“Eu tenho que pedir encarecidamente ao senhor Presidente Fradique de Menezes que não volte a tratar os nossos compatriotas de escumalha”

Publicado em 13 Jan 2010
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presidente-da-assembleia-nacional.jpgO pedido foi feito pelo Presidente da Assembleia nacional, Francisco Silva, em resposta a denúncia feita pelo Presidente Fradique de Menezes, segundo a qual Francisco Silva participou em 2006 numa reunião em Favorita onde foi criada sob a sua presidência a coligação MDFM-PL. Fradique de Menezes demonstrou com este facto que as pessoas do partido de Francisco Silva, o PCD que hoje criticam a sua eleição ao cargo de Presidente do MDFM-PL, não têm carácter. O Chefe de Estado denunciou também a compra dos deputados da ADI, por parte da coligação MDFM-PCD, como mais uma prova da desonestidade. Francisco Silva respondeu a todas as acusações, e considerou de inconstitucional o facto do Presidente da República ser simultaneamente Presidente do MDFM-PL.

A tensão Política persiste em São Tomé e Príncipe. Francisco Silva, Presidente da Assembleia Nacional, ausente do país nos últimos 15 dias por razões de saúde, regressou para responder ao Presidente da República.

Primeiro sobre o facto de o partido de Francisco Silva, criticar hoje a eleição de Fradique de Menezes a Presidencia do MDFM-PL, quando no passado, ou seja, em 2006 o próprio Francisco Silva fez parte de um grupo de dirigentes do PCD que foi a Quinta da Favorita negociar com Fradique de Menezes a criação da coligação MDFM-PCD. Fradique de Menezes perguntou porque é que naquela altura não consideraram o acto dele como ilegal. «A resposta é simples. Porque naquela altura não havia nenhum acto inconstitucional do senhor Presidente. Senhor Presidente não era Presidente do partido MDFM-PL. Quem era líder do MDFM-PL era o secretário-geral Tomé Vera Cruz. Senhor Presidente não era líder da coligação, a liderança da coligação era rotativa, ora o engenheiro Tomé Vera Cruz na qualidade de secretário-geral do MDFM-PL, ora doutor Mário d´Alva na qualidade de Presidente do partido da Convergência Democrática. E porque naquela altura não havia nenhum acto inconstitucional, não poderíamos dizer ao senhor Presidente em 2006 que o seu envolvimento com a direcção da coligação era inconstitucional», respondeu o Presidente da Assembleia Nacional.

Francisco Silva reconheceu no entanto, que em causa está uma questão de ética. «Há todavia uma questão de ética. É verdade que nós reuníamos com o senhor Presidente na sua mesa, na sua Quinta da Favorita, e aqui abro um parêntese para dizer ao senhor Fradique de Menezes, que pelo menos da minha parte deverá não ter mais esta preocupação, pois nunca mais voltarei a por os pés na Quinta da Favorita nem sentar na sua mesa», realçou Francisco Silva.

O ponto polémico tem a ver com a denúncia feita pelo Presidente da República sobre a compra dos deputados da ADI, pela coligação MDFM-PCD, na altura no poder. Fradique de Menezes disse que os senhores do PCD iam a sua Quinta da Favorita pedir dinheiro para pagar mensalmente os deputados da ADI. «Quero afirmar peremptoriamente que nunca fui ter com o senhor Presidente Fradique de Menezes para negociar a compra de qualquer deputado, nunca fui ter com o senhor Presidente Fradique de Menezes para informar-lhe que o PCD tinha comprado qualquer deputados, nunca fui ter com o senhor Presidente Fradique de Menezes para lhe pedir para pagar mensalmente qualquer deputado. Que isto fique bem claro», explicou Francisco Silva.

Porque o chefe de Estado, disse que tais pessoas que hoje criticam a sua eleição ao cargo de Presidente do MDFM-PL, não têm carácter, o Presidente da Assembleia Nacional, reagiu com rejeição. «Quero rejeitar de forma muito categórica esta acusação de desonestidade, de falta de carácter e de uso de máscaras. Tive sempre um nome, um rosto e uma personalidade. Sempre procurei ser uma pessoa coerente. Nunca fui uma pessoa incoerente, inconstante e desonesta», pontuou.

Francisco Silva terminou a sua declaração pública feita no gabinete de Presidente da Assembleia Nacional, lançando dois apelos ao Presidente da República. «Para haver paz tem que haver tolerância e respeito. Eu tenho que pedir encarecidamente ao senhor Presidente Fradique de Menezes que não volte a tratar os nossos compatriotas de escumalhas, pelo simples facto de terem ou defenderem posições diferentes as do senhor Presidente Fradique de Menezes, quer por terem partidos diferentes, quer por escreverem no Yahoo Group, quer por darem entrevista a qualquer estação de rádio», declarou para depois apresentar o segundo apelo. «Em segundo lugar dizer ao senhor Presidente que também Presidente de todos os são-tomenses, mas que preferiu ser também Presidente de um partido político ao mesmo tempo, que tem que fazer um grande esforço para separar as águas. Fiquei muito triste quando na mensagem do final do ano, dirigida aos são-tomenses, o senhor Presidente vestindo a pele de Chefe de Estado e Presidente de todos os são-tomenses, falou ora como Chefe de Estado, ora como Presidente de um partido político. Não é possível não é aceitável, não é justo para os cidadãos deste país».

Francisco Silva considera inconstitucional o novo cargo de Fradique de Menezes, e avisa que entre os dois o Presidente da República terá mesmo que escolher, 1. «Os cidadãos têm quase a obrigação moral de ouvir a mensagem de final do ano de sua excelência o senhor Presidente da República, mas não são obrigados a ouvir o Presidente a falar na qualidade de Presidente de um partido político. É preciso evitar isso de forma muito clara, ou então fazer uma opção e optar por um dos lugares, já que são dois lugares perfeitamente incompatíveis, o cargo de Presidente da República e o cargo de Presidente de um partido», concluiu.

Abel Veiga