Política

Carlos Tiny anuncia melhoria das condições de trabalho e de vida para os funcionários do Ministério dos Negócios Estrangeiros e defende a recente nomeação de embaixadores políticos

ministro-negocios-estrangeiros.jpgO Ministério dos Negócios tem novo estatuto orgânico. Anúncio do Ministro Carlos Tiny, para tentar provar que o sector tem outra vida após ano e meio sob a sua liderança. Tiny que nomeou vários embaixadores políticos, para substituir alguns diplomatas de carreira que estavam nas embaixadas de São Tomé e Príncipe no estrangeiro, diz que a nomeação de embaixadores políticos é prática em qualquer parte do mundo. O Ministro garante que desde a independência nacional nunca o ministério dos negócios estrangeiros teve oportunidade de conhecer tanta reforma positiva. Segundo Carlos Tiny, para fazer a histórica reforma do sector dos Negócios Estrangeiros, o governo pediu ajuda do PNUD, que contratou uma consultoria internacional, a KTMG. Os consultores da empresa que o ministro diz ser a mais prestigiada a nível internacional, chegaram a conclusão de que era necessária reforma profunda do sector. «Encetamos essa reforma profunda com o apoio do Governo e de sua excelência o Presidente da República, tenho em mãos o documento de reforma do estatuto orgânico do ministério. Mas julgo que onde o sector tinha mais carências era a nível dos recursos humanos», afirmou o ministro.

Pelas contas de Carlos Tiny, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades, perdeu nos últimos anos, muitos quadros de nível superior, como consequência «do nível salarial extremamente baixo, desmotivação. A nível diplomático perdemos mais de 40 ou 50% de diplomatas», frisou, o ministro.

Perdas que de acordo as palavras do ministro, foram travadas durante ano e meio que tutela o sector. «Acho que desde a independência nunca num espaço tão curto o ministério contratou tantos diplomatas. Neste período do ano 2009 metemos 10 diplomatas de carreira. São novos com muito bom nível de formação, num processo de selecção competitiva. Recrutamos gente de qualidade. E tenho orgulho de dizer que treinamos um diplomata que foi para a escola de Rio Branco no Brasil e já regressou. Mandamos mais duas jovens que estão na escola de Rio Branco. Até o final do mandato teremos este ministério reestruturado com pessoal diplomático de qualidade, com pessoal em formação, porque também encetamos mecanismos de formação interna em língua. Todos os diplomatas novos e velhos têm que apreender francês e inglês», destacou o ministro.

Para que a dificuldade financeira não venha a provocar desistências, como aconteceu no passado, Carlos Tiny, garantiu ao Téla Nón que a carreira diplomática já é um privilégio. «Com apoio do governo adoptou-se o quadro privativo de carreira diplomática, que era uma reivindicação antiga dos diplomatas. Melhorou-se bastante as condições de trabalho dos diplomatas, que vão ter um salário digno da função, e finalmente dizer que temos um problema de espaço, e vamos começar ainda este ano a construção de um anexo aqui no Ministério onde haverá condições de trabalho para os diplomatas, para além da introdução da rede do serviço informático aqui no ministério», detalhou.

No entanto Carlos Tiny, sente orgulho de ter contratado mais diplomatas para o ministério dos negócios estrangeiros, numa altura em que o governo de que faz parte decidiu renovar o funcionamento das embaixadas no estrangeiro, nomeando como embaixadores figuras políticas sem qualquer trajectória no sector da diplomacia. «Há uma grande confusão nisto. Em todo o lado do mundo há os chamados embaixadores políticos. Mas do que metade de embaixadores que o Presidente dos Estados Unidos nomeia são políticos. Julgo que o ideal é uma mistura de embaixadores de carreira e de políticos», defendeu o ministro.

Talvez para evitar o embaraço, Carlos Tiny, deu exemplos para mostrar que ele não errou na designação dos embaixadores políticos. «Tomemos como exemplo o embaixador em Portugal o senhor Damião Vaz de Almeida, que eu conheço desde jovem com 20 anos, que tem 30 anos de serviço público. Exerceu funções distintas. Primeiro Ministro, Ministro do Trabalho, Presidente do Governo Regional do Príncipe. Se ele não tem capacidade para ser representante de São Tomé e Príncipe no estrangeiro não sei quem mais terá», declarou.

Jorge Amado embaixador em Taiwan, é outro bom exemplo segundo Carlos Tiny. «Jorge Amado. Foi ministro, foi líder parlamentar, deputado com dois ou três mandados, portanto tem experiência. O que se passa é que neste ou naquele caso, as pessoas não gostem da figura A,B, ou C. Gostar ou não gostar de mim, isso é uma coisa. Agora que eu não tenha capacidade isso é outra coisa», sublinhou.

O ministro explicou ainda que os embaixadores têm uma equipa de apoio composta por diplomatas de carreira. No final Carlos Tiny, fez uma espécie de meia culpa. «Agora outra questão com a qual estarei de acordo, é que no futuro haja mais saídas para nomeação de embaixadores de carreira», concluiu.

Abel Veiga

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