Política

Eleições presidenciais acentuam a divisão entre o norte e o sul da Nigéria

O país vizinho, com o qual São Tomé e Príncipe está ligado na prospecção do petróleo na fronteira marítima comum, está a viver momentos de grande turbulência após a realização no último sábado das eleições presidenciais.

Após a divulgação dos primeiros resultados das eleições, que apontam para vitória do Chefe de Estado cessante Goodluck Jonathan,confrontos eclodiram nas cidades do norte da Nigéria. Com 155 milhões de habitantes e cerca de 250 grupos étnicos a Nigéria é um país dividido entre o Norte Muçulmano e o Sul Cristão.

Goodluck Jonathan, é cristão do sul. Muhammadu Buhari, seu principal adversário nas eleições presidenciais é muçulmano do norte. Na última segunda feira a contagem dos votos apontava para vitória de Goodluck Jonathan, em 22 dos 36 Estados da Federação Nigeriana.

Segundo os resultados preliminares de segunda – feira, o candidato cristão tinha conquistado 21 milhões de votos contra 9 milhões do seu adversário muçulmano.

Resultados que provocaram agitação no norte da Nigéria. Confrontos eclodiram segunda-feira na segunda maior cidade do país, Kano, e estenderam-se a outras cidades nortenhas. Uma jornalista da Agência France Press no local, recolheu testemunhos de violência contra os cristãos que habitam a região norte. A cidade de Jos palco tradicional de confrontos entre cristão e muçulmanos, foi um dos epicentros da agitação pós – eleitoral.

Armados com facas e outras armas brancas, os revoltosos confrontaram-se com o exército. Relatos recolhidos pela Agência France Press, indicam que um centro comercial foi incendiado na cidade de Kano. Residências de apoiantes do Presidente Cessante Goodluck Jonathan, foram queimadas.

No entanto as eleições do último sábado, desenrolaram num clima de paz e tranquilidade. Os observadores internacionais consideraram as eleições como sendo mais honestas que as de 2007, refere a correspondente da Agência France Press na Nigéria.

Mesmo assim persistem suspeitas de fraude eleitoral. A vitória esmagadora de Goodluck Jonathan, em alguns Estados do sul, está a provocar rumores de fraude. No Estado de Akwa Ibom, Goodluck Jonathan, conquistou 95% dos votos e no Estado Bayelsa, sua terra natal, conquistou 93,63%.

As eleições presidenciais na Nigéria vieram demonstrar que o país mais populoso do continente africano, e maior produtor de petróleo do continente, está profundamente dividido, entre o Norte Muçulmano e o Sul Cristão.

Com 53 anos de idade o Presidente Cessante Goodluck Jonathan, assumiu o cargo interinamente quando o ex-Presidente Umaru Yar’Adua, foi hospitalizado na Arábia Saudita, com problemas cardíacos.

Umaru Yar’Adua faceleu em 2010, e Goodluck Jonathan, assumiu a Presidência da República Federal da Nigéria, até as eleições do último sábado. O seu adversário Muhammadu Buhari de 69 anos de idade, general na reserva, comandou a junta militar que governou a Nigéria entre 1984 e 1985.

Desde o fim do regime militar na Nigéria em 1999 que o partido de Goodluck Jonathan, (PDP), tem sido vencedor de todas as eleições presidenciais realizadas na Nigéria.

Abel Veiga

    1 comentário

1 comentário

  1. Carlos Ceita

    20 de Abril de 2011 as 18:13

    Meus amigos estamos em presença de uma falta de cultura democrática dos nossos irmãos e primos políticos do continente. Muitos deles se escondem por detrás dos grupos étnicos e religiosos para impor a sua agenda. Enquanto os homens políticos dos grupos étnicos maioritários não forem capazes de serem humildes tolerantes para com os outros grupos minoritários estes acontecimentos de uma forma cíclica vão surgindo aqui acolá no nosso continente. Ninguém entende a teimosia e o fanatismo do senhor Gbabo da Costa do Marfim de querer agarrar o poder a todo custo nem que para isso fosse necessário mergulhar o país em caos e violência. O senhor pode ter razão nas suas reivindicações mas caramba a vida tem de continuar. O mesmo se passou com o senhor Savimbi que recusando todas as iniciativas de paz e reconciliação fez com que tivesse um fim trágico.
    A democracia angolana que eu prefiro chamar cleptocracia tem muitos defeitos mas é um mal menor se o pais estivesse mergulhado numa guerra interminável.
    Abraços a todos e boa Pascoa com ou sem doces

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