Política

Justino Veiga e Cristina Dias entregaram pedido de demissão ao Primeiro-ministro

justino.jpgOs dois ministros que já tinham demitido do partido MDFM-PL de Fradique de Menezes, desde o passado dia 4 de Janeiro decidiram esta quinta – feira pôr os respectivos cargos a disposição do Primeiro Ministro Rafael Branco, porque segundo os dois, não querem se transformar na causa de uma grandecristina.jpg crise política no país. Tudo porque o Presidente da República e Presidente do MDFM-PL, não aceita que os mesmos continuem no governo, enquanto que o MLSTP e o PCD defendem o contrário.

 

Os dois ministros, nomeadamente Justino Veiga da Justiça, Administração Pública e Assuntos Parlamentares e Cristina Dias dos Recursos Naturais, Energia e Meio Ambiente, começaram por explicar as razões que os levaram a desacatar a decisão do partido MDFM-PL do Presidente Fradique de Meneazes de abandonar o governo. «Primeiro é que tínhamos a obrigação de continuar a servir o país. Segundo porque a decisão de saída do governo na nossa perspectiva não criava nada de positivo, nem para o partido, nem para eventual estratégia do partido», afirmou o demissionário Ministro da Justiça e Assuntos Parlamentares.

Os dois ministros anunciaram algo que demonstra que o partido de Fradique de Menezes, ainda vive alguma instabilidade e forte discordância interna. Talvez fruto das sucessivas crises internas que o partido viveu nos últimos anos, muitos militantes e dirigentes do MDFM-PL, solidarizaram-se com os dois ministros que desacataram a decisão da liderança. «Agradecer muitos militantes do MDFM  e outras entidades com responsabilidades dentro do partido que ligaram para nós a manifestar solidariedade, porque afinal de contas a decisão do partido que é sempre contestável de ponto de vista político, no momento actual não tinha nenhuma sustentação plausível», fundamentou o demissionário Ministro da Justiça.

Os dois ministros que pertenciam a órgãos de decisão do MDFM-PL, agradecem também os partidos MLSTP/PSD e o PCD, pela solidariedade manifestada, bem como o «senhor primeiro ministro pela forma como foi companheiro solidário nesse processo, e também os nossos colegas do governo que prontificaram a mostrar solidariedade», acrescentou.

Justino Veiga e Cristina Dias que se reuniram quinta – feira com o Primeiro Ministro Rafael Branco, dizem que desde quarta – feira após a rejeição pelo Presidente da República da proposta de remodelação governamental, por alegada falta de confiança nos mesmos para continuar a exercer os respectivos cargos ministeriais, sentiram que passaram a ser o centro da discórdia política. «De um lado uma renovação da confiança em nós por parte do senhor primeiro ministro e chefe do governo que agradecemos particularmente, mas do lado do Presidente da República, uma decisão de rejeição do nosso nome para continuar como ministro evocando também que tínhamos perdido a confiança política do presidente, que é um elemento de aferição do primeiro ministro, e não do presidente da república», enfatizou.

Para não constituírem móbil de uma crispação política com consequências imprevisíveis, os dois preferiram demitir-se do cargo e facilitar assim a remodelação do executivo. «Estamos a constatar é que está-se a criar um clima de crispação política desnecessária. Está-se a criar um clima de ansiedade política desnecessária corroborada por afirmações algumas sem sustentação nenhuma que são ditas por estes e por aqueles. E como entendemos que nós não nos devemos sacrificar em nome da promoção de qualquer tipo de instabilidade, não queremos instabilidade e se há uma razão de fundo que nos fez ficar foi exactamente impedir que esta instabilidade ocorresse, viemos dizer ao senhor primeiro ministro que colocamos o nosso cargo a disposição para que afinal de contas sejam removidos, os impedimentos que parecem existir actualmente, que parecem ser especificamente Justino Veiga e a doutora Cristina Dias», explicou.

Os dois ministros tentaram demonstrar que a decisão de confrontar a Direcção do MDFM-PL, foi uma forma de dizer basta a política de instabilidade permanente que ao que tudo indica a liderança do partido procura semear na sociedade são-tomense. «Queremos dizer a aqueles que eventualmente até se constituíram em nossos detractores que aquilo que fizemos foi apenas demonstrar que não obstante os interesses deste ou daquele partido sejam legítimos, há momento que interesses da nação, interesses de estabilidade do estado deverão prevalecer em relação a quaisquer interesses ou manifestação de estratégia política», fundamentou.

MDFM-PL, também já é história para os dois ministros. «É preciso dizer que apresentamos a nossa carta de demissão ao partido, ficamos completamente libertos como todos os outros para participarmos no esforço de desenvolvimento do nosso país, como todos outros», concluiu.

Destra forma o Primeiro-ministro Rafael Branco tem margem de manobra para remodelar o governo. 4 pastas ministeriais que pertenciam ao MDFM-PL deverão ser preenchidas pelos dois partidos que sustentam o executivo, nomeadamente o MLSTP/PSD e o PCD.

Abel veiga

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