Príncipe celebra pela primeira vez o Estatuto de Região Autónoma com festa branda

pst.jpgNo dia 29 de Abril a ilha do Príncipe celebra pela primeira vez o seu estatuto de Região Autónoma. O Presidente da República promulgou no início da semana o Estatuto Político e Administrativo da Ilha. Mas a festa vai ser branda porque segundo o Presidente do Governo Regional José Cassandra, o impulsionador da aprovação pela Assembleia Nacional do estatuto de autonomia, faleceu no dia 14 de Abril.

Francisco Silva, antigo Presidente da Assembleia Nacional, foi o principal impulsionador da aprovação do Estatuto Político e Administrativo da Ilha do Príncipe. Garantia do Presidente do Governo Regional José Cassandra. O diploma que já estava a cheirar naftalina nas gavetas do parlamento são-tomense, durante mais de 2 anos, acabou por ser aprovado graças ao empenho do antigo Presidente da Assembleia Nacional. «Mesmo doente em Portugal, Francisco Silva, várias vezes mandava mensagens para a Assembleia Nacional a exigir que o processo de análise e aprovação do Estatuto Político e Administrativo do Príncipe fosse adiante», desabafou José Cassandra.

Por causa da morte do Presidente da Assembleia Nacional, as autoridades regionais perderam um pouco o ânimo para realizar a festa com pompa e circunstância prevista para 29 de Abril. Na agenda das autoridades regionais, estavam várias actividades. Para além da participação de grupos musicais das duas ilhas, Príncipe queria ter na festa o antigo Presidente Miguel Trovoada que promulgou o estatuto da ilha como autarquia especial, e também do Presidente Fradique de Menezes, que promulgou o estatuto político e administrativo que dá suporte a Região Autónoma.

A festa poderá ser branda, mas a população da Região Autónoma, vai dar parabéns a autonomia, que trouxe melhorias significativas para a ilha. Desde o estabelecimento da autarquia especial na década de 90, em que os filhos do Príncipe começaram a ter direito de pensar por si próprios, na busca de soluções para os problemas locais, que os ganhos começaram a surgir. «Só com esta desconcentração de poderes é que conseguiremos mais Príncipe para mais São Tomé. O Príncipe só depois de ter conquistado o estatuto de autarquia especial conheceu ganhos importantes, nomeadamente a electrificação de algumas regiões, a instalação de uma rádio regional, são poucos ganhos, mais importantes uma vez que antes da autarquia especial não existia. Nos últimos anos, conseguimos levar postos comunitários para 5 comunidades do interior», explicou José Cassandra.

A nível da saúde Príncipe, ganhou bastante nos últimos 3 anos. O hospital regional que não tinha um aparelho de RX, já o tem. Conseguiu uma cadeira de estomatologia, impedindo assim a evacuação de pessoas para São Tomé por causa de dores de dente. Exames de ecografia também já são realidade na ilha.

Na luta contra o paludismo, Príncipe está a frente de São Tomé, estando prestes a ser declarada como ilha livre da doença. Será talvez o único exemplo na região do golfo da Guiné. A doença que representava 99% de internamentos reduziu para 0,9%. «Em cooperação com a China-Taiwan, vamos implementar um projecto de sentinelas no porto e no aeroporto regional. Toda gente que entra na ilha terá que ser testada para evitar que o paludismo, volte a crescer no Príncipe», sublinhou José Cassandra.

O acesso a Internet foi maximizado na ilha, o que coloca a população, mais perto do mundo.

principe-deixa.jpgPorque são muitas as comparações que são feitas entre São Tomé e Príncipe e Cabo Verde, muitos observadores questionam o facto de o arquipélago são-tomense composto por apenas duas ilhas habitadas, ter criado uma região autónoma quando Cabo Verde com 10 ilhas sendo 9 habitadas, e não tem nenhuma região autónoma. «O problema é que em Cabo Verde as 9 ilhas habitadas foram atendidas pelo estado, e estão a avançar. Outro aspecto é que em Cabo Verde não há línguas regionais. Em São Tomé a maioria da população fala crioulo forro, e no Príncipe fala-se o lunguié. Aqui tem uma cultura própria, culinária própria, etc. Em cabo verde em todas as ilhas dança-se funana, e come-se catchupa. Aqui é diferente», defendeu José Cassandra.

O Presidente do Governo Regional, conclui que se o estado são-tomense de facto desse atenção a ilha do Príncipe, os sentimentos de autonomia que habitam no seio da população desde 1974, portanto antes da independência nacional, não teriam crescido tanto. «Se o estado tivesse dado atenção devida a ilha do Príncipe, acho que não se chegaria ao ponto da autonomia».

Abel Veiga

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