São Tomé e Príncipe e Cabo Verde querem que Portugal participe na melhoria das condições de vida dos antigos contratados

roca-a.jpgOs Governos de São Tomé e Príncipe e de Cabo Verde, propõe que Portugal participe nos projectos que visam a melhoria das condições de vida dos Cabo Verdianos que foram contratados para trabalhar nas roças e que depois da independência do arquipélago, foram abandonados pela administração colonial portuguesa. O assunto marcou a agenda da visita do Primeiro-ministro de Cabo Verde José Maria Neves a São Tomé e Príncipe.

Os antigos contratados, que sustentaram com o seu esforço de trabalho a economia colonial portuguesa, ficaram lesados nos seis direitos. Sobrevivem com míseras pensões garantidas pelo estado são-tomense. Nos últimos anos o governo cabo-verdiano, decidiu complementar o apoio financeiro aos ex-contratados. Mas continua a ser insuficiente. José Maria Neves, propôs ao seu homólogo Rafael Branco que Portugal seja chamado a assumir também as suas responsabilidades. «Queremos na linha dos resultados da comissão mista de 2007, propor que os nossos dois governos, solicitem a Portugal a abertura de negociações para que de uma forma tripartida analisemos a situação dos Cabo Verdianos que vieram aqui numa situação de contratados em que muitos dos seus direitos não foram devidamente salvaguardados. Acho que é um dever moral que temos com essas pessoas», afirmou o Primeiro-ministro de Cabo Verde.

Dados recolhidos pela Associação da comunidade cabo-verdiana em São Tomé e Príncipe, Djunta Món, indicam que existam em São Tomé e Príncipe ainda cerca de 4 mil ex-contratados, todos já na terceira idade. «Os cabo verdianos aqui, têm uma pensão que é única, e que foi atribuída pelo governo são-tomense após a independência. O Governo de Cabo Verde dá actualmente uma pensão complementar a mais de 800 Cabo Verdianos. Queremos atingir o Universo de todos cabo-verdianos aqui residentes. E quando atingirmos todos, queremos aumentar esse complemento de pensão, mas achamos de justiça que devemos propor ao governo de Portugal a abertura de negociações relativamente a esta matéria», reforçou José Maria Neves.

Na crise de mão de obra para garantir a produção nas plantações de Cacau e Café no início do século XX, sobretudo após a abolição da escravatura, Portugal recrutou mão de obra das outras colónias. Angolanos e Moçambicanos foram os primeiros a serem trazidos para as plantações de São Tomé e Príncipe, num regime de serviço de contrato, que apenas ficava pelo nome, porque na realidade a situação de vida e de trabalho dos contratados nas roças não diferenciava muito da escravatura. Relatos dos antigos contratados confirmam isso mesmo.

Os cabo-verdianos que começaram a ser contratados no início do século XX(anos 20 e 30), acabaram por chegar a São Tomé e Príncipe de forma massiva a partir de 1947, quando o arquipélago de 7 ilhas foi assolado pela famosa FOME de 1947.

Abel Veiga

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    Português da 2º geração Responder

    Ahahahahahah………..Era só o que faltava!!

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