Política

Fim a greve na Rádio Nacional

As emissões da Rádio Nacional, foram retomadas a meia-noite de quarta – feira, após mais uma ronda negocial entre a comissão dos trabalhadores e o Primeiro-ministro Patrice Trovoada. O Governo não aceitou pagar qualquer subsídio aos trabalhadores, alegando que não há dinheiro para dar resposta a tal reivindicação.

Após 21 dias de greve, marco histórico a nível nacional, os trabalhadores da Rádio Nacional, retomaram as suas actividades na noite de quarta – feira, após segunda reunião demorada com o Primeiro-ministro. Resultado final, praticamente zero.

A principal reivindicação dos trabalhadores não foi atendida, ou seja, o pagamento de subsídios que poderiam aumentar o rendimento dos profissionais no valor de 2 milhões de dobras para os de base e 7 milhões para o escalão mais alto. «O Governo persistiu na posição de que não há dinheiro, para dar resposta a essa reivindicação», declarou Alfredo Medeiros.

Governo ganhou no braço de ferro com os trabalhadores, no capítulo da reivindicação financeira, mas abriu portas para reformas profundas na Rádio Nacional, que poderão garantir a curto prazo a melhoria da situação salarial na Rádio Pública.

O memorando de entendimento assinado na noite de quarta – feira no Palácio do Governo, pelo Primeiro Ministro e a Comissão dos Trabalhadores, tem 5 pontos :

1 –  Transformar a Rádio Nacional de STP numa entidade autónoma com a personalidade jurídica própria, gozando de autonomia administrativa e financeira.

2 – Restabelecer uma taxa de rádio e televisão a ser paga por todos os consumidores de energia eléctrica fornecida pela Empresa de Água e Electricidade. 

3 – Encetar contactos com a companhia são-tomense de telecomunicações, no sentido de pagamento de uma taxa sobre os lucros resultantes das chamadas telefónicas geradas a partir dos programas interactivos, produzidos pela Rádio Nacional de STP e a TVS.

4 – Estabelecer a obrigatoriedade de emissão na Rádio Nacional de São Tomé e Príncipe de todas as publicidades radiofónicas, cujos titulares são os organismos públicos, incluindo todos os projectos de desenvolvimento em curso no país.

5 – Ordenar o pagamento na íntegra dos salários de todos os trabalhadores grevistas, correspondentes ao mês de Novembro de 2011.

Segundo ainda o memorando de entendimento, para implementação das obrigações assumidas pelo Governo, será criada sob despacho do Primeiro Ministro Patrice Trovoada, uma comissão composta por 4 elementos indicados pela comissão dos trabalhadores da Rádio Nacional e outros indicados pelo Governo. A comissão para implementação dos pontos acordados será chefiada pelo Ministro Secretário do Governo, Afonso Varela.

«As obrigações previstas e assumidas pelo governo deverão ser cumpridas até o dia 31 de Janeiro de 2012», conclui o memorando de entendimento.

A retoma das emissões da Rádio Nacional, quebrou a monotonia dos últimos 21 dias, em que os são-tomenses tiveram que se contentar com as emissões de rádios privadas de pendor religioso, que à margem das leis, começaram a prestar algum serviço público.

Abel Veiga

    15 comentários

15 comentários

  1. Calibre-12

    23 de Novembro de 2011 as 10:41

    Essa comissão de representação dos trabalhafores da RN não tem pulso, Foi apenas fazer o papel de “bombeiro com roupa/facto de plástico”.
    O Afonso Varela foi sempre corrompendo seu primo Alfredo Medeiros que por sinal assumiu-se como líder da comissão dos grevistas.
    Em nada valeu essa greve. Antes melhor não a tivessem feito. Sairam com uma mão à frente e outra atrás. Francamente!

    • Alerta

      23 de Novembro de 2011 as 19:02

      Privatizacao da Radio e da Televisao?
      Entao Ministro Secretário do Governo, Afonso Varela nao deve estar envolvido nestas negociacoes.
      Comissao composta por quantos elementos? “4 elementos indicados pela comissão dos trabalhadores da Rádio Nacional.” E, quantos elementos serao indicados pelo Governo? Patrice Trovoada e Afonso Varela devem estar fora dessa negociacao! Cheira-me corrupcao, manipulacao, aldrabices e barbaridades.

      Referencia:
      “Segundo ainda o memorando de entendimento, para implementação das obrigações assumidas pelo Governo, será criada sob despacho do Primeiro Ministro Patrice Trovoada, uma comissão composta por 4 elementos indicados pela comissão dos trabalhadores da Rádio Nacional e outros indicados pelo Governo. A comissão para implementação dos pontos acordados será chefiada pelo Ministro Secretário do Governo, Afonso Varela”

      Nao se paga impostos em STP! Terra esta de pernas para o ar!
      Abel diz o seguinte:
      “as três personalidades não depositaram o dinheiro que pertence ao povo de São Tomé e Príncipe.

      os profissionais do sector das finanças, consideram que as tais 3 personalidades que são os maiores devedores, parecem estar imunes ao processo de execução fiscal.

      a dívida fiscal de tais personalidades para com o Estado, atinge valores astronómicos.

      Com mais de 3 milhões de euros dados como perdidos, uma vez que o sector das Finanças em representação do Estado, parece não ter força e autoridade para os recolher nas mãos dos devedores influentes na política e na sociedade, o país anda de mãos estendidas, a pedir ajuda financeira no estrangeiro.

      O Primeiro-ministro, Patrice Trovoada tem batido portas por mundo fora, a procura de financiamentos para o OGE de 2012.

      No entanto 3 milhões e 131 mil euros, legalmente pertencentes ao Estado, continuam em mãos alheias.

      O que é que se passa? Quem são essas personalidades, que não pagam o que devem ao Estado? Será que tais personalidades têm domínio sobre o executivo? Será que os cofres do Estado e consequentemente o povo são-tomense, estão a ser penalizados, por causa de compadrio, clientelismo, ou por causa de outros negócios?”

  2. AK47

    23 de Novembro de 2011 as 10:58

    Esses senhores devem ser descontados os dias de trabalho por estarem parados. “Sabem que não aguentam então não metem”

  3. Alexandro Cardoso

    23 de Novembro de 2011 as 11:56

    Acho inteligente a decisão do Governo, se realmente não há dinheiro. Mas, espero que a TVS também goze dessa prerrogativa que o Governo dá à RNSTP no ponto 1: Transformar a Rádio Nacional de STP numa entidade autónoma com a personalidade jurídica própria, gozando de autonomia administrativa e financeira.
    Se isso acontecer, é um grande passo dado em prol de algumas Liberdades no nosso país.

  4. Telavive

    23 de Novembro de 2011 as 12:46

    Não se pode dizer que sairam a perder! Qualquer coisa ganharam. Não se esqueçam que estámos perante um mundo de incertezas e crises financeira e económica globais. Com paises desenvolvidos a congelarem subsídios de férias e de natal, reduzindo salários e pensões para manterem postos de trabalho. No nosso país, oportunistas exigem aumento salarial para mínimo de 300 dólares! O governo dá aquilo que o país financeiramente suporta. Sob pena de isto descarrilhar-se de uma vez por todas. Não sou político nem tenho qualquer ligação partidária, apenas, um cidadão santomense honesto e tecnicamente conhecedor de regras económicas e financeiras. Modéstia a parte.

  5. Freitas

    23 de Novembro de 2011 as 13:04

    Meus manos , eu terei que pagar apartir de agora essa pra ver os jornalistas da tvs sacramentarem o senhor patrice, é pra isso q valeu a greve, agora vão me fazer tb paar pela radio e pela tvs… povô bili uê

  6. ESMERALDA

    23 de Novembro de 2011 as 15:19

    TAXA DE RÁDIO E TELEVISÃO EM STP ? VAMOS AGUARDAR O AUMENTO SALARIAL EM 2012 PARA VER SE É JUSTA A DECISÃO DO GOVERNO.

  7. Voz da razão

    23 de Novembro de 2011 as 17:12

    Eu não oiça a RN e a TVS, só as vezes vejo telejornal. A factura da EMAE não é brincadeira. ´Sou obrigado a pagar mais uma taxa para além de tudo k pago e mal servido? Que garantias me dão pra ouvir a rádio e ver uma tv de qualidade?
    Brincadeira!……….

    • Alexandro Cardoso

      23 de Novembro de 2011 as 21:59

      Isso é fácil. Basta todos os santomenses lutarem para pôr fim à tutela administrativa do Governo em relação aos Meios de Comunicação Social públicos. Assim, tanto a TVS como a RNSTP vão ter o privilégio de ter nos seus recursos humanos jornalistas capazes de prestar um serviço público de qualidade, e que agoram não trabalham nos referidos meios devido a falta da autonomia profissional dos jornalistas em serviço público.
      Um dos ministros deste Governo afirma que os meios de comunicação social têm que ser controlados, e agora acrescento, manipulados pelo Governo, porque representam um perigo se não estiver debaixo das suas asas. Um verdadeiro pensamento político sem qualquer espírito de proporcionar aos santomenses o melhor possível, o que nos é de direito.

  8. SANTOLA

    23 de Novembro de 2011 as 17:21

    stp tela ôôõôõoÕ

  9. Filho das ilhas maravilhosas

    23 de Novembro de 2011 as 17:35

    Boa notícia, aplicando o memorando e com uma boa gestão, acredito que a radio nacional conseguirá andar com as suas próprias pernas.. Que sirva de lição ao governo… o dialogo é o melhor caminho para resolver as questão.

  10. Carlos Pereira da Silva

    23 de Novembro de 2011 as 18:11

    Caro Freitas,

    Não gostas de Patrice, muda de país.
    Eu não gosto de ouvir o Delfim e já mudei para o Gabáo. Sabe o que faço aqui?
    Vendo Cabras, isso dá
    Fui

  11. Digno de Respeito

    24 de Novembro de 2011 as 5:30

    Lamentávelmente, mais uma derrota pública. Agora pergunto de valeu tantos dias de greve?!! Que vantangem? Conclusão: Memorando entre as partes. De Memorando à prática vai uma grande distância. Estamos para ver como fica …
    Alfredo Medeiros, será que haverá condições estruturais para manter a Rádio como entidade autónoma? Porque não fundir a Rádio e Televisão numa empresa Autónoma de Comunicação? Se assim fizessem, teriam maior hipóse de constituir um gabinete dotado de personalidade jurídica e financeira. Logo, teriam um sector de Gestão Financeira e Publicidade para gerir as vossas contas.

    No final de cada ano tornavam pública o Relatório e Conta, a fim de informar e formar a sociedade pela transparência. Pensem nisso ou num caso semelhante. Fica a sugestão.

  12. Coisas & Lugares

    26 de Novembro de 2011 as 12:52

    Subscrevo na integra,sublinho e assino em baixo o comentário do nosso compatriota que se faz passar pelo pseudónimo “Alerta”, que a bom da verdade tirou-me o pão da boca.Numa breve analogia sobre esta greve,urge refoçar a ideia de que o fim da greve em causa só adiou os problemas, mas deixou as soluções para depois.Numa Se não vejamos:O resultado desta greve foi um pouco subreal, tendo em conta que ela não foi quantificada.Se formos aos numeros, pergunta-se:Quem ganhou e o que é que ganhou?Tenho as minhas dúvidas quanto ao memorando vindo de quem vem para ficar tudo na gavetas!Contudo, saudo calorosamente os trabalhadores da RN, pela sua coragem e determinação que demonstraram durante a longa jornada de luta.Certo de que a capacidade de diálogo foi o grande vencedor.Quem viver verá!Coisas & Luigares.

  13. Eperanças Renovadas

    27 de Novembro de 2011 as 12:04

    Correção:Queria eu dizer em entrelinhas: Repetí a palavra numa,antes da frase:Se não vejamos;
    Para não ficar na gaveta ao em vez de gavetas.Muito obrigado…
    Coisas & Lugares.

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