Política

Falta de sigilo pode ter destruído o memorando de Abu Dhabi avaliado em 5 mil milhões de dólares

rafa-dubai.jpgA reclamação foi feita pelo Primeiro-ministro. Segundo Rafael Branco o seu governo estava a negociar com o grupo privado de Abu Dhabi, a assinatura de um acordo que iria abrir portas do arquipélago para o investimento da empresa em vários domínios. Investimentos que poderiam atingir 5 mil milhões de dólares. Mas o negócio acabou por sair a praça pública através da imprensa. Rafael Branco disse que tudo deveria ficar em segredo até a assinatura do acordo. Por causa disso o negócio das Arábias terá sido  destruído.

Para realçar a importância do memorando de entendimento conseguido com a companhia de investimentos de Abu Dhabi, o Primeiro-ministro explicou que em 35 anos de independência São Tomé e Príncipe recebeu menos de 500 milhões de dólares em ajuda pública ao desenvolvimento.

Através do negócio que estava a ser forjado, o país ia receber uma injecção de capital que poderia atingir 5 mil milhões de dólares, garantiu o Chefe do Governo. «O que a empresa diz é que está disposta a investir até 5 mil milhões de dólares. Mas não é dar ao estado são-tomense esse dinheiro. Por exemplo no porto de águas profundas, eles vão discutir com quem tem a concessão, e dizem olha entramos neste negócios com 20 ou 30% e investem o seu dinheiro no negócio. No aeroporto de São Tomé, que temos um memorando coma Sonangol eles vão ver quanto é que custa o projecto, investem e ganham dinheiro através disto», frisou Rafael Branco.

O Chefe do Governo, adiantou que tudo estava a correr bem, e que as duas partes iriam assinar o acordo em Junho próximo. «Nós iniciamos umas negociações que tinham duas partes. Primeiro assinamos um memorando de entendimento que consistia apenas na declaração de intenções, que deveria ser concretizado com um acordo a ser assinado em Junho. E esse memorando obrigava as partes a dizer se estavam de acordo com as grandes linhas daquilo que se queria fazer», sublinhou.

O chefe do executivo, explicou ainda que a empresa de Abu Dhabi, prometeu mobilizar fundos seus e de outras empresas parceiras, para executar os vários projectos estruturantes, que se enquadram na política do executivo de transformação do arquipélago numa plataforma de prestação de serviços.

Mas Rafael Branco, considera que o caldo transbordou quando a notícia da assinatura do memorando, veio a praça pública, através da comunicação social. «Era esta cláusula de confidencialidade que havia, de que nenhuma das partes deveria divulgar o memorando até que se estivessem de prontos para negociar um acordo. Hoje São Tomé e Príncipe violou. Saiu na imprensa, está na rua e eu não posso com responsabilidade dizer que vamos recuperar isso», referiu o Chefe do Governo, para depois reforçar que «não nos vinham dar nenhum tostão, mas vinham investir o seu dinheiro em negócios específicos que após análise iam decidir. Se iam ganhar dinheiro investiam, se não estão a ganhar dinheiro não investem. Se é para fazer alguma coisa que é da responsabilidade do estado nós São Tomé e Príncipe, tínhamos que encontrar maneira de pagar esses investimentos. É isso que foi destruído com irresponsabilidade, com falta de patriotismo, com jogos de política que só condenam esse país a continuar no estado em que está», reclamou o Primeiro-ministro.

Rafael Branco aproveitou para responder o desafio do partido ADI, para que explicasse publicamente os contornos do negócio de Abu Dhabi.«Informei o senhor presidente da república, que estávamos a discutir com essa empresa. Não vou informar a Assembleia Nacional porque estamos numa fase negocial de um simples memorando que não engaja ninguém. Só engajaria se eles aprovassem e nós aprovássemos. O engajamento era para negociarmos, um acordo», concluiu.

No entanto as referências do Primeiro-ministro, dando conta que através da ajuda pública internacional, São Tomé e Príncipe só conseguiu nos últimos 35 anos menos de 500 milhões de dólares, mostram segundo analistas nacionais e internacionais, que o negócio com a companhia baseada em Dubai, avaliado em 5 mil milhões de dólares, para a realidade são-tomense não representa um investimento, mas sim uma espécie de compra e venda do próprio país.

Abel Veiga

    1 comentário

1 comentário

  1. jorge pereira

    22 de Junho de 2011 as 18:07

    é pais que nós temos , só dar para faser a casa em campo de milho em custa de estado…………… será que só são eles que estudaram nesta ilha ?

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