Fradique de Menezes faz revelações escandalosas

Publicado em 03 Jan 2010
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prce.jpgAinda no âmbito da sua eleição ao cargo de Presidente do MDFM-PL, o Presidente da República e Chefe de Estado, decidiu fazer novas revelações escandalosas, na mensagem de fim do ano dirigida a nação. Fradique de Menezes que pela primeira vez não leu qualquer discurso, tendo falado em improviso, revelou que os membros da direcção do PCD foram a sua residência privada na Favorita, pedir dinheiro para subornar os deputados da ADI, na altura do governo de Tomé Vera Cruz.

Segundo Fradique de Menezes, tais revelações acabam por ser feitas por causa das críticas do PCD e do MLSTP/PSD por causa da sua eleição ao cargo de Presidente do MDFM-PL. Mas também porque de acordo as palavras do Chefe de Estado, muita gente em São Tomé e Príncipe, assume condutas incoerentes de acordo aos interesses do momento.

O Chefe de Estado recuou para o período anterior a criação da coligação MDFM-PCD que venceu as eleições legislativas de 2006. Naquela altura diz do Presidente da República, os dirigentes do PCD reuniram-se com ele em Favorita para criar a coligação. «Não posso conceber pessoas que estiveram sentadas comigo, refiro-me ao senhor Albertino Bragança, o Senhor Delfim Neves, o Senhor Francisco Silva, o senhor Cosme Rita e os membros do MDFM do outro lado da mesa, e eu a presidir a comissão de seguimento da coligação MDFM-PCD. Porque é que naquela altura não disseram que é inconstitucional. Só agora é que vêm dizer que é inconstitucional?», interrogou.

A denúncia escandalosa vem logo a seguir. «Naquela altura tudo fizeram, compraram os deputados da ADI, vieram a mim para eu também pagar esses deputados mensalmente. E não era inconstitucional. Já sabem a forma como eu sou, eu já disse que iria dizer isso. Devemos cessar esta dupla atitude que nós temos. De uma vez somos uma coisa, e noutra ocasião já somos outra. Eu gostaria que os senhores do PCD, dissessem já naquela altura que era inconstitucional, o Presidente da República estar metido com os partidos políticos. Porque é que não disseram? É inaceitável que sejamos assim. Vamos tirar as máscaras e sermos honestos uns com os outros», afirmou o Chefe de Estado e Presidente do MDFM-PL.

Fradique de Menezes denuncia o suborno dos deputados do partido ADI, ao que tudo indica para garantir o sustento parlamentar do antigo governo da coligação MDFM-PCD, liderado por Tomé Vera Cruz. A referida coligação tinha apenas 23 deputados, num parlamento de 55 assentos, mas em várias ocasiões beneficiou de votos de alguns deputados da ADI, para fazer passar diplomas importantes. 

Uma denúncia de corrupção política, que em países de democracia madura, poderia provocar a intervenção do ministério público e gerar processos crimes, tanto para os corruptos como para os corruptores.

No entanto o Téla Nón sabe que em consequência da declaração do Chefe de Estado a Assembleia Nacional deverá reunir-se esta terça-feira. Altura em que os deputados, sobretudo do PCD, deverão responder mais, estas declarações de Fradique de Menezes. 

Na declaração de ano novo, o Presidente da República pôs a nu a corrupção na casa parlamentar, e defendeu a legalidade da sua eleição ao cargo de Presidente do MDFM-PL com base no comentário recentemente feito a imprensa portuguesa pelo constitucionalista português Jorge Miranda. «Toda gente sabe que o doutor Jorge Miranda é uma das pessoas que está na base da nossa constituição, que elaborou a nossa constituição», declarou para depois acrescentar que depois de ouvir o comentário do constitucionalista português, as pessoas que andavam a criticar a sua eleição em congresso para as funções de Presidente do MDFM-PL, deveriam pedir desculpas a toda gente.

Fradique de Menezes, precisou ainda que o constitucionalista português Jorge Miranda, pai da constituição são-tomense, não falou a imprensa por encomenda. Alusão feita em relação a um outro constitucionalista que em declarações a imprensa teria tido o contrário, ou seja, que o acto do Presidente da República é inconstitucional.

Abel Veiga