Política

Roça Fernão Dias salva o acto central da celebração do massacre de 1953

roca-fernao-dias.jpgO Governo anunciou que vai transformar a Roça Fernão Dias, num espaço que eterniza a memória do massacre de 1953. A roça está localizada há poucos metros do pontão cuja construção em 1953 ceifou a vida de dezenas de são-tomenses. O mesmo espaço acolheu terça-feira o acto central do dia dos mártires da liberdade.

O pontão construído em 1953, é o testemunho vivo da história horrível que o regime colonial português escreveu em São Tomé e Príncipe. Muitos são-tomenses tombaram vítimas do massacre orquestrado pelo Governador Carlos Gorgulho. Por isso desde a independência nacional em 1975 que as celebrações do dia dos mártires da liberdade, decorriam na zona circundante ao pontão. Um memorial foi ali erguido para perpetuar a memória das vítimas.

Mas a história mudou. O espaço que durante muitos anos foi sagrado para celebração dos mártires da liberdade, deverá ser transformado em Porto de Águas Profundas. O memorial erguido já foi destruído para dar lugar ao futuro porto. Por isso no quinquagésimo sétimo aniversário do massacre, as celebrações foram transferidas para o quintal da roça Fernão Dias localizada a poucos metros do pontão. «Quem morreu em 1953 aspirava um São Tomé livre, Um São Tomé Desenvolvido, um São Tomé onde as pessoas pudessem ser felizes. O porto de águas profundas vai ser uma oportunidade para darmos início a um ciclo económico, e pelo que vimos aqui não ficamos a perder em simbolismo. Estamos em Fernão Dias no local do acontecimento», sublinhou o Primeiro Ministro Rafael Branco.

A roça vai albergar um espaço cultural que deverá guardar para sempre a memória de uma história de chacina e brutalidades, que despertaram a consciência nacional e internacional para a necessidade da independência nacional. «O governo lançou um concurso público que vai ter a participação dos são-tomenses que vivem cá e que vivem no exterior. Vamos fazer aqui em Fernão um espaço de memória. Um espaço onde a interacção entre os homens mulheres e o monumento é muito maior», acrescentou o Chefe do Governo.

Os acontecimentos de Fevereiro de 1953, não podem mais repetir-se, considera o Presidente da República. «Que possamos ter isso, como um exemplo, e ver se a gente encontra paz entre nós. Para que não haja situações parecidas como aquelas vividas em 1953. Eu tinha 12 anos de idade e estava lá na Trindade e vi com os meus próprios olhos. Esperemos que nunca mais volte a acontecer, embora tenhamos os nossos conflitos, mas que possamos dirimi-los sem chegar as situações extremas, ou permitir que os outros aproveitem dos nossos conflitos para acontecer actos como os de 1953», pontuou Fradique de Menezes.

Com fraca participação do público, artistas plásticos são-tomenses pintaram no quintal da roça Fernão Dias, a história de um massacre que nem o tempo nem a busca de desenvolvimento devem apagar da memória colectiva são-tomense.

Abel Veiga

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