Reconhecimento de “Ordens de Malta” gera polémica diplomática

O país meteu-se numa demanda diplomática com o reconhecimento de duas “Ordens de Malta”, que pode sujar a sua imagem externa. Uma ligada a igreja católica com sede em Roma-Itália põe em causa a legitimidade da outra que tem sede central em Saragoça – Espanha. A diplomacia são-tomense está no meio da confusão.

Philippe Van Nyen, cidadão belga, foi embaixador da Ordem Soberana, Militar e Hospitalar de São João de Jerusalém, Cavaleiros Ecuménicos de Malta junto ao Estado são-tomense desde o ano 2004, até 2013.

Deixou de ser embaixador da Ordem de Malta que é abreviadamente conhecida pela sigla,  “OSJ”, que tem a sua sede principal em saragoça-Espanha. Van Nyen passou a ser cônsul da Bélgica em São Tomé e Príncipe.

Seu sucessor, chama-se Mark Bulte também cidadão belga, já está no país, aguardando o momento a ser indicado pelo Presidente da República, Manuel Pinto da Costa, para apresentar as suas cartas credenciais como novo embaixador da Ordem de Malta – OSJ, junto ao Estado são-tomense.

O mesmo Estado são-tomense que há vários anos, reconheceu e tem relações diplomáticas com a Ordem Soberana e Militar de Malta, cuja sede está em Roma – Itália.

O último embaixador da Ordem Soberana e Militar de Malta que tem fortes ligações com a Igreja Católica, foi acreditado pelo Estado são-tomense no ano 2005. Chama-se Eduardo Norte Santos e Silva, é cidadão português. Esta “Ordem de Malta” de pendor católico é mais antiga e utiliza a abreviatura SMOM.

Em declarações ao Téla Nón a partir de Lisboa-Portugal, o embaixador Eduardo Norte Santos e Silva, colocou em causa a legitimidade da Ordem OSJ, designada Soberana, Militar e Hospitalar de São João de Jerusalém, Cavaleiros Ecuménicos de Malta. «Abusam de uma denominação que não lhes compete», afirmou o embaixador da Ordem Soberana Militar de Malta.

Eduardo Norte Santos e Silva que diz ser representante da Ordem de Malta legítima no território são-tomense, considera que a instituição milenar que representa não pode ser confundida «com um grupo de senhores que aproveitam a oportunidade para fazer negócios», referiu.

O embaixador da Ordem Soberana Militar de Malta, disse ao Téla Nón, que a sua instituição tem relações com a União Europeia, com os Países de expressão portuguesa, por mais de 104 outros países do mundo, e tem estatuto de observador nas Nações Unidas.

Enviou várias notas verbais de protesto às autoridades são-tomenses, denunciando o reconhecimento da Ordem de Malta OSJ, mas sem sucesso. A embaixada de Portugal em São Tomé e Príncipe também se posicionou, defendendo a Ordem Soberana e Militar de Malta como única entidade reconhecida há cerca de 1000 anos pelo estado português.

Houve até um despacho do Supremo Tribunal de Justiça de São Tomé e Príncipe, que segundo o embaixador Eduardo Santos Norte e Silva «reconhece apenas a Ordem Soberana e Militar de Malta, o direito de utilizar esta denominação no território são-tomense», frisou.

No entanto os cavaleiros, da Ordem OSJ, consideram que a sua Ordem é legítima e que nasceu em 1808, fruto da desagregação da Ordem principal, que era comandada pelo vaticano.

Na edição desta quarta – feira o Téla Nón vai desenvolver esta polémica que briga com a imagem externa de São Tomé e Príncipe, num trabalho de investigação, onde vários documentos serão exibidos, como forma de esclarecer o caso, e contribuir para a preservação da imagem externa do país.

Abel Veiga

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    Sousa Rodrigues Responder

    Já não era sem tempo, finalmente começa a ser feita luz publicamente sobre uma situação escandalosa – o reconhecimento dplomátco por STP da chamada Ordem Ecuménica de Malta.

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      quim Responder

      Grande negócio sujo … muitos dirigentes santomenses sabem disto e alguns estão metido nisto. procurem saber sobre isso e verão. obrigado tela non.

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    Me Zemé Responder

    Fico a espera dos próximos capítulos, pois este está confuso…
    Mas, nesta terra, quase tudo é possível

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    Le di Alami Responder

    Bandidagem, reconhecimento envolve dinheiro….

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    mé-zochi Responder

    É obvio que com tanta ordem iria criar uma desordem, cabe agora ao estado São Tomense investigar e tomar uma decisão que para que o nosso país não fique conotado como estado de trapalhadas.

    Já agora é bom começar a investigar tb alguma representações que tem-se andado aqui a reconhecer, só para ter certeza de que estamos a reconhecer autoridades reais.
    um pouco mais de cuidado nunca fez mal a ninguém.

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    Eu quero Tcha Responder

    O Sr Eduardo tem d vir a STP e trabalhar. Já não estamos na época de não faço nem deixo outros fazerem.
    O problema da Ordem de Malta é secular. Esta ordem ramificou-se em duas correntes já há muito tempo. O que interessa para STP é trabalho e fazer, o resto é cantiga.
    Portugal defende os seus, mas não faz muito por STP, e depois aproveita-se de nós.
    Não há almoços grátis, tem de haver vantagens para os dois lados, para STP e para quem ajuda.
    A Ordem de Malta do Sr. JP tem feito muito por STP.

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    Fernado Castanheira Responder

    desde que ajudem o Povo a melhorar a sua situacao sera bastante positivo. Isto e que se deve esforcar. Agora o conteudo fica para os proximox mil anos.

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