fazer na primeira convocação do ministério público, acabou por saciar o seu apetite esta quinta – feira. Delfim Neves esteve reunido com a equipa anti-corrupção do ministério público durante 10 horas. No final da audição o advogado de defesa Pascoal Daio, anunciou que tudo foi devidamente explicado. Segundo o advogado, o seu cliente demonstrou que não cometeu qualquer acto ilícito no processo de importação de produtos alimentares do mercado brasileiro, na base da linha de crédito de 5 milhões de dólares.

Só depois das 18 horas desta quinta – feira é que Delfim Neves, director administrativo e comercial da STP-Trading, saiu do edifício da procuradoria-geral da república onde entrou desde as 8 horas da manhã. Teve tempo para matar o apetite de falar tudo a volta do escândalo da linha de crédito de 5 milhões de dólares aberta pelo Brasil a favor de São Tomé e Príncipe.

Com imunidade porque é deputado, Delfim Neves, é o único dirigente da empresa nacional que importou os produtos, a STP-Trading que está em liberdade. A audição demorada estava a provocar ansiedade no seio dos dirigentes e militantes do PCD, que aguardavam o secretário geral Delfim Neves, diante do edifício da Procuradoria-geral da República.

Alguns temiam pelo pior, ou seja, que a figura emblemática do partido, como havia dito o Presidente Albertino Bragança numa declaração a imprensa, acabasse por ser detido apesar de estar imunizado.

Depois das 18 horas. Delfim Neves saiu sorridente, recebeu abraços apertados de outros dirigentes do seu partido. Alguns militantes celebravam eufóricos a liberdade do secretário-geral. “Deus é justo”, foi um dos slogans mais ouvido.

Delfim Neves não falou a imprensa, bastaram as 10 horas de debate com os magistrados do ministério público. Desta vez quem falou para a comunicação social, foi o advogado Pascoal Daio. «Foi demorado, mas o deputado teve a oportunidade de explicar todos os actos praticados por ele no âmbito da sua intervenção na STP-Trading. São actos que a priori não revelam a prática de aspectos susceptíveis de engajar a sua responsabilidade, quer ela seja civil ou penal. Não existem pressupostos legais para poder-se imputar ao senhor deputado Delfim o cometimento de algum facto ilícito», declarou o advogado.

Segundo Pascoal Daio, o seu cliente entrou na STP-Trading, através da empresa D&D, para ajudar o país a não perder o crédito de 5 milhões de dólares, tendo em conta o risco que existia por falta de garantia financeira da parte do empresariado nacional. «Foi tudo completamente esclarecido», assegurou o advogado.

Resta agora aguardar pelo próximo passado do ministério público. Arquivar o processo STP-Trading, confirmando assim que o advogado de Delfim Neves tem razão, ou então intensificar a investigação trazendo para a arena, outros nomes, outras figuras, até agora não citadas no escândalo que sujou ainda mais a imagem de São Tomé e Príncipe.

Abel Veiga