Política

Patrice Trovoada evita conferência de imprensa?

Cada vez mais os jornalistas da imprensa privada, e correspondentes de órgãos internacionais baseados em São Tomé e Príncipe, salvo determinada excepção, têm menos acesso a fontes de informação do governo, para esclarecimento da opinião pública sobre os mais variados assuntos.

Não há memória em São Tomé e Príncipe, sobretudo depois do advento da democracia pluralista em 1991, de um Chefe do Governo que em 6 meses de mandato, nunca convocou os jornalistas para uma conferência de imprensa, em momentos importantes como os primeiros 100 dias de governação, ou ainda, em relação aos primeiros 6 meses de actividade governativa. Até agora o actual Primeiro-ministro e Chefe do Governo, Patrice Trovoada tem sido um caso insólito.

Quando o executivo completou os primeiros 100 dias, os jornalistas que contavam com a convocatória para uma conferência de imprensa, como tradicionalmente acontece no país desde 1991, depararam-se com uma entrevista exclusiva do Chefe do Governo dada a um e único jornalista representante da TVS. Nem a Rádio Nacional esteve presente.

Muitas questões ficaram por serem esclarecidas na referida entrevista, uma vez que o único jornalista presente não poderia satisfazer a curiosidade dos colegas de outros órgãos de comunicação social, e consequentemente do próprio público.

Ao assinalar esta semana sexto mês como Primeiro-ministro e Chefe do décimo quarto governo constitucional, Patrice Trovoada voltou a falar sobre a situação do país, para as câmaras da TVS e desta vez a Rádio Nacional marcou presença.

Restam aos jornalistas dos outros órgãos de comunicação social que operam em São Tomé e Príncipe, sejam privados ou simples correspondentes de estações estrangeiras, salvo determinada excepção, engolir o nó criado nas suas gargantas, pelas questões que queriam ver esclarecidas pelo Primeiro-ministro, sobre os mais variados assuntos da governação e do país.

Ao que tudo indica aos jornalistas dos outros órgãos, resta ainda recorrer ao conteúdo “formatado” das declarações concedidas em exclusivo a TVS e desta vez a Rádio Nacional, para publicar nos seus órgãos, mesmo que não satisfaça na totalidade as suas preocupações enquanto jornalistas, que como sempre devem reflectir as preocupações do grande público.

Um caso insólito na relação entre o poder e a imprensa, desde 1991.

Nos últimos 20 anos, era habitual os primeiros-ministros e também os Presidentes da República, convocarem os jornalistas para falar e responder questões relacionadas com situações específicas que ocorriam no país, ou então para abordagens generalistas. O mesmo acontecia com os titulares das pastas ministeriais. Seja em conferência de imprensa, ou em simples entrevista solicitada pelos jornalistas ou pelo órgão onde trabalha, a disponibilidade dos ministros ou primeiros-ministros era rápida no sentido de esclarecer este ou aquele assunto.

Mas actualmente, por exemplo o Téla Nón, já aguardou por mais de 1 mês, por uma entrevista solicitada a pelo menos dois ministros. Entrevistas sobre assuntos “pacíficos” e de interesse público. O jornal teve que desistir após múltiplas tentativas. O mesmo relato é escutado entre muitos colegas da profissão.

A continuar assim, tudo indica que os jornalistas da imprensa privada, vão se transformar numa caixa de ressonância de entrevistas governamentais, concedidas aos dois órgãos (Rádio Nacional e TVS) que como é sabido são estruturas que o novo figurino governamental integrou directamente no gabinete do Chefe do Governo.

Abel Veiga

    22 comentários

22 comentários

  1. benavides pires sousa

    24 de Fevereiro de 2011 as 8:31

    talvez ele tema que os jornalistas lhe levem o relogio que usa, pelo que me parece um Breitling ou um IWC portugiesich.

    pecam outra conferencia, sigam tentando, nunca é tarde. talvez esteja a pensar o primeiro ministro que de momento nao tem como ir a libia ver o padrinho kadaffy.

  2. SOS

    24 de Fevereiro de 2011 as 8:38

    É verdade Abel ele só convida os órgão que eles conseguem manipular, TVS e Rádio Nacional
    Já os órgão privados torna-se difícil manipular.
    Vê o que aconteceu com Jornalista São Lima…
    …Enfim é o país que temos…

  3. verdade

    24 de Fevereiro de 2011 as 9:04

    E esta Ehh?
    O Patrice devia tirar a lição com o que está a acontecer com os ditadores árabes amigos dele. È como ele próprio diz esse tipo de atitude é como panela de pressão pode explodir depois.
    Quero saber o que dirão as ONG internacionais sobre a liberdade de imprensa em STP e sobre a RDP África como colaborador directo do actual regime.
    Fui

  4. ovumabissu

    24 de Fevereiro de 2011 as 9:13

    Abel Veiga,

    Esta peça é uma notícia ou é um editorial?

  5. Rocky

    24 de Fevereiro de 2011 as 9:17

    Enfim, um tristeza! Vamos de mal a pior!

  6. JorgeK

    24 de Fevereiro de 2011 as 9:27

    Este homem nao percebe nada de democracia e desenvolvimento. é pior que Khadaf ou Mubarak. previlegia cooperação com paises de africa que preservam ditadura e adiam o futuro do povo, em detrimento de paises que nos podiam fazer olhar o futuro com prosperidade.
    Sempre apoiei ADI mas este senhor tira-me do serio na medida em que não consegue fazer nada ao país a nao ser viajar e criar buraco nas contas do estado, pagar dividas evitaveis (caso D&D) por teimosia e arrogancia.
    Ja dizem que ele almoça em gabao, entao, espero que fique por la e nunca mais volte. aproveite este mandato (por mim ja deviam te-lo dissolvido e arranjar outro governo) enquanto durar para vingares dos seus opositores.

  7. SN-FS

    24 de Fevereiro de 2011 as 10:18

    Isto é ditadura disfarcado da democracia….quando os orgão do estado só convoca comunicação social publica para entrevista segnifica que o governo está querer emplementar um ” REGIME FECHADO ” em são tomé e principe ……é obrigação do governo esclarecer o país sobre diversos problemas do país, está na altura de todos os santomenses estar a par do que se passa na realidade porque o país está completamente hipotecado….” Será necessario também uma revolução?????? ” quem irá pagar a factura dos erros dos actuais e os anteriores e futuros politicos santomenses ?????? digo futuros politicos porque nós estamos formar jovens “Famintos” e os bons nunca irão e não estão na politica……….

  8. João

    24 de Fevereiro de 2011 as 10:27

    Meus senhores jornalistas,
    Por Deus. Nao sejam totós. São vocês que devem ir à busca e nunca esperar que o Primeiro Ministro vos convoque. Éh. Então?
    Bom, já estou a meter-me em seara alheia porque pensava que o jornalismo ou função jornalistica era diferente…
    João

    • benavides pires sousa

      24 de Fevereiro de 2011 as 16:12

      que falaste Joao, nao deste conta que se disse que se tem pedido entrevistas e o senhor é que nao as tem cedido ou aceitado?

      em que idioma entendes as questoes e les os artigos?

  9. Carlos Ferreira

    24 de Fevereiro de 2011 as 10:45

    Não posso finalmente, deixar de tecer um ligeiro comentario acerca das diversas notícias que através desta página nos têm chegado.

    São Tomé e Principe cada vez mais precisa de fazer uma reciclagem da sua política, de alguns políticos, e de alguns quadros administrativos e ministeriais. Não podemos continuar a compactuar com uma repressão silênciosa dos nossos sucessivos governos, tal como neste momento se faz com boicotes de informações tão importantes em democracia sob a pena do povo estar a ser impedido de usufruir um dos seus direitos fundamentais.

    O Sr.Primeiro Ministro, um dia irá tirar as suas próprias ilações, porque o povo saberá julga-lo nas urnas. Tanto à ele como à sua política de Direita que tende estagnar o país e introvertê-lo.

    Lembram-se do discurso feito pelo sr Miguel Trovoada enquanto Presidente da República nas Nações Unidas? Pois, eu também… É caso para dizer que nem sempre filho de peixe sabe nadar.

    São Tomé e Principe SEMPRE!

  10. Mimi

    24 de Fevereiro de 2011 as 11:11

    Na entrevista aos orgaos de com social do estado, muito ficou por perguntar/dizer/explorar. E óbvio q os jornalistas tinham q “salvar” o seu chefe. Quem me dera poder pedir ao Primeiro Ministro, que fosse mais exacto, que me dissesse e ao povo de STP o que realmente DE CONCRETO foi feito nos últimos seis meses… “NADA QUE SE VEJA”

  11. madalena

    24 de Fevereiro de 2011 as 11:18

    Deixem o governo trabalhar!
    Quando se trabalha, não se fala muito.
    Lei da conservação da energia

    • Franz K

      24 de Fevereiro de 2011 as 18:29

      hehehehehehehehehehehehe! Essa foi boa!

  12. Malapetema

    24 de Fevereiro de 2011 as 11:51

    Caro Abel, é com tristeza que pode ler esta nota editorial da sua parte, a que eu me sinto envergonhado com o estado da comunicação social no país, e ainda pior como o novo Governo esta a levar a nossa mídia para o fundo do poço. Mas a culpa talvez não seja do Chefe do Governo, senhor Patrice Trovoada, mas sim de quem faz a sua assessoria de imprensa ou de comunicação, que deveria saber acima de tudo o que é ser um assessor de comunicação ou de imprensa. Acho que no próximo Cd do nosso Haylton Dias, vai aparecer uma musica falando sobre como os jornalistas e os fazedores de comunicação em S.Tomé e Príncipe estão a tornar mero instrumento de manipulação do novo governo. Perante tal situação cabe a eles buscar e apresentar o senhor Patrice Trovoada que a comunicação é um direito de qualquer cidadão da República Santomense. Necessário se torna que o nosso chefe do governo se perceba que a sua popularidade se foi alta por culpa da comunicação social e de instrumentos da mídia, então do mesmo modo que ela estive no topo pode cair no descrédito.

  13. Ze Maria

    24 de Fevereiro de 2011 as 14:00

    Ele se esconde porque não tem críticas de oposição para fazer, ou algo para se promover. Se tivesse, já teria convocado a imprensa para aparecer.
    Fiquem de olho nessa cara.

  14. Joker Voz do Povo

    24 de Fevereiro de 2011 as 14:36

    Patrice, bo po fazê, mundu ça de deçu.
    Eu já sabia. Todo africano é um potencial ditador e Patrice não foge a regra. Vocês já imaginarem se povo desse maioria absoluta a este senhor?! Ele arrumado, arrogante, convencido, achado. Ministros dele, salvo um ou outro, mesma coisa. Secretário-gerais dos Ministros, não foge a regra. Penso que ainda não houve a verdadeira mudança, que é mudança da mentalidade, atitude, comportamento. Não basta mudar pessoas, é preciso mudar mentalidade. Ter novo governo, nova gente é muito bom, mas é preciso ter mente aberta, capaz de ouvir e aceitar criticas, melhorar. E tudo isso, só se faz se existir uma imprensa forte, activa, participativa. Sr. Patrice, cuidado é?! Não esquece que povo põe, povo tira.

  15. António Veiga Costa

    24 de Fevereiro de 2011 as 22:15

    Engraçado que só os santomenses e, claaaaro, a oposição não enxergam o rumo certo que o novo governo está dando ao país. Preferem o caminho trilhados nesses últimos 20 anos???
    A grande maioria dos que acima escrevem então, são tão facilmente manipuláveis, basta algumas matérias habilmente dirigidas na mídia.

  16. madalena

    25 de Fevereiro de 2011 as 12:33

    A perseguição tomou conta deste povo. Até santo se toma nas escolas, vejam só se a moda pega e vai ao exercito?
    Ou aos tribunais?
    Ou no Parlamento?
    Ou Na praça de taxi!!
    Quá li!!!
    Depois de 4 anos, vamos pedir contas ao governo. Todos estão lembrados das promessas, não é preciso pressa!!!
    Até lá, é tempo para se dar o cartão verde, amarelo ou vermelho!
    Por agora, é inutil !!
    Ninguém faz esse governo cair!!!
    deixa-o terminar a legislatura.

  17. ´Pê Cu Quenta

    25 de Fevereiro de 2011 as 14:50

    Meus caros compatriotas, a África enferma de atrasos seculares por causa de mesquinhices e o cáncer da preguiça que graça este continente. Não se quer trabalhar: Só se quer estar na festa, nas fofocas, nas p. e v. v. e na corrupção.Por isso alguém que apareça com cultura de trabalho é muito mal visto. Não vamos perder tempo com audiências e entrevistas. Isto é linguagem da retórica do barroco. Vamos trabalhar e mudar o país. Isto é que interessa.

  18. Manuel Penhor

    27 de Fevereiro de 2011 as 14:39

    SR. Patrice só cairá em graça do povo de S.Tomé e Principe quando lidar com esta palavra(estado de direito).Onde Liberdade é mutor de alegria neste S.Tomé e Príncipe,e comunicação social é patrão de recado de toda humanidade.

  19. Matazele

    1 de Março de 2011 as 13:28

    Este governo deve terminar a legislatura.
    As promessas de transferencia de fundos para a Região Autonoma do Principe, 300 Milhões de Dolares anuais.
    A criação/Instalação/ Encerramento de Embaixadas logo no 1º Trimestre.
    São compromissos para cumprir.
    O envio para Cabo Verde de um Embaixador ou no minimo um Consul de carreira, é para cumprir no 1º trimestre de 2011???!!!
    Ou Libia é que iria assegurar o orçamento!!!
    Bolo Bolo!!!
    Deixem o 1º Ministro trabalhar!
    deixem !!!
    Qua li

  20. Paracetamol 500mg

    3 de Abril de 2011 as 1:57

    Este homem, Patrice Trovoda, tem umas condutas estranhas. Nota-se que tem muita afinidade com o Islão, e tem tendências Autoritárias.
    Não é amigo do Principio da transparência e da Proximidade com a população que tanto levy Nazaré e o Varela estudaram em Direito.

    Levy e o Varela, não estão a por em pratica o que aprenderam na Faculdade. Cheira a corrupção.

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